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Nuvem de gafanhotos não impacta a saúde de animais e humanos

No entanto, biólogo pede para que as pessoas se protejam contra impactos com os insetos

Cláudia Guimarães, em casa

claudia@ciasullieditores.com.br

A essa altura, você já deve ter dado play em algum dos vários vídeos que estão viralizando e que mostram a nuvem de gafanhotos que se encontra entre a Argentina e o Uruguai. O fenômeno estava se aproximando do Brasil, mas, de acordo com as últimas atualizações e com os dados meteorológicos para a região Sul do Brasil, previstos para os próximos dias, é pouco provável que a nuvem chegue em território brasileiro. Entretanto, Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) permanece em situação de alerta e mobilização.

Para termos todas as informações necessárias, levando em consideração a possibilidade desses insetos invadirem, em grande escala, nosso País, nos questionamos o que, de fato, esse comportamento dos gafanhotos pode impactar na vida dos humanos e outros animais. Para isso, conversamos com o biólogo, doutor em Entomologia, professor do programa de pós-graduação em Proteção de Plantas, da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), Mauricio Silva de Lima, que aponta: vários fatores contribuem para a formação de nuvens de gafanhotos. “Em sua maioria, são fatores climáticos, como tempos chuvosos que precedem longos períodos de estiagem, isso faz com que esses insetos se reproduzam de forma mais rápida, o que aumenta muito sua população, aliado à grande variedade e quantidades de alimentos que encontram durante seu trajeto”, explica.

Segundo ele, algumas espécies de insetos, como esse grupo de gafanhotos, têm o que é chamado hábito “gregário”, ou seja, a capacidade de vários indivíduos se juntarem em alguma fase da vida. “No caso desse gafanhoto, essa fase é a adulta, quando se unem em busca de alimentos, o que propicia a eles esse comportamento. Outra característica interessante é que essa espécie apresenta comportamento migratório, que é a capacidade de se deslocar por várias regiões, não se estabelecendo em um único local”, revela.

Espécie de gafnhotos se chama Schistocerca cancellata e é comum na América do Sul
(Foto: reprodução)

Para entender um pouco mais sobre essa espécie em questão, o biólogo relata que ela se chama Schistocerca cancellata e é comum na América do Sul. “Inclusive, também ocorre no Brasil. Já existiram surtos desse tipo na década de 1930 e 1940, no Sul do País. No entanto, nunca mais se teve registos desses insetos causando danos às lavouras. Em média, os machos chegam a pouco mais de 4cm e as fêmeas a 6,3cm, podendo colocar entre 70 a 120 ovos cada fêmea. Além disso, a capacidade de voo pode alcançar até 150km de distância, durante o dia, com a ajuda do vento”, descreve.

Animais e humanos correm riscos? Após conhecermos as principais características desses insetos, Lima afirma: não, os gafanhotos não são transmissores de nenhum tipo de patógeno ou enfermidades a outras espécies de animais e aos humanos. “No entanto, dada a sua alta voracidade, comem de tudo o que veem pela frente, pois são polífagos, o que significa que se alimentam de, praticamente, todo tipo de planta”, informa.

Dessa forma, sendo eles herbívoros, o biólogo assegura que não vão atacar nem humanos nem animais. “Pede-se, porém, que se protejam, uma vez que são muitos deles voando ao mesmo tempo, podendo trombar com as pessoas e, como possuem espinhos nas pernas saltatórias, podem nos machucar com o impacto”, aconselha o professor que salienta outro ponto importante: entrar em contato com órgãos de defesa vegetal do município ou Estado para informar a ocorrência.

Nuvens nos centros urbanos. Quando questionado sobre uma forma de evitar que esses insetos saiam das áreas rurais e se espalhem nas urbanas, o profissional afirma que a única medida de contenção é apenas tentar fazer o controle desses insetos ainda na zona rural, onde eles dão preferência por conta da alimentação. “Infelizmente, com o uso excessivo de agrotóxicos, seus inimigos naturais têm desaparecido, como sapos, lagartos e pássaros”, menciona.

Embora pareça algo aterrorizante, o biólogo destaca que esse tipo de acontecimento não é novo para essa espécie. “A formação de nuvens ocorre em períodos de tempos de 40 anos, o que nos alerta sobre a importância de estar monitorando, tanto essa, como outras espécies que também formam nuvens e ocorrem no Brasil. Manter uma agricultura mais sustentável, com menos uso de agrotóxicos é fundamental para que mantenhamos o equilíbrio no meio ambiente”, conclui.

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