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Primeiro veterinário intensivista comenta os desafios da área

Rodrigo Rabelo conta que muitas pessoas se intitulam, erroneamente, especialistas

Os avanços da Medicina Veterinária têm resultado em ganhos de qualidade nos cuidados dispensados aos animais de companhia nos últimos anos. As conquistas decorrem, em grande parte, de inovações tecnológicas, contudo, o recurso mais importante continua sendo o capital humano. 

Nos serviços de urgência e emergência, há um nicho importante do mercado para médicos-veterinários especialistas titulados pela Academia Brasileira de Medicina Veterinária Intensiva (Brazilian Veterinary Emergency and Critical Care Society – BVECCS) e reconhecidos pelo Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV). “Estes profissionais serão os responsáveis por treinar os demais membros da equipe e estabelecer os indicadores de qualidade da empresa, a fim de manterem os níveis de excelência”, explica o primeiro médico-veterinário especialista em Medicina Veterinária Intensiva no Brasil, titulado pela BVECCS-CFMV, Rodrigo Rabelo. 

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Rabelo é diretor do Intensivet Centro de
Especialidades Veterinárias (Foto: divulgação)

Por meio da Resolução nº 1.015/12, o CFMV estabelece condições para o funcionamento de hospitais, clínicas, ambulatórios e consultórios veterinários de atendimentos a animais. Somente os estabelecimentos que estejam de acordo com os conceitos estabelecidos pelo Conselho é que poderão ser denominados de unidades de terapia intensiva (UTI). Recentemente, a Resolução passou por consulta pública e será atualizada. 

“É cada vez maior o número de estabelecimentos que se identificam como UTI’s. Os profissionais da área, bem como os empresários que possuem negócios neste segmento, precisam se conscientizar dos perigos de se auto intitularem intensivistas sem obterem a devida especialização”, alerta Rabelo, que é diretor do Intensivet Centro de Especialidades Veterinárias. 

Atuações na área. O profissional garante que, hoje, há várias empresas capazes de atender esta demanda, algumas do mercado médico-veterinário e outras da medicina humana. “Um detalhe importante é que os serviços busquem equipamentos certificados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para garantir a segurança de seus pacientes”, ressalta.

Rabelo também comenta que muitos tutores de animais de companhia ‘fogem’ dos tratamentos de urgência por terem uma visão distorcida dos valores que isso implica. “Há um mito de que os atendimentos urgentes possuem custos elevados. Este é um serviço em que é possível executar um primeiro atendimento de excelência com custo reduzido. A sequência em cuidados críticos é que elevam os custos”, elucida e ainda adiciona “Se o serviço é bem gerenciado, teremos indicadores mais precisos de prognóstico e orçamentários para gerar a segurança necessária sobre os recursos investidos”. 

Em sua visão, os hospitais públicos também possuem papel importante na gestão da saúde de boa parte da população animal no Brasil. “Infelizmente, o sistema de gestão pública (seja na saúde humana ou veterinária) carrega o vício de não produzir indicadores, controladores de qualidade e mesmo de execução de protocolos que permitam a melhor utilização dos recursos disponíveis. Torna-se indispensável que a BVECCS, como entidade da especialidade, seja consultada para melhorar e colaborar com as entidades públicas no que tange ao estabelecimento de critérios de qualidade para serviços de urgência e de internação”, avalia. 

Título de especialista. O veterinário menciona que a prova de títulos é oferecida há três anos, contudo, o interesse das pessoas em se especializar e realizar a prova é muito baixo. “Isso se dá porque a curva de aprendizagem é muito longa, o preparo para o exame é difícil e exige muito tempo de estudos. A maioria das pessoas prefere fazer um curso de especialização de dois anos, intitulam-se especialistas, colocam no seu uniforme de trabalho a palavra ‘intensivista’, vão fazer plantão e abrem UTI’s. Hoje, nosso maior desafio é conscientizar a população e a classe de médicos-veterinários de que acelerar o processo de aprendizagem é negativo para todos nós. Com o objetivo de melhorar o marketing de suas empresas, muitos empresários divulgam informações equivocadas como forma de aumentar a renda. As empresas precisam compreender que é preciso investir mais em recursos humanos e treinamentos”, alerta. 

Fonte: Revista CRMV-SP, adaptado pela equipe Cães&Gatos VET FOOD.

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