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Quadros de olho seco podem causar grandes desconfortos aos pets

Tratamento da doença varia de acordo com sua classificação e estágio

Cláudia Guimarães, da redação

claudia@ciasullieditores.com.br

Olho seco é uma doença multifatorial da lágrima e da superfície ocular que resulta em sinais de desconforto, déficit visual e instabilidade do filme lacrimal com potencial dano à superfície ocular dos animais de companhia.

Quem explica o termo é a médica-veterinária com mestrado em cirurgia e responsável pelo Serviço de Oftalmologia do Provet, além de coordenadora do curso de especialização em oftalmologia da Anclivepa São Paulo, Adriana Lima Teixeira, em palestra on-line na plataforma VetSmart.

Segundo ela, em geral, a doença é acompanhada por um aumento da osmolaridade da lágrima e, nos estágios iniciais, há ressecamento da superfície ocular e hiperosmolaridade da lágrima, o que faz com que o pet aumente o ato de piscar, resultando em um lacrimejamento reflexo maior. “Muitos tutores não acreditam que o animal esteja com olho seco, justamente, pela manifestação de lacrimejamento excessivo maior que o normal. Mas é apenas um dos primeiros sintomas da doença”, explana.

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É possível classificar o olho seco em três causas: quantitativa,
quantitativa e por conta de alterações na distribuição
do filme lacrimal (Foto: reprodução)

Além desta, outras manifestações sutis no estágio inicial, de acordo com a profissional, são: olho vermelho, secreção mucoide e opacidade corneana. “Avançando, há secreção mucopurulenta, de coloração amarelada e esverdeada, se transformando em olho seco. Com dano conjuntival crônico, as células sofrem uma metaplasia e queratinização, o que cursa com a perda da transparência corneana e, muitas vezes, comprometimento da visão, já em estágios avançados”, menciona.

Essa secreção, por vezes, se deposita nas pálpebras, levando a problemas graves de blefarite, que causam desconforto, como comentado por Adriana, que destaca como o grande desafio do olho seco a falta de diagnósticos precoces. “Inicialmente, onde só há secreção mucosa e olho vermelho, com o tratamento adequado é possível obter a reversão do quadro. Infelizmente, muitos casos são mal diagnosticados, inicialmente, como conjuntivite”, revela.

Investigação e classificação. Para obter o diagnóstico correto, a profissional afirma que o veterinário deve realizar o teste lacrimal de schirmer, a biomicroscopia com lâmpada de fenda, tempo de quebra do filme lacrimal e também é importante avaliar a sensibilidade corneana, que é determinante para o agravamento ou não dos quadros de olho seco. “Também é necessário utilizar corantes: a fluoresceína, para descartar a presença de úlcera de córnea associada, e rosa bengala ou lissamina verde, que coram células desvitalizadas da superfície ocular e que, assim, conseguimos perceber se há células em sofrimento em função desse ressecamento”, declara.

A veterinária compartilha que é possível classificar o olho seco em três causas: quantitativa, ocorrido por deficiência da camada aquosa da lágrima, sendo a causa mais comum a imonomediada; qualitativa, decorrente de uma instabilidade do filme lacrimal, principalmente por deficiência das camadas mucosa e lipídica, que promovem uma evaporação mais rápida da lagrima; e por conta de alterações na distribuição do filme lacrimal, decorrentes de alterações anatômicas ou de inervação das estruturas oculares e perioculares.

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Antibióticos devem ser utilizados em casos mais
graves, crônicos e com muita contaminação
secundária (Foto: reprodução)

Terapêutica. Adriana cita que o tratamento do olho seco é clínico e depende da causa. “Se o olho seco é imunomediado, que é a forma mais recorrente, é preciso entrar com imunomodulador. Os disponíveis são ciclosporina de 0,2% a 2% e o tacrolimus de 0,03%, podendo ser manipulado em concentrações mais altas em situações especiais”, aponta.

Nas fases iniciais com o imunomodulador, caso o olho esteja muito complicado, é preciso associar ao uso de um substituto da lágrima, a fim de garantir conforto ao paciente, como destaca a profissional. “Os antiinflamatórios são bem-vindos, mas, os de uso tópico, pois, uma vez que eu tenho um processo inflamatório importante na superfície ocular, preciso entrar com o medicamento para interromper essa inflamação e os corticoides têm um efeito muito maior do que os antiinflamatórios não esteroidais. No entanto, nos casos mais graves, como úlcera de córnea, é melhor a opção não esteroidal, apesar de seu efeito mais lento”, recomenda.

Seguindo com as opções terapêuticas, Adriana menciona que os antibióticos devem ser utilizados em casos mais graves, crônicos e com muita contaminação secundária. “Os ácidos graxos por via oral ajudam a melhorar o desconforto, pois eles aumentam o tempo de quebra do filme lacrimal, então podem ser associados ao tratamento. Também existem as opções cirúrgicas para casos refratários”, lembra.

Para os tutores e veterinários que estão interessados na utilização dos substitutos da lágrima, Adriana frisa os benefícios que podem ser alcançados com este tipo de fármaco: “Eles promovem conforto ocular, diminuem os sintomas do olho seco e minimizam a chance de autotraumatismo. Mas vale lembrar que a frequência de uso depende da composição do produto, da apresentação e da gravidade de cada caso”, salienta.

A dica de Adriana para otimizar o tratamento é cuidar do paciente por, pelo menos, dois meses. Se ele evoluiu, sem nenhum sinal de desconforto, é essa a abordagem para o resto da vida; se ele melhorou, o caminho é esse, mas ainda possui uma deformidade palpebral e algum sintoma, ele deve ser submetido à cirurgia. “Primeiro, o tratamento clínico e, em um segundo momento, a cirurgia, se for necessária”, conclui.

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