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Quais os diagnósticos diferenciais de erliquiose em cães?

Doença possui três fases descritas: clínica, subclínica e crônica

A erliquiose é uma doença infecciosa, causada por uma bactéria gram negativa pertencente à ordem Rickettsiales, família Anaplasmataceae e gênero Erlichia. Dentre as espécies, a mais frequente é a E. Canis, parasita intracelular de células hematopoiéticas sem lipopolissacarideos e peptideoglicanos em suas membranas.

O Rhipicephalus sanguineus é o vetor mais comum da erliquiose. A transmissão ocorre principalmente pela sua picada com saliva contaminada, infectando a corrente sanguínea do cão, gerando uma reação inflamatória local e infecção dos monócitos. O período de incubação varia de 7 a 21 dias. Outra forma de transmissão é por transfusão sanguínea, sem testes do doador.

São descritas três fases da doença: clínica, subclínica e crônica. A clínica se inicia de 8 a 20 dias pós infecção, com replicação bacteriana em alguns órgãos. Os sinais clínicos são inespecíficos: hipertermia, anorexia, perda de peso, esplenomegalia, petéquias, equimoses e uveíte.

A subclínica ocorre de 6 a 9 semanas e geralmente sem sintomas, podendo permanecer na forma intracelular por até 5 anos, mesmo após a eliminação da bactéria (fase crônica)1,5,9. Os achados hematológicos são: monocitose, linfocitose e trombocitopenia associada muitas vezes à anemia arregenerativa.

Os principais diagnósticos diferenciais são causas imunomediadas confirmadas por exclusão e neoplasias. A trombocitopenia não é conclusiva para o diagnóstico de erliquiose, apesar da sua grande incidência.  

Além disso, outros exames realizados são: esfregaço sanguíneo para pesquisa de mórulas de E. Canis, reação de imunofluorescência indireta (RIFI), teste sorológico e PCR.

Deve-se atentar a falsos positivos/negativos em sorologias por reação cruzada. Titulações acima de 1:40 são reagentes, podendo persistir por até 12 meses pós infecção. A PCR detecta o DNA do agente por amostra sanguínea ou citologia esplênica, porém possui limitações.

O tratamento consiste em suporte e antibioticoterapia, principalmente tetraciclinas. Dentre estas, a doxiciclina, fármaco bacteriostático que inibe a síntese proteica e tem efeito em todas as fases da doença. A prevenção se dá por controle de carrapatos com medicações tópicas/orais e no manejo ambiental com carrapaticidas.

Abaixo as referências bibliográficas utilizadas pelos autores para este artigo, que está na íntegra na edição 254, de outubro de 2020, da revista Cães&Gatos VET FOOD.

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