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Quedas e colisão com objetos são ocorrências comuns entre os coelhos

Lesão medular aguda nestes pets requer cuidados especiais da família

Os traumas de alto impacto, como quedas e colisão com objetos, são a causa mais comum de lesão medular aguda em coelhos (Oryctolagus cuniculus), sendo altamente incapacitante devido ao frequente comprometimento motor, sensitivo e/ou autonômico nas áreas distais ao nível do trauma e, portanto, de prognóstico reservado a mau. Soma-se a isso a dificuldade e o custo do tratamento, a adaptação do animal a nova condição e, também, da família no que diz respeito às novas formas de cuidado do mesmo. 

A fisiopatologia da lesão medular aguda envolve a lesão primária, que ocorre imediatamente após o trauma e é resultante da transferência de energia cinética para a medula, por meio de estiramento, laceração, compressão ou secção, os quais implicam em dano neuronal e vascular e a lesão secundária, que ocorre minutos ou dias após o trauma e envolve mecanismos vasculares, iônicos, bioquímicos, inflamatórios e celulares que causam perda do tecido neural, inicialmente, não comprometido. 

Até 48 horas após o trauma, há isquemia medular secundária a hemorragia, trombose e edema vasogênico em virtude da lesão tecidual. A lesão e despolarização da membrana celular estimulam produção de eicosanoides, influxo de íons e ativação de enzimas proteolíticas, causando morte celular. Posteriormente, macrófagos secretam substancias que potencializam a microgliose, astrogliose, morte celular e a ação do fator nuclear kB, responsável pela mediação da resposta inflamatória pós-trauma. 

A neurorregeneração se inicia entre a segunda e terceira semana e dura cerca de seis meses. É um processo limitado devido à inibição do reparo axonal e remielinização pelos astrócitos, mielina e percursores de oligodendrócitos. Após esse período, a cicatrização glial e os cistos medulares já estão estabelecidos e a lesão medular passa a ser considerada crônica. 

Abaixo, as referências utilizadas pela autora do artigo que se encontra na edição 244, de dezembro de 2019, da revista Cães&Gatos VET FOOD. 

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Fonte: Redação Cães&Gatos VET FOOD. 

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