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Saiba por que os zootecnistas devem cuidar da nutrição dos pets

Além disso, profissionais atuam na área de comportamento e bem-estar

Cláudia Guimarães, em casa

claudia@ciasullieditores.com.br

Pensemos em suposições que ocorrem muito regularmente entre quem possui um animal de estimação: “meu pet está com um problema nutricional ou eu gostaria de mudar a alimentação do meu cão e do meu gato. Vou procurar um médico-veterinário para me orientar”. Sei que a maioria das pessoas possui esse pensamento automático em uma dessas situações, mas, hoje, mostramos que o profissional mais indicado a se procurar é o zootecnista, que comemora o dia 13 de maio destacando sua profissão.

O professor do curso de Zootecnia, do Instituto Federal Farroupilha, Gabriel Faria Estivallet Pacheco, acredita que veterinários e zootecnistas devam trabalhar em conjunto, pois são profissões complementares e cada um destes profissionais pode oferecer soluções dentro de sua expertise. “O graduado em Medicina Veterinária possui conhecimento vasto na área de clínica e cirurgia, entretanto, fundamentos limitados em nutrição animal, pois, ao longo da graduação, o estudante dispõe de apenas uma disciplina de nutrição básica de 45 horas (vinculada ao departamento de Zootecnia)”, aponta.

Por outro lado, o graduado em Zootecnia, segundo Pacheco, possui uma gama de disciplinas na área de nutrição animal, distribuídas em: uma disciplina de nutrição básica (60h); duas disciplinas de alimentação e nutrição de monogástricos (90h); duas de alimentação e nutrição de ruminantes (90h), uma de alimentação e nutrição de cães e gatos (60h) e outra com foco em formulação e processamento de rações (75h). “Assim, o zootecnista tem amplo conhecimento das diferenças fisiológicas e das necessidades nutricionais e energéticas das mais variadas espécies de animais, inclusive de cães e gatos. Por este motivo, esse profissional possui maior expertise na área de nutrição e manejo alimentar dos animais para orientar os tutores no que diz respeito à alimentação de seu pet”, explica.

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O graduando de Veterinária possui, na maioria das vezes,
apenas uma disciplina de nutrição, enquanto o de Zootecnia
passa por uma gama de aulas (Foto: reprodução)

Para a zootecnista com atuação em nutrição de cães e gatos, Angélica Kischener, é muito natural que as pessoas pensem, primeiro, em veterinários que em zootecnistas perante as situações narradas: “Fomos todos educados desta maneira. Mas o que os tutores não sabem é que o zootecnista já é formado em nutrição. Diferente da Veterinária, durante toda vida acadêmica, temos disciplinas voltadas à nutrição e à formulação de dietas para todos os tipos de animais e somos plenamente capacitados e capazes de desenvolver produtos, seja ração ou dieta caseira, para corrigir alterações fisiológicas e metabólicas que estejam ocorrendo com os pets”, reforça.

A profissional trabalha com nutrição animal desde 2010, mas focada em cães e gatos desde 2014 e, em sua opinião, é fato que um zootecnista trabalhando com atendimentos nutricionais personalizados, diretamente com animais e seus tutores, é uma novidade para todos: “Afinal, esse atendimento estreito sempre foi o papel do veterinário. Assim, algumas vezes, colegas veterinários já questionaram se eu, de fato, era capacitada para realizar meu trabalho. Mas contra resultados, não se tem argumentos! E, hoje em dia, não tenho problemas com isso. Inclusive, faço mentorias para veterinários e muitos deles já fizeram e fazem meus cursos”, revela.

Capacidades. E, embora a nutrição corresponda a uma das áreas mais importantes da Zootecnia, a atuação desse profissional vai além deste campo, conforme comentado por Pacheco, que está na área há 9 anos: “O zootecnista atua em toda a cadeia da produção animal e da produção de alimentos para humanos e para animais. No mercado pet, além da área de nutrição, o zootecnista atua na área de bem-estar e de comportamento. Nos últimos anos, os pets adquiriram status de membros da família e passaram a habitar as áreas internas da casa. Esse processo de antropomorfismo trouxe consigo alguns problemas comportamentais que, muitas vezes, são os principais responsáveis pelo abandono dos animais. Desta forma, o zootecnista pode utilizar do conhecimento adquirido no curso para auxiliar no adestramento dos pets e melhor estabelecer a relação homem-animal, tornando o ambiente de convívio mais agradável e duradouro”, destaca.

Angélica ainda menciona que esses profissionais também são gabaritados para cuidar do manejo de animais exóticos (que não pertencem à fauna brasileira) e silvestres (que pertencem à fauna brasileira). “Possuímos base nutricional para manejar essas espécies e, com o conhecimento adquirido em outras ciências, como química e bioquímica, fisiologia, nutrição animal, formulação e manejo de criações, somos capazes de atuar, também, nesta área. Tanto que temos zootecnistas em zoológicos e centros de reabilitação e triagem de animais espalhados por todo o Brasil”, conta.

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No mercado pet, além da área de nutrição, o zootecnista
atua na área de bem-estar e de comportamento
(Foto: reprodução)

Mas, segundo Pacheco, os cuidados com esses animais variam de acordo com cada espécie. “Se pensarmos em um zoológico, por exemplo, as principais funções do zootecnista é elaborar projetos de instalações adequadas para cada espécie, visando sempre o bem-estar e as particularidades comportamentais dos animais, elaborar estratégias de manejo e formulação dos alimentos para os animais, considerando suas necessidades nutricionais e energéticas específicas”, descreve.

Profissão relevante. Pacheco relembra que o dia 13 de maio faz alusão à primeira aula do curso de Zootecnia ministrada no Brasil, em 1966, na Pontifícia Universidade Católica de Uruguaiana-RS: “Nestes 54 anos, as universidades e os Institutos Federais têm trabalhado arduamente para devolver para a sociedade profissionais altamente qualificados e que corroborem com o desenvolvimento do nosso País”.

Para o profissional, a profissão exige constante aperfeiçoamento: “Costumamos dizer na Zootecnia que ‘a natureza cria e o zootecnista aprimora’, pois, além da área de nutrição animal, o curso também atua com reprodução, melhoramento genético, manejo alimentar, ambiência, bem-estar, entre tantas outras áreas que auxiliam no aperfeiçoamento do animal, na qualidade de vida e, no caso dos pets, na longevidade”, compartilha.

A Zootecnia, na visão de Angélica, é uma profissão muito abrangente, propiciando a atuação do profissional em várias áreas de criação e manejo de animais de diferentes espécies. Ela destaca que, nos dias de hoje, os pets são vistos como membros da família e promover atividades que ofereçam bem-estar e longevidade para estes animais também é papel do zootecnista. “Dentro do seguimento pet, o profissional pode atuar em várias áreas como: comportamento, bem-estar, ambiência, instalações, treinamento para agility, pastoreio de animais arrebanhados, entre outros. Todas estas atividades podem estar relacionadas ao manejo nutricional também implantado pelo profissional”, explana.

Zootecnistas e veterinários devem trabalhar juntos em prol da
saúde dos pets, pois são áreas complementares (Foto: reprodução)

Juntos para serem mais fortes. União é o que Angélica considera essencial na área de Zootecnia. “Não foi fácil me estabelecer e ocupar meu espaço como profissional em um mercado onde há muitos profissionais excelentes atuando e com mais experiência. Eu não teria essa disposição e coragem se não tivesse, como mentores, grandes colegas e amigos zootecnistas, muitos deles meus professores e mestres. Quando temos com quem contar, dividir e compartilhar experiências, a caminhada não deixa de ser dura, mas é possível chegar mais longe. Essa união eu raramente vejo em outras profissões e sou muito grata por fazer parte da Zootecnia, onde uns ajudam os outros, afinal, estamos neste mundo para servir e nos ajudar! Se não, qual seria o nosso legado?”, indaga.

Ela ainda destaca que a Zootecnia nasceu para atender uma demanda que a Medicina Veterinária e a Agronomia não conseguiam atender, sendo, assim, profissões irmãs, que se completam. “Acredito que quando todos os profissionais da área entenderem que trabalhar em conjunto pode dar um resultado superior, os atendimentos multidisciplinares serão mais comuns entre as duas profissões (Zootecnia e Veterinária). Temos que ter sempre em mente que o nosso foco principal é qualidade de vida e longevidade para nossos pets e trabalhar para promover isso”, pondera.

Pacheco também frisa que zootecnistas e veterinários não só podem, como devem trabalhar juntos, pois são áreas complementares. “Trabalhei em uma equipe multidisciplinar na área de pesquisa e desenvolvimento e a atuação conjunta dos profissionais era fantástica, pois havia muita troca de ideias e experiências. Torço para que, em breve, ambas as profissões percebam que, quando trabalhamos juntos, somos mais fortes e, assim, poderemos trazer mais benefícios para a saúde, para a qualidade de vida e para a longevidade dos pets, que é o nosso principal objetivo”, salienta.

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