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SOU+PET introduz PCDs ao mercado de trabalho por meio de curso

Ação realizada pelo Instituto Meta Social condecorou uma nova turma

Wellington Torres, de São Paulo

wellington@ciasullieditores.com.br

Mesmo que, no Brasil, a inclusão caminhe a passos curtos e desajustados, o programa "SOU + PET", oferecido pelo Instituto Meta Social (IMS), tem como responsabilidade modificar esse panorama. A iniciativa é reconhecida por possibilitar a inclusão de pessoas com síndrome de Down, portadores de deficiências físicas/cognitivas ou em estado de vulnerabilidade social no mercado de trabalho, a partir do conhecimento do trato aos animais em pet shops.

Em funcionamento desde 2018 e em sua quinta turma, o programa realizou na última quarta-feira (11), a formatura dos novos profissionais, onde a equipe da C&G VF esteve presente. Durante a entrega dos diplomas, a cerimônia contou com a exposição do desenvolvimento dos estudantes, uma homenagem e o anúncio oficial do lançamento da parceria com a Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), onde foi realizado o evento.

De acordo com o vice-presidente do IMS, Fernando Heiderich, a ideia para o “SOU+PET” surgiu de um programa que nasceu a mais de 15 anos, onde o foco era viabilizar a inclusão de pessoas que se encontravam nas mesmas situações da turma atual para trabalhar em diferentes setores do varejo. E, segundo ele, o apoio aos estudantes não termina na formatura.

“O ciclo não termina aqui, ele só pode chegar ao fim quando empregamos a todos. Por isso oferecemos o emprego apoiado, uma metodologia fundamental para a ação”, destacou.

Na escolha por oferecer o contato com animais de companhia, em foco à função de banhistas de pets, como mencionado na ocasião, a coordenadora do IMS, Andrea Barbi, afirma que a iniciativa é um modo de unir o útil e o agradável. “Você vê que pet shops existem vários e é uma delícia o trato com os animais, por isso unimos essas duas coisas para melhor instruí-los”, afirmou.

Além de ofertar conhecimento e inserção, o programa também abre portas de um novo mundo para todos os participantes, onde se é trabalhado o comportamento, autoestima e a confiança de indivíduos que chegam ao projeto, por muitas vezes, sem acreditar em suas capacidades.

“Eles vêm desacreditados, a autoestima está lá embaixo, geralmente acham que não são capazes e que não possuem chances. Com essa iniciativa, eles crescem e descobrem que podem ser cidadãos como quaisquer outros, com direitos e deveres”, disse a coordenadora.

O que uma das beneficiadas do programa, diagnosticada com deficiência intelectual leve, confirmou em seu discurso de agradecimento.  “Eles (os funcionários do programa) foram a luz que eu precisava para me libertar”, afirmou.

No entanto, um projeto de lei pode restringir a obrigatoriedade de inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho. O PL 6.159/2019 defende a possibilidade das empresas trocarem o cumprimento de cotas de contratação de deficientes pelo valor equivalente a dois salários mínimos à União.

Ao ser questionado sobre assunto, o vice-presidente do IMS afirma que a decisão é um erro e um grande desrespeito. “Nada de nós, sem nós, é o lema mundial! É terrível ser definida uma revisão da lei de cota sem ouvir as comunidades envolvidas”, destacou.

Para ele, a lei de cotas é fundamental para o País. “O Brasil possui uma taxa de inclusão social de apenas 1%, enquanto outros países, como EUA, o PEA chega a 32,8%. Não podemos continuar tratando este assunto de uma maneira tão falha”, concluiu.

Retorno e novas possibilidades. Segundo os representantes do Instituto, o retorno dos contratantes é sempre muito positivo, graças ao empenho e dedicação dos novos profissionais. “Tanto aqui, como qualquer lugar do mundo, essas pessoas agregam muito valor aos locais que trabalham”, destacou Heiderich.

Visando proporcionar um aporte especializado às grandes empresas na hora de contratar alguém para cargos de coordenação ou gerência, a ESPM, referência na formação de profissionais, anunciou oficialmente durante a formatura que a partir de agora trabalhará ao lado do Instituto Meta Social.

“A ESPM tem outras frentes diante do tema diversidade e inclusão, eu como coordenador da área de varejo, represento o interesse de formar gestores que atuam corretamente perante essa pauta”, afirmou o coordenador do Núcleo de Varejo Retail Lab da ESPM, São Paulo, Ricardo Pastore.  

Para ele, os gestores precisam sempre estar preparados para receber pessoas com deficiência. “Se isso não ocorre, se não há esse preparo, é impossível que o potencial desse funcionário, que a capacidade desse indivíduo, seja aproveitada corretamente. É isso que queremos com essa parceria”, declarou ao portal C&G VF.

O IMS dividirá com o núcleo de varejo da ESPM a formação das novas turmas. “Já mobilizei outros professores, isso tem aval da escola, já que ela interage com o mercado e com a sociedade, a partir disso, começamos a conhecer e trazer as coisas aqui para dentro, para depois colaborar e devolver para sociedade de uma forma mais bem resolvida”, finalizou Pastore.

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