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Veterinária reforça a importância da atuação contra as zoonoses

Participação do médico-veterinário é essencial em saúde pública para o controle das doenças

Cláudia Guimarães, em casa

claudia@ciasullieditores.com.br

Algumas pessoas sabem da existência, mas não conhecem, a fundo, quais doenças são classificadas como tal. As zoonoses (enfermidades transmitidas entre animais e seres humanos) mais comuns aqui no Brasil são: Raiva, Leptospirose, Leishmaniose, Toxocaríase, Toxoplasmose, Esporotricose, Febre Amarela, Dengue e Doença de Chagas, entre outras doenças, incluindo as de transmissão vetorial. O médico-veterinário é um dos agentes mais importantes contra esses males e, hoje, no Dia Mundial das Zoonoses, destacamos a importância desse profissional nos centros de controle municipais.

A promoção à saúde humana, animal e uma interação equilibrada com o meio ambiente (Saúde Única) é, de acordo com a médica-veterinária, especialista em Saúde Pública, da Divisão de Vigilância de Zoonoses (atual denominação do Centro de Controle de Zoonoses), COVISA  Secretaria Municipal da Saúde da Cidade de São Paulo, Elisabete Aparecida da Silva, de modo genérico, a melhor forma de evitar doenças.

Segundo a veterinária, as medidas de prevenção devem ser direcionadas para cada zoonose, por meio do conhecimento de sua cadeia de transmissão e a adoção de medidas que visem a interrupção ou quebra dos elos que envolvem essa cadeia, específicas para cada zoonose. “O desenvolvimento de estratégias de trabalhos participativos e intersetoriais, que visem equilíbrio das populações, tem papel fundamental para a promoção da responsabilidade social da comunidade pelo controle dessas populações animais e a preservação de um meio ambiente equilibrado e saudável. Como por exemplo, no caso da Raiva, zoonose essa que uma das principais medidas de prevenção é a vacinação dos animais expostos a esse risco, especialmente cães e gatos, é  fundamental  que a comunidade e os responsáveis pelos pets tenham a compreensão da importância, aceite e participe, ativamente, vacinando seus animais anualmente e que não interprete como uma imposição das autoridades”, destaca.

Veterinários das UVZs devem difundir informações e
orientação à população humana quanto aos princípios
básicos de saúde (Foto: reprodução)

Atividades. As Unidades de Vigilância em Zoonoses (UVZs) têm como principal missão desenvolver trabalhos de prevenção, proteção e promoção à saúde, por meio da vigilância e controle de zoonoses ou de agravos transmitidos por vetores, pelo saneamento ambiental, além da educação em saúde, como comentado por Elisabete. “Para tanto, desenvolve-se uma série de ações visando harmonizar a relação entre a população humana, os animais e o meio ambiente, com o objetivo de minimizar o risco de ocorrência de agravos à saúde humana e animal”, informa.

Os serviços oferecidos nessas unidades, de acordo com a veterinária, irão variar na dependência das ocorrências e agravos à saúde, com prioridade para as ações de controle e prevenção das zoonoses de maior importância dos municípios onde estão instalados: “Dado que os Centros de Controle de Zoonoses (CCZs) ou as Unidades de Vigilância em Saúde são unidades municipais em sua maioria e, assim, visam atender as necessidades e prioridades da sua cidade ou região”, adiciona.

Nestes locais, como explica Elisabete, o médico-veterinário atua compondo uma equipe multidisciplinar com atribuições distintas e confluentes com as de outras profissões pertinentes, como biólogos, médicos, enfermeiros, educadores em saúde, entre outros profissionais que, igualmente, têm sua atuação em Saúde Pública. “Por determinação legal, o CCZ ou a UVZ devem ter um responsável técnico (RT) médico-veterinário”, frisa.

A importância da presença deste profissional como RT vem do fato de que a formação do veterinário o habilita a fazer parte do grupo de profissionais de saúde atuando para proteger a população contra as enfermidades coletivas, em especial, as zoonoses, a higiene dos alimentos, os diagnósticos laboratoriais, os conhecimentos de biologia e controle das espécies sinantrópicas, estudos e análises epidemiológicos, as atividades experimentais, entre outras. “Assim, ele está em harmonia com o conceito de Saúde Pública, que considera todos os fatores que determinam a saúde coletiva, sem limitar às necessidades do indivíduo”, compartilha.

As zoonoses são doenças que podem ser transmitidas
de animais para humanos. O veterinário é peça-chave
para esse controle (Foto: reprodução)

Responsabilidades. Na unidade de São Paulo, onde Elisabete atua, as principais atividades exercidas pelos veterinários são: Planejamento, coordenação e execução dos Programas Sanitários de Prevenção e Controle de Zoonoses; Estudos epidemiológicos das zoonoses; Investigação, vigilância e controle de zoonoses; Diagnóstico e orientações de cães e gatos com suspeita de zoonoses; Controle populacional de cães e gatos; Vigilância e controle das doenças transmitidas por vetores; Controle de populações de animais sinantrópicos; Vistoria zoosanitária; Educação em saúde com os temas relacionados à prevenção e controle de populações de animais domésticos e sinantrópicos e prevenção de zoonoses ;Diagnóstico laboratorial das zoonoses e  Medicina Veterinária do Coletivo.

Estes profissionais, na visão de Elisabete, têm, também, a responsabilidade de orientar para melhores condições ambientais, difusão de informações e orientação à população humana quanto aos princípios básicos de saúde. “Sobretudo no atual do contexto de Saúde Única, que traduz a união indissociável entre a Saúde Ambiental, Humana e Animal”, reforça.

Ressaltando o papel relevante do veterinário na Saúde Pública, Elisabete faz uso de um texto, escrito há cinco anos. “Isso para trazer a reflexão do quão importante e atual ao momento, quando vivencia-se a pandemia da Covid-19, para se repensar, no Dia Mundial das Zoonoses, sobre a relação dessa pandemia - e outras que possam vir - com o meio ambiente, sobretudo, pensando que os seres humanos e a natureza fazem parte de um sistema interconectado”, comenta.

O texto referido pela profissional foi escrito por Menezes C. F. F., em 2015: “O aumento do contato entre a população humana e os animais domésticos e silvestres, ocorrido nos últimos anos, em decorrência dos processos sociais e agropecuários, resultou na disseminação de agentes infecciosos e parasitários para novos hospedeiros e ambientes, implicando em emergências de interesse nacional ou internacional”.

Na visão da analista de saúde, para impedir o surgimento das zoonoses, é fundamental endereçar as múltiplas ameaças aos ecossistemas e à vida selvagem, entre elas, a redução e fragmentação de habitats, o comércio ilegal, a poluição, a proliferação de espécies invasoras e, cada vez mais, as mudanças climáticas. “Devemos nos lembrar da importância do equilíbrio entre a vida natural e humana”, argumenta.

Em contramão do ideal, Elisabete observa que, infelizmente, boa parte da população desconhece a importância do médico-veterinário como promotor da saúde humana, reconhecendo ainda somente a área de clínica e cirurgia. “Devo dizer que, quando optei pelo curso de Medicina Veterinária, também pensava em fazer clínica de pequenos animais, como a maioria. No entanto, tive a oportunidade de conhecer, na faculdade, os inúmeros outros campos da profissão e me encantei pela área de zoonoses”, compartilha.

Assim, Elisabete aproveita para fazer uma referência ao Prof. Dr. Silvio Arruda Vasconcellos da FMVZ/USP, dentre tantos outros, que, como dito por ela, brilhantemente ensinam a importância do veterinário em Saúde Pública. “Tenho muito orgulho da minha profissão e de ter seguido essa área onde tive a oportunidade de conviver com outros colegas que desempenharam e vêm desempenhando um papel muito importante de prevenção e controle de zoonoses. Fica, aqui, meu estímulo para os que desejam seguir essa área da Medicina Veterinária”, finaliza.

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