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Veterinário é aliado na conscientização da doação de sangue

Profissional de hemocentro afirma que, de certa forma, pandemia afetou doações

Cláudia Guimarães, em casa

claudia@ciasullieditores.com.br

A vida humana e animal, quando corre riscos, pode ser salva com a ajuda de diversos fatores: médicos e equipe qualificada, aparelhos necessários para os respectivos procedimentos e, podemos até mencionar, a fé de amigos e familiares que clamam pela melhora dos pacientes. Hoje, no Dia Mundial do Doador de Sangue, falamos desse ato de amor, focado na Medicina Veterinária, que, aliado aos itens já mencionados, ajuda a salvar vidas.

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O pet doador passa por um check-up dos doadores, por
meio de exames físicos e laboratoriais (Foto: reprodução)

O banco de sangue animal, de acordo com a médica-veterinária Lani de Carvalho Menezes Aiello, é um segmento veterinário onde é realizada toda a parte de hemoterapia. “Ou seja, desde a triagem dos doadores caninos e felinos, passando pela coleta das bolsas, processamento e armazenamento dos hemocomponentes. Essas bolsas são destinadas a animais que tenham indicação de transfusão pelo clínico responsável. Por vezes, as transfusões são realizadas no próprio hemocentro”, conta.

Ela narra que, no banco de sangue do Centro de Excelência Veterinária Anália Franco (Cevet, São Paulo/SP), onde trabalha, ocorre da seguinte maneira: “Possuímos um cadastro de doadores, que são requisitados dependendo da demanda da semana e do nível do estoque. A divulgação, geralmente, é feita pelos próprios tutores responsáveis pelos doadores, assim como divulgação por redes sociais. Também buscamos contato com canis e gatis com potenciais doadores”, informa.

No Cevet, Lani relata que o estoque é dividido entre conveniados (hospitais, internações ou clínicas) e particulares, que, normalmente, chegam por indicação do veterinário ou pesquisa em sites de busca. “Ao sermos contatados, caso nos seja solicitado, oferecemos indicação de qual hemocomponente é o mais adequado para o caso em questão. Nossas bolsas podem ser retiradas no banco de sangue ou enviadas por um motoboy”, menciona.

Profissional chama atenção dos tutores de cães e
gatos a levarem seus pets para serem doadores
(Foto: reprodução)

Pandemia x doações. A veterinária compartilha que, de certo modo, o atual isolamento social impactou as doações de sangue: “Temos doadores cujos tutores estão em grupo de risco e, por isso, evitamos contatá-los. Porém, tomamos todas as precauções necessárias ao fazer as nossas coletas externas e internas, conforme orientado pelo Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV)”, garante. Com essa questão, Lani aponta que o estoque está em 80% da sua capacidade total. “Apesar da crise, estamos conseguindo suprir a demanda, pois intensificamos a busca por doadores”, adiciona.

A profissional chama atenção dos tutores de cães e gatos a levarem seus pets para serem doadores, mesmo em momentos delicados, como agora, já que os quadros complicados de pacientes que necessitam do sangue acontecem a toda hora. “A doação oferece muitos benefícios, além do ato de ajudar outros pacientes. Com ela, existe um check-up dos doadores, por meio de exames físicos e laboratoriais. Também é importante lembrar que a doação pode ser realizada a cada três meses, o que oferece um acompanhamento constante do doador”, destaca.

Como aliado, Lani cita os veterinários, já que aquele que, normalmente, atende o doador traz mais confiança ao tutor. “Assim, ele pode conversar com o mesmo para esclarecer dúvidas e orientá-lo a procurar um hemocentro para realizar a doação, além de ressaltar a importância de um acompanhamento laboratorial constante”, declara.

Exemplo a ser seguido. O mecânico de Manutenção, Nielsen Alexandre Sereno, tutor do American Bully, de 18 meses, Hórus Sava Bull, conta que o cão nunca havia doado sangue, anteriormente, até sua veterinária entrar em contato: “Ela perguntou se o Hórus poderia doar sangue para outro cachorro e eu aceitei. Lembrei que meu irmão, proprietário do Canil Sava Bull (Cataguases/MG), também leva os cães para doar e, então, decidi ajudar também”, expõe.

Hórus, então, doou seu sangue, que foi destinado a um Pinscher, que enfrentava uma anemia, a qual o deixou com apenas 40 mil planquetas no sangue, quando o mínimo é 200 mil. “Eu penso assim: se seu cão está sadio, por que não doar e salvar outra vida?”, questiona o tutor que ficou muito feliz e satisfeito com a doação. “Hoje, o meu cão doou, amanhã ele poderá receber, nunca se sabe. Mas, mais do que eu, a tutora do Pinscher e sua veterinária ficaram ainda mais felizes”, adiciona.

Depois dessa primeira experiência, Nielsen Sereno afirma que, sem dúvidas, se outros cães precisarem, ele repetirá a doação com Hórus. “Claro, respeitando o tempo entre uma doação e outra, como orientado pela veterinária, para repetir o procedimento. Hórus se enquadra no perfil de um bom doador, tem mais 25kg e é saudável. Meu recado para quem também possui um animal de estimação é: doe o sangue dele, como se estivesse doando o seu e salvando outras vidas”, encerra.

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