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Veterinário de pets da família há 39 anos é homenageado por tutora

Gratidão se deu em forma de um quadro com poesia e fotos de seus pacientes

Acostumadas ao convívio com animais, as filhas da assistente social Milka de Aguiar Pereira Maia sempre foram juntas ao veterinário, em Campo Grande. O profissional, que cuidava dos cães e gatos da família, passou de Francisco a "tio Chico", como as meninas o chamavam. 

Após 39 anos e o cuidado com 15 animais, a gratidão bateu na porta dele, com um quadro cheio de poesia e fotos dos pets. "Eu sempre tive animais em casa. Minha filha mais velha tem 38 anos e desde que ela era bebê tínhamos cães e gatos. E o tio Chico passou a ser alguém da nossa família, esse nome mesmo veio quando as meninas, ainda muito pequenas, o chamavam e eu acabei repetindo. Teve muitos casos em que eu não tinha dinheiro e ele nunca deixou de atender, até por telefone me ajudava", afirmou a assistente social. 

Há 3 anos, a xodó da família é a Lhasa Apso Nina, além de mais um cão e outros dois gatos. Frequentemente, ela visita o veterinário. "Todo fim do ano eu sempre levei lembranças para ele, mas, este ano quis fazer algo diferente e até a minha filha Mariana me ajudou. Meu pai é poeta, cantor, integrante da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras e fez uma poesia chamada Apologia ao Cão. Então, a intenção foi juntar a poesia com fotos dos animais que ele cuidou e que já faleceram", explicou Milka. 

O profissional ficou muito feliz e emocionado quando recebeu o presente, como ela narra. “O tio Chico disse, inclusive, que vai colocar na recepção da clínica e eu adorei a ideia. Acho que a gratidão é algo muito especial e eu amo muito meus animais, então sou grata a ele. Na verdade, acho que qualquer pessoa que faz o bem para nós, devemos ser sempre gratos", finalizou. 

Confira na íntegra a poesia Apologia ao Cão, publicada no site da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras (ASL), de Geraldo Ramon Pereira: 

Cão sem dono, no abandono,
ladrando serenata, virando lata,
levando coice do homem-cão...
Cão de rua, lambendo a lua,
que o festeja com dedos de luz.
Cão-menino, sem afeto,
a mendigar um teto.
Ao relento, cão e cadela:
amor que engata, amor que atrela,
mostrando ao homem o que é união.
Cão arAUto, de cAUda AO ALto,
bem AO ALto, acenando pra Deus...
Sua vida? Não importa!
Mas, se bate à porta, a boca é torta:
é coice na cara, é surra de vara,
é pé pra quem tem...
Contudo, um cão liberdade,
Um cão sem destino, um cão sem saudade,
Um cão feliz: um cão de rua, lambendo a lua
Que o festeja com dedos de luz.

Obrigado, ó cão de rua, que trocaste a lua
e um céu de anil, pela vida crua de um canil.
A ti dei água e alimento
e a mim deste sentimento,
te ensinei a ter paciência
e me ensinaste Ciência;
dei-te injeção e me acariciaste a mão;
enfim, planejei teu fim e me amaste mesmo assim...
Obrigado, ó cão, pelo teu amor celeste
e muito obrigado, amigão,
Pelo coração que me deste! 

Fonte: G1, adaptado pela equipe Cães&Gatos VET FOOD.

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