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Vitiligo: enfermidade é rara, mas pode acometer cães e gatos

Tal doença possui opções de tratamento, mas não é possível alcançar cura

Cláudia Guimarães, da redação

claudia@ciasullieditores.com.br

Podendo acometer humanos, cães, gatos e equinos, o vitiligo é considerado uma doença rara devido à perda de melanócitos (células produtoras de melanina) na pele e pelos, conforme explica o veterinário da Pet Care Hospital Veterinário e VetSaúde Clínica Veterinária, Luiz Eduardo Bagini Lucarts.

Segundo ele, a teoria mais aceita é que se trata de uma enfermidade autoimune, onde o animal apresenta anticorpos contra os melanócitos. “Inicialmente, as lesões ocorrem na face (gengiva e lábios, pincipalmente), podendo, com o tempo, atingir outros locais, como membros e genitália”, descreve.

Quando questionado se, além da mudança da cor dos pelos, a doença causa outra alteração no organismo do animal, Lucarts afirma que, em pets ela é apenas uma enfermidade cosmética, não alterando a qualidade de vida ou levando a outros sintomas. “No entanto, ela pode vir, juntamente, com outra doença, como a Síndrome Úveo Dermatológica (SUD) ou outra enfermidade autoimune, mas são casos bem mais raros”, aponta.

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Diagnóstico é realizado a partir do exame histopatológico
de umas das areas despigmentadas (Foto: reprodução)

Sobre a SUD, o profissional explica que ela possui início súbito, causando dor e há possibilidade de evoluir para glaucoma e perda de visão. Também é possível observar lesões despigmentadas em lábios, nariz e pálpebras. Em alguns cães as lesões despigmentadas também surgem em coxins (almofadinha das patas), bolsa escrotal, ânus e palato (céu da boca). Nos casos mais graves, há relatos de meningoencefalite (inflamação da meninge).

Voltando ao vitiligo, o diagnóstico é realizado a partir do exame histopatológico de umas das áreas despigmentadas. “Deve-se anestesiar o paciente e coletar uma amostra de pele para tal exame”, orienta Lucarts. Se for comprovado, o tutor deve saber que não existe cura para a doença. “Aliás, o tratamento é bem questionável, uma vez que se trata de uma enfermidade cosmética, somente”, adiciona.

Casos raros. Você pode até ter visto o perfil de Elli, um gato com vitiligo que possui conta no Instagram (@elli.vitiligo), e ter pensado que, assim como com ele, outros animais possam apresentar essa descoloração dos pelos frequentemente. No entanto, como já comentado pelo veterinário, por ser uma doença rara, existem poucas informações a este respeito. “Mas, em um levantamento realizado em um hospital escola de São Paulo, os casos e vitiligo correspondiam a 0,6% dos dermatopatas atendidos naquela instituiçao. A única coisa que podemos atestar é que o problema é mais comum em cães que em gatos”, revela.

Lucarts diz que não há cuidados especiais a serem tomados com um animal diagnosticado com vitiligo, mas, caso haja prolongada exposição solar, fotoprotetores podem ser utilizados nas áreas despigmentadas”, recomenda.

Caso o tutor opte por algum tratamento indicado pelo veterinário, Lucarts atesta que a forma tópica é a mais sugerida, face aos efeitos colaterais dos medicamentos utilizados. “Opta-se por glicocorticoides tópicos ou Tacrolimus. Vale lembrar que o tratamento visa interromper a progressão da lesão e não repigmentar a área acometida”, conclui.

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