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Zoo com animais extintos pode se tornar realidade com avanço da ciência

Questões financeiras e políticas, no entanto, podem ser um entrave

O avanço da ciência pode trazer uma realidade inimaginável nos dias de hoje: um zoológico com animais extintos. A realização se torna plausível por meio do uso do DNA das espécies.

Um dos animais citados pelos pesquisadores são os mamutes, vistos como mais acessíveis, entre os extintos a mais tempo. Cientistas possuem amostras congeladas da criatura e podem implantar o material genético em elefantes, que são geneticamente muito parecidos.

Entretanto, os pesquisadores observam um problema: o habitat. Os animais precisam de locais que sejam parecidos com o que naturalmente estavam acostumados.

Já as espécies extintas a menos tempo seriam mais acessíveis, um exemplo são os pombo-passageiros. Isso envolveria o mapeamento do genoma completa do animal, para então modificar o genoma do pombo comum de forma a que ele se pareça ao do pombo-passageiro. Assim, teríamos uma espécie extinta clonada.

Avanços. Desde a clonagem da ovelha Dolly, em 1996, a ciência percorreu um longo caminho. Atualmente, cientistas vêm tentando implantar embriões de rinocerontes brancos em uma barriga de aluguel – algo não menos polêmico. Tornando plausível a ocorrência de animais híbridos, como um mamute-elefante.

A professora de biotecnologia Cindy Tian, da Universidade de Connecticut, nos Estados Unidos, está pesquisando o DNA baseado no núcleo por meio da clonagem. A especialista estima que se houver vontade política e financiamento suficientes, demoraria apenas dez anos para que pudéssemos ver animais raros e ameaçados de extinção espalhados pelos zoológicos do mundo

mamute
Há quanto menos tempo o animal tiver sido extinto, maiores as chances de clonagem (Foto: reprodução)

O obstáculo financeiro e político, no entanto, pode ser um impedimento. Segundo a especialista, o custo da clonagem de um único touro é de pelo menos US$ 15 mil (R$ 53 mil). Clonar animais selvagens ou ameaçados de extinção poderia ser até mais caro, à medida que temos menos informação sobre eles e poucas espécies usadas para testes.

Uma das principais barreiras são as taxas de mortalidade dos animais clonados, que são muito altas. Os motivos não são inteiramente conhecidos, mas provavelmente incluem erros de reprogramação: essencialmente, o núcleo do óvulo da doadora carrega um tipo de memória genética que resiste à substituição por um material genético novo.

“Animais clonados por meio desse processo, conhecido como transferência nuclear de células somáticas (TNCS, na sigla em inglês), têm que sobreviver a esse primeiro choque depois do nascimento. Se eles sobreviverem, são geralmente saudáveis", explica Cindy.

Além disso, existem também as preocupações éticas sobre criar animais com alta chance de morte prematura ou estresse. Ainda assim, questionamentos similares podem ser levantados sobre como reproduzimos rebanhos. E as taxas de sucesso estão aumentando. Em 1996, cientistas usaram 277 embriões clonados para conseguir criar a ovelha Dolly. "Agora, se você clona gado, você pode transferir 100 embriões de gado clonados e obter de dez a vinte animais clonados. Essa é uma mudança magnífica", diz Cindy.

Turismo. As redes sociais que já estão repletas de registros de viagens, o volume poderia ser ainda mais intenso com esse tipo de entretenimento.  O professor de administração de turismo na Universidade de Central Lancashire, no Reino Unido, Daniel Wright, acredita que essa seria uma realidade.

Os zoos e parques de safári, em todo o mundo, já exibem animais ameaçados de extinção. Muitos deles participam de programas de biodiversidade com o objetivo de impedir que animais ameaçados sejam totalmente extintos, ou de se tornarem perigosamente endogâmicos, dado que há muito poucos exemplares vivos da espécie. Um exemplo são as doninhas-de-patas-pretas.

Sendo assim, pode-se argumentar que o uso de tecnologia de clonagem para fins de turismo é, embora dispendioso, não muito diferente do ponto de vista ético. Se é politicamente incorreto defender um zoológico que mantém animais em cativeiro, a clonagem não muda tal paradigma.

A socióloga da universidade London School of Economics (LSE), em Londres e autora do livro Cloning Wild Life ("Clonando Vida Selvagem", em tradução livre), Carrie Friese, pontua que a finalidade desses locais seria não só se maravilhar com os bichos, mas também celebrar a engenhosidade humana."Basicamente, iríamos a esses lugares não apenas para ver ao vivo um animal já extinto, mas celebrar a ciência que o trouxe de volta à vida", comenta.

Fonte: BBC, adaptado pela equipe Cães&Gatos.

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