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Novo produto da Boehringer Ingelheim combate cardiopatias

No lançamento, ocorreu o primeiro simpósio de especialidades da empresa

Cláudia Guimarães, da redação

claudia@ciasullieditores.com.br

A ciência tem avançado, nos últimos anos, em várias áreas da Medicina Veterinária. Dentro da cardiologia de pequenos animais não é diferente e, no dia 25 de novembro, a Boehringer Ingelheim (São Paulo/SP) apresentou a nova tecnologia terapêutica para o tratamento da insuficiência cardíaca em cães: o Vetmedin.

A programação do dia transcorreu intensa: no início da manhã, jornalistas de veículos segmentados foram convidados para a apresentação oficial do produto e, ao longo do dia, cerca de 300 médicos-veterinários conheceram a novidade. O diretor da Unidade de Negócios de Animais de Companhia da empresa, Ahmed Addali Alvarez, garantiu que a Boehringer é a maior empresa familiar de capital fechado. “Pelo formato do negócio, é mantido com seriedade e regras que se transformam em símbolo de empresa comprometida”, atesta.

Segundo Alvarez, tudo o que é lançado pela companhia está nas mãos de cientistas que dedicaram sua vida inteira para trabalhar e estudar composições de produtos como o Vetmedin. “Temos responsabilidade com os animais, queremos melhorar suas vidas e, de alguma forma, afetar a vida das pessoas, porque tudo o que acontece com nossos pets, afeta nosso coração”, declara.

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"Acreditamos que só podemos crescer e ter sucesso
se buscarmos nossos objetivos com paixão",
declara Alvarez (Foto: C&G VF)

O profissional ainda frisa que a empresa aposta em lançamentos bem focados no veterinário porque é focada mais nos resultados e na utilidade dos produtos, do que em quanto dinheiro vai render. “Investimos em produtos técnicos, não em produtos que só buscam faturamento”, destaca. Por isso, o Vetmedin oferece ao pet mais tempo com melhor qualidade de vida.  “Os veterinários devem ter o cuidado de indicar produtos de qualidade, porque o tutor não sabe diferenciar entre as opções do mercado”, adiciona.

Novo aliado. A médica-veterinária e coordenadora Técnica de Animais de Companhia da empresa, Karin Botteon, citou que, quando se pensa em doença cardíaca em cães, é interessante falar sobre a epidemiologia da doença e de como é essa população no Brasil. “Ela está envelhecendo. Hoje, temos 52 milhões de cães, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, Rio de Janeiro/RJ), e um estudo publicado em 2015 pelo Hospital Veterinário Sena Madureira (São Paulo/SP), mostrou que os cães dobraram a expectativa de vida. Na década de 80, saíram de 9 anos, para 18 anos, a partir de 2015. É interessante falar disso, pois a incidência de doenças cardíacas aumenta com o avanço da idade”, alerta.

Dessa forma, a coordenadora Técnica elevou a importância do diagnosticar da doença e da intervenção rápida a fim de tentar melhorar a qualidade de vida desses pacientes e aumentar a sobrevida e o tempo que possui com os tutores. “Existem diversas causas de doenças cardíacas em cães, as duas principais que, inclusive, são as indicações do Vetmedin, são as enfermidades das válvulas cardíacas, que dividem as quatro câmaras: os átrios (câmara superior) e os ventrículos (câmara inferior). Outro grupo de doenças muito importante são as do musculo cardíaco, as cardiomiopatias”, explica.

Segundo Karen, independente da doença que o animal possui no coração, a consequência será uma só: insuficiência cardíaca congestiva. “As enfermidades evoluem para um quadro de insuficiência em que o coração não dá mais conta de bombear sangue para o organismo e o animal, com o tempo, vai desenvolver sintomatologia clinica associada a essas doenças”, explanou.

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Coordenadora técnica revela que
medicamento estará disponível a partir
de janeiro de 2018 (Foto: C&G VF)

Identificando o problema. O veterinário é capaz, por meio do exame físico, detectar algumas alterações que o levam a pensar em doenças cardíacas, como comenta a profissional, porém, o tutor também pode notar alterações que podem sugerir que alguma coisa errada está acontecendo com o coração do pet. “Alguns sinais que podemos observar são: cansaço fácil, tosse, diminuição do apetite, dificuldade para respirar e desmaios”, enumera e afirma ser importante destacar que a doença cardíaca, no seu início, pode cursar silenciosa, sem sintomas e a Boehringer, com os estudos do Vetmedin, conseguiu mostrar que é possível intervir mesmo antes dos animais terem sintomatologia clínica. “Também buscamos incentivar o veterinário a fazer o diagnóstico precoce. O cão que está entrando na meia idade, com sete ou oito anos, já deve ser submetido a um check-up”, completa.

Apesar disso, Karen lembra que as doenças cardíacas em cães não têm cura. “Ainda assim, o Vetmedin é capaz de retardar a evolução da insuficiência cardíaca e oferecer mais conforto e qualidade de vida para o paciente cardiopata. Estamos caminhando devagar comparado à Medicina Humana, mas conseguimos melhorar a qualidade de vida com a intervenção correta, além de aumentar a expectativa de vida dos pacientes”, assegura.

Mais saúde. O Vetmedin chega ao mercado brasileiro no formato de comprimidos mastigáveis, o que Karen garante ser a opção mais prática e segura já que facilita a administração da dosagem. “É, também, mais palatável, auxiliando o trabalho dos médicos-veterinários e tutores”, diz. O princípio ativo do medicamento, como aponta a profissional, é o Pimobendan, inodilatador para uso exclusivo em animais, que promove a vasodilatação, que é o aumento do diâmetro dos vasos sanguíneos, possibilitando que o sangue seja bombeado com maior facilidade, e a capacidade de contração da musculatura cardíaca devido ao seu efeito inotrópico positivo.

Com o slogan “Mais coração, mais tempo e mais qualidade de vida", o lançamento visa facilitar o trabalho cardíaco, melhorar a sobrevida dos pacientes e aliviar os sintomas clínicos. O produto poderá, a partir de janeiro de 2018, ser adquirido sob prescrição do médico-veterinário e estará disponível em embalagens com 50 comprimidos de 5 mg e de 1,25 mg.

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Cardiopatias adquiridas em cães foi um dos
temas apresentados por Hélio Autran (Foto: C&G VF)

Conteúdo técnico. O encontro com os veterinários convidados também foi motivo para a empresa realizar o I Simpósio de Especialidades Boehringer Ingelheim, comandado pelo professor titular do Departamento de Ciências Clínicas da Universidade do Estado do Oregon (EUA), Hélio Autran. Ao longo do dia, o profissional falou sobre segredos do exame clínico em medicina cardiopulmonar, cardiopatias adquiridas em cães, citou os erros mais comuns em cardiopatias, entre outros assuntos.

Sua primeira apresentação foi bastante dinâmica com os convidados. Ele mostrou vídeos de casos onde os animais demonstravam ruídos e as pessoas deveriam descobrir o que cada paciente tinha, entre as opções ronco, crepitação, sibilo, tosse sonora, tosse discreta, entre outras situações. "Em gatos não dá para distinguir as tosses porque ele só tosse, de um modo bem peculiar, por esses motivos: bronquite, parasitas pulmonares, dirofilariose e pneumonia", enumerou.

Sobre as cardiopatias adquiridas em cães, Autran explicou que o estágio o A é quando o animal possui alto risco de desenvolver uma doença cardíaca, mas que está normal no momento. "Já o estágio B é quando o animal já tem doença cardíaca, mas não apresenta insuficiência. Esse estágio pode ser dividido em duas situações: B1 (sem evidência de remodelamento cardíaco) e B2 (com evidência de remodelamento e o animal já tem cardiomegalia)", discorreu. Ainda há, segundo ele, o estágio C, onde existe doença cardíaca estrutural e o pet tem ou já teve insuficiência cardíaca. "O estágio D é quando doença cardíaca se encontra em estado terminal e o animal não está respondendo a todas as terapias convencionais aplicadas", adicionou.

O profissional também falou sobre Doença Mitral Mixomatosa, enfermidade genética que ocorre mais frequentemente em machos. O estágio A não apresenta sinal clínico. No estágio B há sopro holossistólico ou PMI e irradiação, além da tosse. "No estágio C, além de sopro e tosse, o animal apresenta sinais de insuficiência cardíaca", contou. O desafio nesses pacientes é determinar se a doença é responsável pelos sinais clínicos, especialmente os sinais pulmonares, de acordo com Autran.

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