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Pastor Alemão e Dogo Argentino empatam no tema “displasia coxofemoral”

Raças, representantes de seleções rivais do Brasil, são as mais acometidas

Cláudia Guimarães, da redação

claudia@ciasullieditores.com.br

A displasia coxofemoral é uma doença que acomete cães de todas as raças, sendo mais frequente sua sintomatologia em pacientes de grande porte. Assim, cães que representam os países rivais históricos da Seleção Brasileira, dentro da Copa do Mundo, Argentina e Alemanha, apresentam maior predisposição. Estamos falando do Dogo Argentino e do Pastor Alemão.

Trata-se de uma doença congênita poligênica, segundo o médico-veterinário especialista em cirurgia de pequenos animais e sócio na OrtoDerm Especialidades Veterinárias (São Paulo/SP), Bruno Testoni Lins. “Ela resulta em uma instabilidade nas articulações coxofemorais e, consequentemente, desenvolvimento de artrose”, explica. Além da espécie representante da arquirrival e daquela que nos lembra o 7x1, cães Rottweiller, Border Collie, Golden Retrivier, Fila Brasileiro, Cane Corso, entre outros, também são apontados pelo profissional como os mais susceptíveis.

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Dogo Argentino também pode sofrer com ruptura
do ligamento cruzado cranial (Foto: reprodução)

O Dogo Argentino e o Pastor Alemão acometidos podem apresentar claudicação; menor disposição para exercícios, trabalho ou adestramento; agressividade; atrofia dos membros pélvicos. Após uma avaliação clínica e exame ortopédico detalhado, onde pode ser evidenciado um teste de Ortolani, Barden ou Barlow positivos, principalmente em pacientes jovens, ou redução da amplitude de movimento e aumento do desconforto a manipulação do quadril, devem ser realizada uma avaliação radiográfica, como menciona Lins.

“O exame radiográfico tradicional, de acordo com a metodologia OFA, realizado com o paciente sedado ou anestesiado, é fundamental para um perfeito posicionamento e, dessa forma, submissão do exame para avaliação por comissão do Colégio Brasileiro de Radiologia Veterinária, da Associação Brasileira de Radiologia Veterinária (ABRV, São Paulo/SP), ou Kennel Club (São Paulo/SP). É importante ressaltar que a confirmação do diagnóstico e atribuição do grau de displasia com essa avaliação está associada à possibilidade de falso negativo e só pode ser realizada após uma idade de 2 anos”, discorre. A avaliação pela metodologia Penn-Hip, desenvolvida na Universidade da Pensilvânia (EUA), como relatado pelo veterinário, objetiva a mensuração do grau de instabilidade articular de forma objetiva e uma estimativa da probabilidade de desenvolvimento da osteoartrose de forma precoce, a partir de 16 semanas de idade.

Como lidar? O profissional revela que existem, atualmente, diversas alternativas para o tratamento da displasia de quadril, desde o manejo conservador, com associação de medicamentos analgésicos e fisioterapia, até a indicação cirúrgica. “Os procedimentos cirúrgicos são divididos em duas classes: cirurgias profiláticas, como osteotomia dupla ou tripla de pelve e sinfisiodése púbica juvenil, ainda são pouco difundidas em nosso País e muitos veterinários e proprietários desconhecem”, cita. Essas técnicas, segundo Lins, podem ser excelentes alternativas para o tratamento de cães jovens, de forma a favorecer uma maior estabilidade do quadril e, consequentemente, excelente qualidade de vida. “No outro grupo de procedimentos cirúrgicos, existem as tradicionais ressecções da cabeça e colo femoral e desnervação, que podem constituir alternativa em alguns pacientes, porém associadas a alterações da biomecânica articular”, adiciona.

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Claudicação, menor disposição para exercícios,
agressividade e atrofia dos membros pélvicos
são alguns dos sintomas (Foto: reprodução)

Outras hipóteses. O Pastor Alemão e o Dogo Argentino podem, também, sofrer por outros problemas enumerados pelo profissional: ruptura do ligamento cruzado cranial, uma doença de caráter degenerativo que leva à instabilidade do joelho e deve ter indicação de tratamento cirúrgico, geralmente sendo indicada a técnica de TPLO. “Também, outras alterações como luxação patelar, síndrome da cauda equina, osteocondrose, entre outras, são frequentes nos cães de grande porte”, salienta.

Na visão de Lins, nos últimos anos, a ortopedia veterinária tem evoluído bastante e já pode contar com implantes de excelente qualidade para o procedimento de prótese total de quadril (artroplastia total), considerada a técnica cirúrgica padrão-ouro para restabelecimento da biomecânica articular e conforto do paciente, dessa forma, restabelecendo a plena qualidade de vida.

Curiosidades das raças. O Dogo Argentino, como descreve Lins, necessita de cuidados como exercício controlado, alimentação equilibrada e treinamento e, geralmente, é um cão de temperamento equilibrado e muito carinhosos com seus familiares. Já o Pastor Alemão deve ser um cão autoconfiante, fiel e versátil e, caso criado desde filhote em um ambiente familiar, será um cão inteligente, dócil e de fácil treinamento.

Saiba, também, as principais doenças que acometem os Cães da Copa do Mundo: Fila Brasileiro, Pastor Suíço  vira-latas da Costa Rica.

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