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Profissionais apontam importância de entender a microbiota animal

Fórum de Pet Food da Alltech reúne especialistas internacionais para debate

Luma Bonvino, de Indaiatuba (SP)

luma@ciasullieditores.com.br

A microbiota intestinal ainda é considerada uma “caixa preta” quando o tópico é nutrição e sanidade. “O assunto é de pouco conhecimento, bem como métodos de avaliação de microbiota (...) mas, quando falamos em saúde intestinal, indica associação com redução do pH, aumento da produção da AGCC, aumento de bactérias produtoras de ácido lático, redução de microrganismos com potencial patogênico e redução de fermentação de compostos nitrogenados”, inicia Ananda Felix, da Universidade Federal do Paraná, em “Associação de probióticos e fitobióticos na melhoria da saúde intestinal de cães”, que acrescenta:  “É importante entender a relação das variáveis de cada componente e analisar o que é benéfico ou não. Ao mesmo tempo em que temos substâncias extremamente tóxicas, algumas, em dosagens corretas, podem ser benéficas. Essa concepção da dieta pode modular toda a saúde intestinal”.

A palestrante, ao lado de outros nomes nacionais e internacionais, fez parte do Forum Pet Food da Alltech (Araucária/PR). Completando a quarta edição, o evento foi realizado em Indaiatuba (SP), na terça-feira (24), reunindo profissionais de marketing, processos, nutrição, pesquisa e desenvolvimento e demais integrantes de diferentes clusters de empresas.

Um dos enfoques do encontro foi a saúde gastrointestinal de pets. “Nesse contexto temos os prebióticos, que, recentemente, tiveram revisão em seu conceito. Hoje, é considerado um substrato que é seletivamente utilizado por microrganismos específicos do hospedeiro, conferindo benefícios à saúde. Não precisam ser fornecidos exclusivamente via oral e os efeitos sobre a saúde podem se estender a outras partes do organismo, não apenas ao TGI”, indica a professora, ampliando o conceito de saúde associado apenas aos prebióticos, mas também a outros componentes que podem se adequar com benefício aos estudos de microbiota. Nesse sentido, de ampliação de conhecimento, o Forum levou outros dois profissionais ligados ao tema.

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Evento promoveu o encontro de profissionais de marketing, processos, nutrição, pesquisa e desenvolvimento e demais setores da indústria de alimentos (Foto: C&G VF)

“Influência do DHA na saúde orgânica de gatos” foi o tema de Ricardo Vasconcellos, da Universidade Estadual de Maringá. “Temos a classificação dos ácidos graxos como fonte de energia, mas a concepção vai além, se preocupa com palatabilidade – especialmente alimentos secos, relacionado à qualidade da fonte de gordura – e constituinte de membrana. Depois disso, passam a atuar como precursores de mediadores inflamatórios. DHA ainda tem papel no sistema nervoso, no sentido estrutural”, discorre.

De acordo com o profissional, a funcionalidade do ômega 3 encontra várias situações, como por exemplo as doenças que levam a um processo inflamatório ou oxidativo, cujo ômega ajuda a modelar respostas. “O DHA pode ser usado como cardioprotetor, anti-inflamatório e protetor de retina, além de uma aplicação interessante na função cognitiva”, menciona Vasconcellos, acrescentando noções práticas como efeito anti-arrítmico, antitrombótico, preventivo sobre aterosclerose, hipolipidemico e anti-inflamatório. Na retina também efeitos reconhecidos, como fotossensibilidade e velocidade do transporte transmembrana, o que significa maior atividade enzimática, bem como maior atividade do sistema nervoso central.

A relevância dessas aplicações se dá porque doenças do trato intestinal são de etiologias múltiplas, com grande variedade de sintomas, graus diferentes de gravidade, que vão do desconforto à malignidade. “A microbiota é chave fundamental para estudo da saúde do TGI pet, afetada por vários fatores”, diz a pesquisadora brasileira e professora na Universidade de Illinois, Maria de Godoy. “O microbioma envolve estado fisiológico, genética, ambiente, patologias e dieta. Especificamente quanto as estratégias nutricionais, a literatura é limitada, com fibras dietéticas e prebióticos, probióticos e simbióticos, formatos (seco, úmido, crua). Além disso, os estudos são feitos com animais doentes. Essa é uma dificuldade, já que nosso objetivo não é somente tratar o animal enfermo, mas alongar a vida de animais com as doenças crônicas”, afirma a zootecnista no sentido em que pesquisas podem ser ampliadas para desvendar os “mistérios” da área.

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"O que tentamos unir é a parte técnica de uma nutrição diferenciada com emprego de novas tecnologias", conta Maurício Rocha (Foto: C&G VF)

“A Alltech vem auxiliando o aprimoramento da microbiota – e a falta de conhecimento – não somente com os produtos voltados para esse fim, mas também trazendo pessoas com esses conhecimentos. Com as pesquisas desses profissionais e com nossos produtos, queremos levar novas informações e somar dentro do universo de produção de ração nas empresas”, cita o gerente América Latina da Alltech, Maurício Rocha. “Soma-se a parte científica, novos desenvolvimentos e a parte técnica empregada dentro da indústria de alimentação animal”, resume, elencando as alternativas comentadas nas palestras, a exemplo de prebióticos, MOS, Yucca, extrato de leveduras, algas e ômega 3 como princípios ativos que fazem parte da linha de produtos da companhia.

Dando continuidade a essa imersão do conteúdo¸ o diretor Global de Gerenciamento de Micotoxinas, Nick Adams - Alltech UK, explicou sobre esse cenário e as principais influências na saúde de cães e gatos. “No que tange a gestão dos programas de micotoxinas a nível global, os animais de companhia vem sendo um desafio em gerar conteúdo, a pesquisa nesses seres não tem sido fácil”, justifica. 

Ele menciona, no entanto, os impactos observados pós contaminação nos cães e gatos. “Um exemplo é a queda na conversão alimentar, tendência de redução da taxa de crescimento e tendência de menor duração da alimentação e do número de visitas aos comedouros”, diz. De acordo com ele, os principais pontos são a recusa de alimento e, quando se tem potencial dano aos órgãos, a piora no desenvolvimento reprodutivo.

“Esse tipo de informação foi nosso objetivo desde o primeiro evento, há oito anos. No mercado, se tem conteúdo de todos os lados, mas nesse período se provou que a indústria tem interesse em informações diferentes as que está acostumada a obter no cenário brasileiro de eventos, com dicas de processos, redução de problemas, melhoramento do alimento final aos consumidores cães e gatos. Isso é o que trazemos, ao lado desses profissionais capacitados”, frisa Rocha.

De acordo com o profissional, o objetivo do encontro foi alcançado com sucesso. “O público ficou contente com o evento, absorveu e vai levar novas orientações para dentro de suas empresas e isso faz com que possamos crescer cada vez mais com o mercado”, encerra o executivo classificando o resultado como “extremamente positivo”.

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