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Profissionais defendem visita de pets a tutores enfermos em hospitais

Lei Municipal, que permite a interação, levanta pontos positivos sobre o tema

Cláudia Guimarães, da redação

claudia@ciasullieditores.com.br

Como seres com a capacidade de filtrar sentimentos, os animais estão próximos de seus tutores em momentos bons e, também, ruins. Diante de sorrisos, eles se entusiasmam, em situações de tristeza, eles parecem perceber e tentam captar as energias negativas. Quando o tutor está enfermo, então, nem mesmo os remédios trazem as reações benéficas que a companhia do pet causam.

A Lei Municipal do Estado de São Paulo nº 16.827 chega como um grande feito na vida de quem possui animais de estimação e passa por um momento de instabilidade na saúde: ela permite a visita de pets a pacientes de hospitais públicos da capital e foi publicada no Diário Oficial da cidade de São Paulo no dia 07 de fevereiro.

Sobre isso, a professora de Clínica Médica e Semiologia de Pequenos Animais, da Universidade Univeritas-UNG (Guarulhos/SP), Karina Delia Albuquerque, afirma que a visita hospitalar dos pets para seus tutores colabora de forma significativa para a melhora e recuperação, uma vez que o contato físico e o carinho dos animais contribuem para a produção de serotonina, hormônio da felicidade, que auxilia na recuperação clínica dos pacientes.

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Psicóloga afirma que interação com pets libera endorfina, que reduz o estresse
e aumenta a sensação de conforto e bem-estar (Foto: reprodução)

A psicóloga Clínica, Bianca Fumagalli, também lembra que a interação contribui para a liberação de endorfina, que é capaz de reduzir o estresse e aumentar a sensação de conforto e bem-estar. Ela declara que o ambiente hospitalar, a enfermidade e o próprio tratamento podem gerar desconforto e alguns impactos negativos para o paciente, como estresse e sintomas depressivos. “Sendo assim, a visita de pets/Terapia Assistida por Animais (TAA) pode contribuir para a redução desses impactos, já que auxiliam no reestabelecimento da autoestima e bem-estar, diminuição da ansiedade e sensação de solidão, entre outros, havendo, assim, um efeito positivo na condição emocional dos enfermos”, descreve.

Segundo Bianca, o estado psicológico é capaz de exercer influência no estado físico e vice-versa. “Considerando que mente e corpo têm direta relação, se um animal pode auxiliar na redução de estresse e ansiedade, por exemplo, pode-se compreender que a interação com animais pode produzir efeitos positivos no tratamento dos pacientes”, adiciona.

Karina
"Estudos científicos já comprovaram a eficácia das
visitas dos pets no ambiente hospitalar", cita
Karina Albuquerque (Foto: divulgação)

Visita cautelosa. Alguns cuidados, porém, devem ser tomados ao levar os animais ao hospital, como lembra a professora. “A necessidade deles estarem vacinados para a realização das visitas visa proteger os pacientes que estão imunossuprimidos de contraírem outra doenças, bem como, também, proteger os pets de contraírem enfermidades do ambiente hospitalar”, explica.

Apesar de serem conduzidos, previamente, a avaliações de temperamento e comportamento, como conta a docente, a inserção dos animais em locais estranhos ou contato físico inadequado pode fazer com que sintam-se desprotegidos. “Com isso, atitudes defensivas podem gerar lesões nos pacientes. Assim, o uso de enforcador e focinheira, obrigatórios pela Lei, tem a finalidade de proteger e conter os pets”, incrementa. Neste quesito, a psicóloga frisa que o comportamento negativo do animal pode interferir, também, de forma negativa na questão emocional do paciente. “Por isso, é importante a avaliação comportamental e de socialização dos animais”, completa.

Pensando nos efeitos positivos da interação com animais, Bianca acredita que esse tipo de visita seja benéfica aos pacientes e deva ser liberada em todas as casas de saúde. “Desde que os hospitais tenham a devida estrutura para realizar essa recepção, considerando que alguns pacientes podem apresentar certas restrições”, pondera.

A interação dos pets com seus tutores ou outros pacientes em ambiente hospitalar é comprovadamente eficaz no complemento de tratamentos médicos, de acordo com Karina. “Acredito que esse procedimento deva ser amplamente utilizado e difundido como método terapêutico, no auxílio ao tratamento medicamentoso”, defende.

Em nota, o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp, São Paulo/SP) apoia a Lei e defende a TAA, mais conhecida como pet terapia, como uma técnica cientificamente comprovada, que busca humanizar a assistência em saúde a partir do contato com animais, beneficiando a recuperação emocional e física dos pacientes. 

O Cremesp recomenda que todas as normas de vacinação e higienização dos animais, assim como a segurança dos pacientes, preconizadas na Lei, sejam seguidas com rigor, além de respeitar expressamente a autorização do médico responsável por cada paciente e a liberação da comissão de infectologia da instituição que receberá a TAA.

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