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Profissional aponta as principais tendências na Veterinária para este ano

Mais especialistas e equilíbrio entre trabalho e vida pessoal são citados

O Carnaval passou e, agora, 2018 começou de verdade. Em muitas áreas, há novas modas e novas tendências e o universo da Medicina Veterinária não é diferente. A médica-veterinária Elisabete Capitão aponta algumas coisas quais as áreas que vão estar em destaque e analisa o mercado interno e externo para tentar “adivinhar” o que vai estar em alta

Ela atesta que as expectativas dos tutores continuarão altas e crescentes, já que eles esperam dos veterinários um serviço disponível 24 horas por dia em todos os dias da semana, junto com tecnologia e técnicas médicas a preços competitivos, além de um serviço personalizado. “Quando conseguem tudo isso, falam de nós nas redes sociais, mas quando se sentem desapontados rapidamente postam feedback negativo”, ressalta. 

Para ela, os negócios veterinários com maior probabilidade de serem bem-sucedidos são aqueles que conseguem ir ao encontro às expectativas dos proprietários, tirando todas as vantagens destas novas oportunidades: presença forte na web, desenvolvimento de novas rotas de mercado para estes consumidores on-line, entre outros. 

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Planejamento e atitude proativa é uma das melhores
combinações para alcançar o sucesso (Foto: reprodução)

Esses negócios veterinários estão em fase de crescimento, na visão de Elisabete. “Há transformações muito significativas iniciadas nos EUA no que diz respeito à organização do mercado: as clínicas veterinárias estão a agrupar-se debaixo do chapéu de grandes corporações ou fundos de capital de risco. Atualmente, cerca de 30% das clínicas veterinárias no Reino Unido fazem parte de grandes grupos, espera-se que até ao final de 2018 cresça até aos 50% e imagina-se que, em cinco anos, se aproxime dos 70%", aponta. 

Aumento de veterinários especialistas também está nas estimativas da profissional, desde cirurgiões oncológicos, dermatologistas ou oftalmologistas. “Temos observado um aumento do número de profissionais que continuam a sua formação desenvolvendo a sua ‘expertise’ e obtendo qualificações para exercer em áreas de nicho. A integração destes colegas nas equipes de trabalho é todo um caminho novo a percorrer e quero acreditar que o mercado possibilite a casuística suficiente para que possam intensificar o seu know-how e distanciar-se daqueles que, até agora, apelidámos de ‘veterinário com área de interesse’”, explana. 

O uso da tecnologia no dia a dia tem crescido a uma velocidade alucinante, possibilitando, na visão de Elisabete, avanços no diagnóstico, na monitorização dos pacientes e na terapêutica. “Tentamos resistir, mas a telemedicina está tendo um impacto brutal na forma como nos relacionamos com os tutores dos animais, bem como conhecer profundamente o comportamento dos nossos consumidores e melhorar a eficiência dos nossos serviços”, destaca. 

Todas estas melhorias tecnológicas, a que os veterinários não conseguem resistir, como mencionado pela profissional, têm um preço e, inevitavelmente, o preço dos serviços terá de subir. “Em países em que cerca de 30% dos animais têm seguros de saúde já se pergunta como irão os outros 70%, que não têm. Esta pressão competitiva poderá nos levar a repensar a estratégia e oferecer uma medicina mais acessível. Por outro lado, as companhias de seguros ao vislumbrar esse panorama crescente, já o veem como insustentável. Pergunto-me: a qualidade dos serviços é indubitavelmente melhor, mas será acessível, mesmo para animais com seguro de saúde?”, questiona. Assim, a implementação de planos de saúde nas clínicas é um caminho que os profissionais adiaram por um ou outro motivo, mas que, de acordo com Elisabete, é uma ferramenta poderosa de fidelização e que aumenta a frequência de visitas. 

Melhor equilíbrio entre trabalho e vida pessoal também é um fator mencionado por ela. “Lembro que, quando comecei a trabalhar, era normal fazer os turnos noturnos e aos finais de semana que fossem necessários. Aliás, até gostávamos do conceito de ‘estar on call’, isso me fazia sentir importante. Hoje em dia, as equipes mais jovens já não entendem o conceito disso e pensam que ou estão no turno ou não estão. Com uma das taxas de suicídio mais altas, nossos funcionários começam a reconhecer a necessidade e importância do equilíbrio entre as horas de trabalho e o tempo disponível para a vida pessoal, exigindo horários mais justos e flexíveis que não comprometam o tempo de folga. Acredito que isso não faça deles preguiçosos ou narcisistas, mas, sim, pessoas com a capacidade de verbalizar aquilo que querem e acreditam”, opina. 

Segundo ela, a “velha veterinária”, como alguns dos veterinários conheceram, mudou. “Este novo mundo é excitante, incerto e complexo, mas cheio de possibilidades para trabalharmos naquilo que mais gostamos: ajudar animais e a quem vê neles a sua companhia ou família. Este ano é uma carta fechada, mas acredito que um bom balanço e algum planejamento do negócio, junto a uma atitude proativa, serão os ingredientes chave para o sucesso”, avalia.

Fonte: Veterinária Atual, adaptado pela equipe Cães&Gatos VET FOOD.

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