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Profissional elabora pesquisa pelo Whatsapp sobre qualidade de rações

Preço, rotulagem e humanização foram temas levantados em entrevistas

Cláudia Guimarães, da redação

claudia@ciasullieditores.com.br

A coordenadora de Fiscalização de Produtos para Alimentação Animal, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA - Brasília/DF), Fernanda Tucci, elaborou uma pesquisa por meio do Whatsapp a fim de conhecer as necessidades básicas dos tutores de pets. “Não se trata de uma pesquisa científica, não apresenta estatísticas, mas o resultado é interessante”, alerta.

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Transferência do hábito alimentar dos humanos para
os animais preocupa a profissional (Foto: reprodução)

De modo geral, ela conta que percebeu que o ponto positivo que as pessoas veem em rações industriais é a praticidade. “Como ponto negativo, muitos ficam com pena do animal estar ingerindo o mesmo alimento a vida inteira, com o mesmo sabor”, revela. O uso de corante, segundo ela, também foi bastante citado e os médicos-veterinários com quem conversei dizem que tem aversão a dietas coloridas, associam à menor qualidade do produto.

Durante a pesquisa, várias pessoas comentaram que conhecem o passo a passo das fábricas e consideram os alimentos muito processados, conforme explica a profissional. “Alguns dizem isso em relação à utilização de conservantes, enquanto palestrantes que abordam o tema ‘palatabilidade’ mostram que o processamento é o segredo do alimento ser melhor ou não”, constata. Fernanda garante que ninguém sabe sobre a composição do alimento que compra. “Apenas as pessoas que trabalham na área e uma nutricionista responderam a respeito da composição da dieta. A percepção do consumidor, realmente, não existe por conta da falta de informação”, atesta.

Em relação ao preço, todas as pessoas entrevistadas por Fernanda declaram ser razoável, já que cada um compra o que cabe no orçamento, adequando, assim, seus valores. “Sobre rotulagem, a maioria das pessoas comentou que traz muita informação e, com tantos produtos e marketing das marcas, ficam confusos no momento de comprar uma ração. Por isso, levam em consideração se o animal aceita bem o alimento oferecido”, salienta. A escolha de alimento, segundo ela, também tem muita relação com o estilo de vida da pessoa, quem quer oferecer uma dieta melhor para a família também quer habituar os animais a este tipo de alimentação.

Essa transferência do hábito alimentar dos humanos para os animais preocupa a profissional, já que, a todo momento, surge alguém falando que quer vender biscoito, comida, bolo, cerveja, café, vinho etc. “Isso é extremamente preocupante. Pessoas querendo mascarar caldo de carne sendo vendido como cerveja, por exemplo. São coisas críticas porque podem levar o consumidor a oferecer produtos que não são específicos para pets, como, seguindo o exemplo, cervejas de consumo humano”, contrasta.

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Há possibilidade de fazer dietas vegetarianas
para o animal, mas por pessoas especializadas,
de acordo com profissional (Foto: C&G VF)

Além disso, Fernanda comenta sobre a questão de dietas vegetarianas feitas, muitas vezes, por qualquer pessoa e não um profissional especialista em nutrição. “Daí a preocupação sobre que tipo de dieta vai ser oferecida aos animais. Há possibilidade de fazer dietas vegetarianas, mas por pessoas especializadas, já que devemos respeitar a fisiologia do animal”, pondera.

Outro consumidor que, muitas vezes, é deixado de lado, na visão de Fernanda, é o externo. “Hoje o Brasil possui acordo de certificados sanitários com mais de 40 países para exportar rações de animais de companhia. Isso significa que a ração produzida no País tem uma aceitação muito grande e, de certa forma, isso corresponde a uma qualidade da indústria brasileira, já que exportamos para mercados exigentes como Estados Unidos e Canadá”, assegura e comemora a boa percepção que a indústria para alimentos de pets possui fora do País.

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