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Profissional enumera as principais cardiopatias que acometem cães

Sobrepeso pode causar ou prejudicar o quadro cardíaco do paciente canino

Cláudia Guimarães, da redação

claudia@ciasullieditores.com.br

O cursar da vida de um animal de companhia pode envolver diversos contratempos, mas, quando ele atinge certa idade, alguns problemas de saúde indesejáveis, porém, inevitáveis começam a surgir e merecem, ainda mais, atenção. Com o envelhecimento, é comum que determinadas doenças do coração acometam esses animais.

O professor titular do Departamento de Ciências Clínicas da Universidade do Estado do Oregon (EUA), Hélio Autran, afirma que, entre as cardiopatias de maior destaque na cardiologia veterinária de animais sêniores, existem algumas que se destacam. Uma delas é a Insuficiência Cardíaca Congestiva, que se apresenta em diferentes níveis. “No estágio A, o animal possui alto risco de desenvolver uma doença cardíaca, mas está normal no momento. Já no estágio B o pet já possui doença cardíaca, mas não apresenta insuficiência. Esse estágio pode ser dividido em duas situações: B1 (sem evidência de remodelamento cardíaco) e B2 (com evidência de remodelamento e o animal já tem cardiomegalia)", discorre.

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Especialista explica todos os tipos de doenças e
estágios que acometem os cães (Foto: C&G VF)

Ainda há, segundo ele, o estágio C, onde existe doença cardíaca estrutural e o pet tem ou já teve insuficiência cardíaca. "O estágio D é quando a doença cardíaca se encontra em estado terminal e o animal não está respondendo a todas as terapias convencionais aplicadas. Ou seja, o paciente está refratário à terapia padrão", adiciona. 

Adquiridas. O profissional aborda, também, a Doença Mitral Mixomatosa e afirma que é a principal causa de insuficiência cardíaca em cães de pequeno porte. “Trata-se de uma doença degenerativa, progressiva e de etiologia incerta. Porém, há maior incidência em raças específicas e em cães de pequeno porte, ocorrendo, ocasionalmente, em raças grandes. Nessas, tende a progredir um pouco mais devagar”, detalha. A enfermidade é mais comum em machos e ocorre por conta do desgaste das válvulas do coração à medida em que o animal envelhece. “Raças como Poodle, Maltês, Yorkshire Terrier, Chihuahua, entre outros, são os mais afetados”, enumera.

Há, também, as doenças do próprio músculo cardíaco, chamadas de Miocardiopatias, que costumam aparecer em cães grandes, como é o caso do São Bernardo, do  e do Boxer. “Essas enfermidades surgem com o envelhecimento, de forma lenta e progressiva, propiciada por uma condição no músculo do coração que afeta o batimento”, explica. Segundo ele, as causas podem ser primárias, em geral, desconhecidas ou idiopáticas, ou secundárias a outras doenças sistêmicas ou metabólicas. “Costumam ser provocadas por problemas endócrinos, nutricionais, tóxicos por infecções ou tumores”, menciona.

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É fundamental oferecer uma dieta equilibrada
ao paciente cardiopata (Foto: reprodução)

Zoonose. Afetando principalmente os cães, mas que também acomete outros pets, a Dirofilariose também é citada por Autran por estar na lista das principais cardiopatias e que, ocasionalmente, também pode atingir o homem. “A infecção provoca uma doença chamada filária adulta, um parasita redondo e alongado que se encontra no coração e nas artérias pulmonares de seus hóspedes. Além disso, ele pode chegar a 15 centímetros de tamanho, no caso dos machos, e até 40 centímetros, no caso das fêmeas”, reitera. A doença também é conhecida como verme do coração.

O profissional relata que a dirofilariose se propagou por todo mundo, mas ainda é mais comum em zonas temperadas e úmidas, já que são os locais em que os mosquitos que a transmitem vivem. Autran também faz um alerta: “É preciso ter sempre em mente que um dos principais fatores de risco para que o animal sofra por algum tipo de cardiopatia é o sobrepeso. Se, além disso, o pet registrar altos níveis de colesterol e de glicose, sofrer de pressão arterial elevada, o quadro complica-se ainda mais”, salienta. Por isso, uma dieta equilibrada e uma boa dose de exercício são elementos considerados fundamentais por Autran, a fim de prevenir problemas de coração em cães.

Antes do nascimento. Além das cardiopatias adquiridas ao longo da vida, alguns cães podem apresentar cardiopatia congênita, que, segundo Autran, nada mais é que defeitos com os quais o animal já nasce e que são detectados, na maioria das vezes, antes do primeiro ano de vida. “São más-formações cardiovasculares provocadas por uma anomalia no  e que tendem a desenvolver uma insuficiência cardíaca congestiva de evolução muito rápida”, destaca.

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