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Realidade da leishmaniose visceral é debatida em evento do Brasileish

Encontro reuniu profissionais da saúde, veterinários e estudantes

Cláudia Guimarães, da redação

claudia@ciasullieditores.com.br

“Tudo que vive quer viver”, já diria Machado de Assis. Com essa frase em mente, o Grupo Brasileiro de Estudos Sobre Leishmaniose Animal (Brasileish, Belo Horizonte/MG) realizou, durante os dias 04 e 05 de novembro, o XVIII Simpósio Internacional de Leishmaniose Visceral Canina, no Auditório da PUC Minas, em Belo Horizonte (MG).

Em cerimônia de abertura, o médico-veterinário membro fundador do Brasileish, Vitor Marcio Ribeiro, contou que o grupo teve início em 1996, quando a leishmaniose urbanizou e começou a assustar os veterinários do município, por conta da única recomendação passada, na época: a eutanásia dos animais infectados. “Começou uma grande série de conversas, discussões, pesquisas e, nesses 18 anos, trazemos uma novidade e um retrato do momento que estamos vivendo em cada evento”, declara. Neste ano, a inovação é o fato de o Brasil dar as mãos ao conceito de Saúde Única. “O País começa a privilegiar a vida dentro do contexto de todas as espécies envolvidas, incluindo o animal acometido”, comemorou.

O primeiro momento do encontro também contou com a participação de profissionais envolvidos ao tema. O presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de Minas Gerais (CRMV-MG, Belo Horizonte/MG), Nivaldo da Silva, destacou que, embora a mesa de convidados tenha sido formada por membros homens, a presença da mulher é forte dentro do movimento de prevenção e estudos sobre a leishmaniose. Ele ainda ressaltou que a nova visão vinda do Ministério da Saúde (Brasília/DF) sobre a doença irá trazer um engrandecimento ainda maior para esse movimento. “Com a presença desses profissionais, o evento traz novos horizontes e uma visão mais profunda do nosso grande problema social que é a leishmaniose visceral canina”, mencionou.

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Cerca de 230 veterinários e estudantes compareceram
nos dois dias de evento (Foto: C&G VF)

O presidente do Brasileish, Fábio Nogueira, também comentou sobre o sabor mais especial dessa edição do simpósio: “Celebramos, pela primeira vez, um evento após a liberação oficial do tratamento de animais com leishmaniose”. O profissional ainda aproveitou o momento para realizar uma homenagem a uma pessoa que lutou para o debate sobre a enfermidade chegar onde está hoje. “Há algumas pessoas que despertam algo especial em nós e ele é uma delas. Quantos ensinamentos ele me passou durante quase 19 anos de luta. Ele sempre diz ‘melhor pesquisar para a vida do que trabalhar e insistir com a morte’ e, ainda, ‘mesmo que a eutanásia fosse a solução, não seria ético’. Estou falando de Vitor Marcio Ribeiro”, revelou e entregou a Ribeiro uma placa de reconhecimento pelos trabalhos realizados. “Agradeço a vida por me conduzir nessa direção e por encontrar pessoas boas no caminho”, respondeu o homenageado.

Após a entrega, o vice-presidente da Associação Nacional de Clínicos Veterinários de Pequenos Animais do Estado de Minas Gerais (Anclivepa-MG, Belo Horizonte/MG), Aldair Junio Woyames Pinto, atestou que a Associação está à disposição dos veterinários e só consegue resolver os problemas quando trabalha em conjunto para alcançar bons resultados nessa caminhada. O representante do Ministério da Saúde, Francisco Edilson Ferreira de Lima Júnior, também reforçou o trabalho a várias mãos para minimizar o problema da zoonose, grave tanto para a saúde veterinária quanto humana. “Uma doença que pode acometer 60% da população canina de um bairro, como acontece em algumas localidades, não pode ser negligenciada”, opinou.

A mesa também contou com a participação de um representante do LeishVet, grupo de veterinários da Europa que tenta contribuir com a uniformização e conhecimento da doença no continente. O participante foi Luis Cardoso, que veio de Portugal e agradeceu a oportunidade de participar do evento. Ele ainda parabenizou os temas escolhidos para as palestras da programação.

Panorama. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS, Suíça), os países que apresentam maior ocorrência de casos de leishmaniose humana, somando 90% dos casos, são: Sudão, Etiópia, Índia, Nepal, Bangladesh e Brasil. Porém, como comentado por Francisco Edilson Ferreira de Lima Júnior, apenas o Brasil tem o ciclo zoonótico. “Por isso a discussão de controle é muito mais frisado por aqui, porque há necessidade de discutir de forma mais incisiva”, expôs.

Em 2017, já estão registrados casos da enfermidade em humanos em 23 dos 27 Estados brasileiros, sendo que 66% ocorre no sexo masculino e a grande proporção dos casos acontece no Nordeste. Ainda, 40% das ocorrências é em crianças. Segundo Lima Júnior, a letalidade em 2016 foi de 7,8% e ela pode estar subestimada.

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Seresto, marca apoiadora do evento,
protege cães e gatos contra leishmaniose, pulgas e
carrapatos por até oito meses (Foto: C&G VF)

Ele ainda revela mais alguns dados: de 3200 casos de leishmaniose, 2200 precisam internações, sendo que a média de permanência no hospital é de 13 dias. “Outro fator preocupante é que cerca de 10% dos acometidos pela doença também estão infectados pelo vírus do HIV. Isso nos preocupa, tendo em vista que é uma doença muito mais delicada nesses pacientes e que acaba apresentando letalidade maior”, apontou.

Unindo forças. A marca Seresto, da Saúde Animal da Bayer (São Paulo/SP), foi uma das apoiadoras do evento. Os congressistas puderam sanar dúvidas, no estande da empresa, sobre a coleira que protege cães e gatos contra leishmaniose, pulgas e carrapatos por até oito meses. No espaço da Bayer, ainda foi possível retirar folhetos com conteúdo técnico sobre a doença e seus métodos de prevenção. Além disso, a equipe Seresto realizou ações interativas com os participantes, que concorreram a brindes como caixa de transporte e coleiras repelentes.

O evento do Brasileish foi importante para o patrocinador Seresto, pois, de acordo com a gerente do Produto, Ana Letícia Gulin, a marca, atualmente, é a de maior foco da área de saúde animal da Bayer. "Temos a indicação para prevenção de leishmaniose por até oito meses e podemos proteger os animais, desde filhotes, a partir de 7 semanas para cães e 10 semanas para gatos. Ainda, somos os únicos com indicação para prevenção de leishmaniose em felinos no mundo", destacou.

De acordo com a consultora Técnica de Animais de Companhia, Bárbara Duarte, a participação do evento é essencial por conta da presença de especialistas e profissionais veterinários preocupados em cuidar da prevenção da doença. "É uma ótima oportunidade para a atualização do público técnico sobre o tema e, também, para conhecimento dos diferencias dos nossos produtos", acrescentou. Além da consultora técnica, o estande da Bayer contou com a presença de Marília Andrade e Renato Costa, representantes dos Estados DF/GO e MG/ES, respectivamente, e da gerente Regional da área, Fernanda Frantz, além de representantes do distribuidor local.

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