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Relação humano x animais: gerações futuras podem ter ações diferentes

Produção, testes e modificações genéticas ainda geram amplos debates éticos

“O aspecto largado e a expressão triste pareciam remeter à dor de quem havia sido separada do filho ainda pequeno”. Essa é a referência de quem viu Sandra confinada. Nascida na Alemanha, ela já havia passado 20 anos atrás das “grades” na Argentina. O animal estava no zoológico de Buenos Aires, quando a justiça argentina acatou o pedido feito pela Afada, uma ONG de direitos dos animais, que solicitava sua soltura.

O habeas corpus para um orangotango pode parecer nada convencional, mas a premissa sobre esse fato pode permear sua mente diversas vezes quando pensa sobre a rotina de muitos animais expostos à produção, testes e modificações genéticas.

A discussão é ampla e possui lados: há quem defenda a necessidade de se manter essas práticas para a evolução e há quem pontue que isso já não é mais necessário. O ponto é: como as gerações futuras enxergarão a forma como os animais são tratados atualmente?

Ao que tudo indica, estamos correndo o risco de passar vergonha diante das gerações futuras. “Lembra aquela época atrasada em que era aceitável escravizar e torturar outros seres vivos?”, dirão nossos tataranetos.

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Alternativas tecnológicas podem substituir o uso de
animais em testes e, até, na alimentação (Foto: reprodução)

A exposição ao risco. Mais de 2.500 estudos científicos já mostraram que os animais são seres tão complexos quanto nós – ainda que não sejamos idênticos. O tratamento dado a eles, muitas vezes, mantém esse senso de igualdade interespécies aquém do ideal.

Muitos pets são cruzados entre si para gerar raças que, por vezes, possuem graves problemas genéticos apenas por questões estéticas e, assim, são considerados como membros da família. Nos EUA, 36% compram presentes de aniversário para seus pets.

As diferenças entre as castas animais também preocupa. Entretanto, não dá para imaginar o que aconteceria se soltássemos o bilhão de vacas e o 1,2 bilhão de ovelhas que criamos atualmente.

O primeiro projeto de lei em defesa animal, escrito na Inglaterra no século 19, por exemplo, que proibia brigas entre cães e touros, foi derrotado no Parlamento e virou piada nos jornais. Outro, em defesa dos burros, gerou gargalhadas – mesma reação de muitos hoje quando ouvem falar de habeas corpus para orangotangos.

É possível mudar? Parte da indústria trabalha para que sim. O primeiro hambúrguer de laboratório, desenvolvido em 2013, custou proibitivos US$ 300 mil. Hoje, companhias como a Memphis Meats, dos EUA, já conseguem produzir por US$ 1.000. Ou seja: se os custos continuarem caindo, em uma ou duas gerações a ideia de criar animais para ter bifes no prato estará relegada ao passado.

As alternativas atuais para reduzir os impactos são as já conhecidas: comer menos carne, comprar ovos de galinhas que podem, pelo menos, ciscar na terra, não comprar animais de raças puramente estéticas. Além de evitar produtos desenvolvidos em experimento.

Fonte: SuperInteressante, adaptado pela equipe Cães&Gatos.

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