Assine

Saúde de Pastor Suíço pode levar cartão vermelho por mutação de gene

Diagnóstico é fundamental para evitar medicamentos tóxicos a esses animais

Cláudia Guimarães, da redação

claudia@ciasullieditores.com.br

Dando continuidade à série de reportagens inspirada na Copa do Mundo de 2018 e aproveitando que o adversário do Brasil, no jogo de hoje (17), é a Suíça, a C&G VF convidou um médico-veterinário para falar de uma problemática que acomete, com bastante frequência, a raça Pastor Branco Suíço (PBS): a mutação no gene MDR1.

Miguel Bonachi Roca Junior explica que o gene MDR1 ou ABCB1 está localizado no cromossomo 14 em canídeos e é responsável pela codificação da Glicoproteína P (Pgp), que, por sua vez, é responsável pelo transporte de inúmeras substâncias químicas presentes em diversos tipos de medicamentos diferentes para órgãos e tecidos importantes, como fígado, rins, placenta e barreira hematoencefálica (no cérebro). “Essa Glicoproteína P age limitando a absorção dessas substâncias e ajudando na excreção das mesmas. Os Pastores Brancos Suíços fazem parte das raças de cães que são potencialmente portadores dessa mutação genética”, informa.

Nos animais que nascem com esse gene mutante, Roca Junior explana que ele não codifica ou codifica fracamente a Glicoproteína P, fazendo com que não ocorra a limitação na absorção e, por sua vez, também dificulte ou não ocorra a excreção dessa substância que irá se acumular no cérebro, mais precisamente no sistema nervoso central. “Também pode acumular em testículos e nos fetos e os sinais clínicos podem ser mais ou menos graves, variando de tontura, náusea, apatia e salivação até sinais mais agudos e graves, como convulsões, midríase, cegueira, coma e morte”, lista.

pastorbranco
Raça é destemida e confiante, reservada
com estranhos, de fácil adaptação com
outros animais (Foto: divulgação)

Os veterinários que tratam pacientes com tendência a essa mutação devem ter atenção em relação aos medicamentos permitidos, já que chegam a ser tóxicos a alguns cães. O profissional aponta que, as drogas de risco extremo são: Ivermectina, Doramectina e Metoclopramida (plasil). Os de risco potencial são Eritromicina, Spiramicina, Enrofloxacina, Domperidona, Milbemicina, Moxidectina e Selamectina. “Já os de baixo risco, desde que se utilizem doses baixas e por pouco tempo, são Doxiciclina, Metronidazol, Digoxina, Ciclosporina, Dexametazona, Cimetidina, Ranitidina, Ondansetrona, Itraconazol, Vincristina e Vimblastina. Essa é uma lista reduzida dos principais fármacos de uso rotineiro que devemos ter em mãos ao tratar animais como Border Collie, Collie, Sheepdog, Pastor Australiano, Pastor de Sheetland, Pastor Alemão e PBS”, destaca.

É importante, de acordo com Roca Junior, diagnosticar o problema, por conta dessa gama de substâncias com potencial risco, que proporcionam sintomas severos. “O ponto negativo é que as substâncias, em sua maioria, fazem parte da rotina clínica”, sinaliza.

Para a realização do diagnóstico, é preciso ter uma amostra de sangue venoso (2 ml em tubo com EDTA) ou swab de mucosa oral (uso de escova cervical, que deve ser enviada dentro de tubos ou potes estéreis), como explana o veterinário. “O teste é genético ou de genotipagem, realizado com o sangue e/ou material de mucosa. A genotipagem é importante, não apenas para estabelecer protocolos terapêuticos seguros (por meio da substituição de drogas ou o uso de doses inferiores, por exemplo), mas, também, na investigação de históricos de intoxicação, tanto em cães de raças predispostas, como naqueles sem raça definida, que também podem ser portadores do problema”, discorre.

Características. O PBS é um cão harmonioso e de boas proporções, ligeiramente, mais longo do que alto, muito elegante de porte e movimentos. “É por excelência um cão de guarda”. Essas são as palavras da proprietária do Canil Swiss Blanc, especializado na raça, Marlene Esteve. Ela conta que trata-se de uma raça destemida e confiante, reservada com estranhos, de fácil adaptação com outros animais e crianças e extremamente dócil. “O PBS é um cão de fácil adestramento e os machos possuem de 63 a 70cm, com 30 a 40kg e as fêmeas alcançam de 58 a 63cm e seu peso varia entre 25 a 35kg”, descreve.

A procura pela raça tem aumentado a cada ano, de acordo com Marlene. “Por isso, o Canil Swiss Blanc tem o objetivo de uma criação consciente e responsável, assim como o desejo de aprimorar a raça no Brasil”, finaliza.

Leia, também, sobre a doença que mais acomete a raça Fila Brasileiro: torção gástrica. Clique aqui.

Seja o primeiro a comentar
Seu comentário foi enviado. Aguarde aprovação.
Erro ao enviar o comentário. Por favor, preencha o captcha e tente novamente.