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Sabujo Sérvio e demais farejadores atuam na defensiva contra otites

Profissional declara que é fundamental diagnóstico e tratamento adequados

Cláudia Guimarães, da redação

claudia@ciasullieditores.com.br

A otite externa em cães é a inflamação do conduto auditivo que pode resultar de várias causas, sendo a otite média caracterizada pela inflamação da bula timpânica. Em alguns casos crônicos, geralmente, mais de uma causa está presente, sendo uma das principais afecções que acometem animais de pequeno porte.

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Dependendo do grau da otite, é necessário tratamento
sistêmico, com antibióticos, analgésicos e
anti-inflamatórios por via oral (Foto: reprodução)

Cães farejadores são bastante acometidos, como Sabujo Sérvio, representante do País que enfrenta o Brasil hoje (27), na Copa do Mundo, o Basset Hound e o Beagle, mas, também, Cocker Spaniel, Cavalier King Charles Spaniel e Golden Retriever são raças bastante predispostas às otites, de acordo com a médica-veterinária e coordenadora do Hospital Veterinário Paes de Barros (São Paulo/SP), Patrícia Moraes. “Isto se deve ao formato pendular das orelhas destas raças, propiciando ambiente quente e úmido, o que favorece o crescimento de microorganismos”, explica.

Portanto, dentre as principais causas de otite, é possível citar parasitas, alergias, doenças endócrinas, tumores e distúrbios de queratinização. “É importante lembrar que a água do banho é um adicional às complicações das otites, já que os fatores perpetuantes deste quadro, como os fungos e bactérias, proliferam-se favoravelmente em condições de umidade, dando origem às otites fúngicas e bacterianas. Dentre os fungos, as leveduras são os agentes mais comuns presentes nas secreções de otites caninas”, revela.

Os principais sintomas deste quadro, como descreve Patrícia, são: prurido auricular e meneios cefálicos (sacudidas de cabeça) evoluindo para presença de odor fétido e secreção ótica, com a piora do quadro. “Durante o exame físico pelo veterinário, é possível observar vermelhidão, pavilhão auricular edemaciado, presença de crostas, secreção, mau cheiro e dor à manipulação da orelha”, destaca.

Como diagnosticar? O diagnóstico deste quadro clínico, segundo a veterinária, é baseado de acordo com o histórico do paciente, exame físico, incluindo a otoscopia, e alguns exames complementares.

Ao exame otoscópico, Patrícia conta que é possível observar as características do conduto auditivo para verificar presença, quantidade e tipo de secreção otológica, grau de edema, eritema, presença de formações ou qualquer sinal clínico condizente com otite e que justifique a realização de outras investigações. “A citologia de cerúmen e o parasitológico de cerúmen são exames fundamentais para verificar a presença de ácaros (parasitas), fungos e bactérias e mensurar a quantidade destes agentes, determinando o grau da otite. Algumas otites bacterianas sugerem a realização de cultura e antibiograma para definição do tipo de bactéria e escolha do antibiótico adequado”, aponta.

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Raças com orelhas pendulares têm maior
umidade e, por isso, podem desenvolver
mais otites (Foto: reprodução)

Terapêutica. Patrícia garante que o sucesso do tratamento da otite canina depende da identificação e controle das doenças primárias, do diagnóstico dos agentes presentes e, ainda, da cooperação do tutor para tratar de forma adequada, pois, muitas vezes, exige-se um período de 10 a 60 dias para resolução completa do quadro clínico e alta do paciente. “A realização dos exames complementares é muito importante para o tratamento de sucesso das otites caninas”, adiciona.

Vale lembrar, também, que, dependendo do grau da otite, é necessário tratamento sistêmico, com antibióticos, analgésicos e anti-inflamatórios por via oral, além logicamente do tratamento tópico. “Isso inclui limpeza e aplicação do produto com o princípio ativo adequado à otite diagnosticada”, aponta.

Em algumas otites crônicas o tratamento é mais complicado, como lembra a profissional, devido à dificuldade da medicação atingir o canal auditivo adequadamente. “Nestes casos, muitas vezes, há certo grau de estenose (estreitamento) do conduto auditivo, podendo evoluir para uma indicação cirúrgica para resolução do problema”, salienta.

O ideal, segundo Patrícia, é tratar com dedicação e paciência durante o período de tratamento para que ocorra a completa remissão do quadro e iniciar as formas de prevenção. “O veterinário é o profissional que deve orientar o tutor em relação à higienização das orelhas semanalmente e em como proteger o conduto auditivo durante o banho”, reforça e separa algumas dicas:

Escolha uma solução otológica de uso veterinário e aplique com auxílio de algodão branco seco, evitando uso de cotonetes ou pinças, que podem causar dano na região da bula timpânica que é mais profunda;

Proteja o conduto auditivo com algodão hidrófobo no momento do banho, que é facilmente encontrado em casas de material cirúrgico. O algodão branco, também chamado hidrófilo, geralmente molha durante o banho, deixando absorver água na porção interna do canal auditivo.

Evite fazer depilação interna dos condutos auditivos dos cães, pois pode gerar um processo inflamatório que desencadeia a otite. A presença de pelos funciona como proteção contra bactérias e corpos estranhos.

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