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Sexta-feira 13: Ficar atento à adoção de gatos pretos é essencial

Grande procura neste período pode estar relacionada ao misticismo

Wellington Torres, da redação

wellington@ciasullieditores.com.br 

Popularmente conhecido como um dia de azar, a sexta-feira 13 é uma data reconhecida por misticismos e estigmas que, tristemente, afetam um grupo de animais de companhia: os gatos pretos. No período em que antecede a sua chegada, centros e instituições de cuidados aos animais pedem atenção para casos de maus-tratos, que podem chegar, até mesmo, a sacrifícios destes felinos.

Segundo a gerente de Comunicação e Marketing Digital da AMPARA Animal, Amanda Salim, essa infeliz situação é resquício de um período histórico da humanidade, especificamente ocorrido na Europa medieval, durante o que foi chamado de caça às bruxas. “São crenças onde o gato preto sempre esteve relacionado às trevas e, até mesmo, ao demônio”, afirmou, complementando que instituições e ícones religiosos também defendiam que mulheres que praticavam atos que eram chamados de bruxaria se transformavam nos felinos.

Com este contexto que reverbera até então, claro que, de maneira menos lúdica, Amanda ressalta sobras deste problema, principalmente a dificuldade em arrumar novos lares para esses animais. “Os gatos pretos se acumulam nos abrigos, eles são os que mais demoram para encontrar um lar, isso é fato e posso afirmar com 100% de certeza: eles são os últimos a serem adotados”, explicou.

De acordo com ela, muita gente ainda acha que gato preto dá azar e com a reafirmação deste tipo de comentário, seja pela mídia ou pelo "boca a boca", pessoas seguem com medo, mas ela declara que "independente da cor da pelagem, eles são animais maravilhosos, nós precisamos modernizar a nossa forma de pensar, falar que não existe nada disso. É extremamente necessário educar as pessoas". Para ela, essa desconstrução só será devidamente realizada com o apoio da educação e veiculação de  informações corretas, assim, proporcionando um futuro a esses animais.

Perante à edução, Amanda é enfática ao dizer que as crianças precisam ser o público-alvo. "Elas são como esponjas, absorvem informações e as disseminam muito facilmente. Então uma criança que escuta dentro de casa que o gato preto é legal, que é bacana ter gato amarelo, preto, branco, rajado, de qualquer cor, vai chegar na escola e contará isso para os colegas e isso vai se espalhando, como sementes do bem", explicou.

No entanto, como para reeducar toda uma população demanda muito tempo, para impedir situações de maus-tratos, a gerente de Marketing da AMPARA afirma que a Associação não recomenda que sejam feitas doações nas proximidades às sextas-feiras 13 e Dia das Bruxas. “Entendemos que, infelizmente, os gatos pretos, muitas vezes, são utilizados em rituais de sacrifício e as pessoas ainda os relacionam a uma série de misticismos e, se ocorre uma grande procura neste período, não pode ser coincidência”, declarou.

Segundo ela, se for de real interesse do possível tutor, o mesmo terá de esperar para que seja iniciado o processo de triagem e, posteriormente, a adoção.

Ao ser questionada sobre a importância em se dabater o assunto, Amanda deixa claro que o bem-estar animal, qualquer que seja, é uma responsabilidade de todos. "Os animais não possuem voz, nós somos as vozes deles, então temos que estar aqui representando cada cada felino injustiçado, abandonado, rejeitado, ainda mais por algo relacionado à superstição. Já passou da hora de falarmos mais sobre isso, de debater, porque o bem-estar animal é uma responsabilidade da sociedade, de todos nós", afirmou. 

Com isso, caso presencie qualquer caso de maus-tratos, denuncie.

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