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Sono pode atrapalhar a mente e o corpo de veterinários plantonistas

Emocional, humor e imunidade são fatores afetados por noites mal dormidas

Cláudia Guimarães, da redação

claudia@ciasullieditores.com.br

Além da alimentação, o que mais pode ser prejudicado com a rotina agitada de um médico-veterinário? Nós te respondemos: o sono! E, sobre ele, o pesquisador e um dos maiores especialistas em sono do mundo, Daniel Gartenberg, fez uma nova descoberta: oito horas não são suficientes para nós, humanos. A nova informação aponta oito horas e meia. Será que faz a diferença? Quem sabe!? Mas priorizar o sono é uma diferença e tanto na vida dos veterinários.

De acordo com a psicóloga, sócia e Diretora da Carevolution Consultoria Saúde e Bem-Estar (São Paulo/SP), Sharon Sarah Sachs Feder, o sono é fundamental para o bom funcionamento, tanto mental quanto fisiológico. “Hoje em dia, a maioria das pessoas dorme entre 4 e 5 horas. Elas acreditam que existe um processo compensatório no sono, em que você pode dormir menos uma noite e compensar na próxima. Isto é um mito, pois não é possível resgatar noites não dormidas e as consequências para o corpo e a mente são sentidas no dia seguinte”, explana e, por isso, orienta os profissionais a reservarem um tempo para conseguir dormir de, pelo menos, 7 horas diárias.

Caso o veterinário perca muitas madrugadas de sono a longo prazo, acumulando horas de noites não dormidas, podem sofrer com consequências mais graves para a saúde, como explica Sharon: “Tais como metabolismo lento, maiores chances para problemas de saúde mental (depressão, ansiedade, etc), ganho de peso e problemas de pele”, enumera.

Qualidade de vida. O sono, segundo Sharon, é fundamental para o bem-estar das pessoas. Juntamente com atividade física e alimentação, ele é um dos principais pilares de cuidados com a saúde. “Auxilia em diversos processos essenciais para nosso bom funcionamento cognitivo, físico e emocional. O sono ainda influencia nosso humor, nossa performance, nossos relacionamentos, nossa alimentação e nossa disposição”, elenca.

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Muitas noites mal dormidas, a longo prazo, pode resultar em um metabolismo lento e
maiores chances para problemas de saúde mental (Foto: reprodução)

O que se pode fazer para melhorar o sono de quem trabalha em plantões é manter um ritmo regular de oito horas de descanso, recorrendo a chás que auxiliam a acalmar, quando é preciso dormir, e ponderar a possibilidade de tomar um suplemento chamado Melatonina, que não induz, mas melhora a qualidade do sono, conforme explica a psicóloga. “Além disso, é muito importante se alimentar de forma saudável e praticar atividade física de forma regular. Estes hábitos auxiliam com o gerenciamento do cansaço e aumento da disposição”, garante.

Ainda segundo Sharon, o ideal seria trabalhar em até dois plantões por semana, sendo o restante dos dias dedicados à manutenção de uma rotina de sono, já que a falta dele pode prejudicar de diversas formas, tais como enumera a profissional: “Afeta a mente, já que dormir pouco tem relação com uma variedade de transtornos mentais, tais como depressão e ansiedade; humor, pois as relações no trabalho com colegas e com os próprios animais podem ficar desgastadas devido ao mau humor causado pela falta de sono; riscos de acidente e erros, já que dormir pouco interfere a capacidade de atenção e concentração, logo, aumentando os as possibilidades de imprevistos; menor capacidade física, porque o cansaço diminui o rendimento e o corpo precisa de um mínimo de horas de descanso; imunidade baixa, pois há maiores riscos de contrair doenças”.

Equilíbrio é a chave de tudo. É possível ser sociável e, ao mesmo tempo, praticar atividades relaxantes, como explana a especialista. “Um exemplo seria meditar, praticar yoga e/ou mindfulness. Estas atividades, geralmente, são coletivas e, ao mesmo tempo, promovem o relaxamento. É possível, também, dedicar alguns dias para o descanso e outros para atividades sociais. A organização e o planejamento auxiliam na manutenção de uma vida ativa e, ainda, com momentos para o descanso. É essencial que o profissional respeite seu corpo e mente e saiba quando é hora para descansar para que não prejudique sua saúde”, destaca.

Portanto, aos estudantes que se tornarão médicos-veterinários em breve, o fator sono e cansaço não pode ser algo que os desestimule em relação à Medicina Veterinária, como reforça Sharon: “Toda profissão tem seus pontos delicados e a questão da falta de sono pode afetar a motivação dos recém-formados. Porém, é possível encontrar uma rotina equilibrada em que, na maioria dos dias, os profissionais consigam se engajar em atividade saudáveis. O importante é que a atuação profissional esteja alinhada com o propósito de vida do profissional e com seus valores. Desta forma, os aspectos ‘negativos’ não irão pesar tanto”, considera.

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