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Veteranos aconselham calouros a ‘como atingir bom desempenho’

Curso de Medicina Veterinária reserva boas experiências a novos alunos

Cláudia Guimarães, da redação

claudia@ciasullieditores.com.br

Muitas pessoas têm medo do desconhecido. Aquilo que é novo em suas vidas e não corresponde a nenhuma de suas lembranças empíricas pode criar um desconforto em suas mentes. Porém, há momentos da vida em que é preciso passar por cima dessa sensação e descobrir o que, realmente, te espera. A iniciação em uma graduação de Medicina Veterinária, assim como em qualquer outro curso, é um motivo de receio para os calouros. No entanto, se informar sobre o que a grade proporciona e, além disso, receber dicas de como conciliar as intensas atividades acadêmicas com a vida social faz a diferença para o estudante de primeira viagem.

O diretor de Parcerias e presidente do V Simpósio do Grupo de Estudos de Animais Silvestres (GEAS), da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, da Universidade de São Paulo (USP, São Paulo/SP), Gabriel de Assis Duarte, conta que antes de iniciar o curso, pesquisou sobre a grade de algumas áreas e sentiu que a Medicina Veterinária era a profissão que mais se encontrava. “Fiquei surpreso ao ver o leque de opções que o veterinário pode atuar. Talvez, nesse momento, meu maior medo tenha sido me perder ao longo da graduação, estudar os cinco anos e acabar gostando de muitas áreas diferentes e, assim, não saber o que seguir”, desabafa. Com o passar do tempo, esse medo acabou e ele foi guiado para um campo de preferência. “Embora todas as áreas da Medicina Veterinária sejam fantásticas, acho que encontrei o meu lugar no trabalho com animais selvagens”, avalia.

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Veteranos recomendam a participação de grupos de
estudos, simpósios, congressos, cursos e
estágios (Foto: reprodução)

Para os novos estudantes, Duarte frisa a importância do conjunto de disciplinas sobre patologia. “Desde a patologia geral às especiais, porque mostram como os organismos animais reagem aos diferentes tipos de estímulos e isso pode auxiliar na clínica, na cirurgia, na reprodução, na produção e, até, na medicina preventiva”, enumera. Mas, segundo ele, para entender os conceitos das patologias é necessário ter absorvido conceitos de outras disciplinas também. “Por isso não dá para fugir do clichê que todas as disciplinas têm sua devida importância”, adiciona.

Para um bom desempenho, na visão do veterano, os novatos devem focar e concentrar todas as energias nas disciplinas. “Por ser um curso muito denso, a necessidade de estudar e revisar temas em casa é bem grande, mas se focar todas as suas energias nas disciplinas, talvez possa sofrer um pouco com a saúde mental. Por isso, considero saudável equilibrar a dedicação às disciplinas em sala de aula e alguns estudos em casa, mas, também, ter válvulas de escape, como esportes e eventos sociais com os amigos. Tudo é questão de encontrar seu próprio ponto de equilíbrio”, aconselha. A estudante do 3º semestre do curso e que também faz parte do GEAS, Amanda Fernandes Gimenez, concorda com essa dica. “É importante, sim, prestar muita atenção nas aulas, estudar bastante, mas o descano também é essencial”, analisa.

Amanda sublinha a disciplina de fisiologia como uma das mais relevantes, pois acredita ser importante o médico-veterinário entender, perfeitamente, o funcionamento do corpo e seus sistemas, e não sente falta de nenhuma área de conhecimento por enquanto. Já Duarte, reconhecendo o reflexo da maioria das faculdades de Medicina Veterinária do Brasil, acredita que há uma desatenção em relação a disciplinas sobre animais selvagens.

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Estudos são precisos, assim como momentos de
lazer e descanso (Foto: reprodução)

Grupos de estudos. Ele conta que sua entrada no GEAS, diferente de muitos de seus colegas, foi aos poucos. “No primeiro ano eu frequentava as palestras e fui no Simpósio, continuei assim até o segundo ano, mas foi, efetivamente, no terceiro em que entrei para a gestão do grupo”, revela. A participação de equipes de estudo, no geral, é uma oportunidade para qualquer ingressante, segundo Duarte. “Dentro desses grupos, temos contato com palestrantes, que nos ajudam no networking, e aprendemos a lidar com o público em geral, além de ser uma lição de administração de tempo para conciliar as responsabilidades do grupo e a grade horária do curso”, frisa. Amanda também defende o envolvimento com este tipo de equipe. “As tarefas desenvolvidas agregam muito a nossa experiência educacional e enquanto futuros profissionais”, declara.

Duarte, que está no 7º semestre da graduação, recomenda a participação, ainda, de simpósios, congressos, cursos e estágios. “Essas atividades são, ao meu ver, as principais ferramentas para se manter atualizado e para preparar o estudante para o mercado de trabalho. Você fica a par de muitas novidades quando frequenta esse tipo de evento”, conta e é complementado por sua colega de curso: “Certas coisas que absorvemos nesses eventos nos ajudam, inclusive, dentro da sala de aula”.

Experiência pessoal. Quando questionado sobre qual palavra resume sua trajetória no curso, Duarte responde sem sombra de dúvidas: “Equilíbrio. Até agora ando em busca do melhor ponto de equilíbrio entre as atividades extraclasses que eu me comprometo e minha dedicação à graduação. Acho que essa busca é infinita e sempre tende a melhorias. Com o tempo, você passa a se conhecer melhor, saber qual seu melhor jeito de fazer as coisas, de estudar, de lidar com determinadas situações e, assim, vai evoluindo. Essa é uma lição que acho que pode ser expandida para a vida toda”, acredita. Além dessas orientações, a dica que o estudante destaca aos ingressantes é “se arriscar”. Amanda também sente que fez a escolha certa e reconhece cada aprendizado que adquire. “Por mais que não seja fácil, o que me motiva é a amplitude dessa profissão e os inúmeros caminhos que podemos seguir e nos especializar”.

Para aqueles que já ingressam com uma opção de carreira em uma área específica, Amanda expõe que é importante estar de mente aberta para absorver e, aí sim, filtrar o que pode ou não ser útil. Duarte completa: “Participem de tudo, mesmo que por pouco tempo. As descobertas podem estar em lugares que a gente jamais imagina”, conclui.

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