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Veterinário aponta prós e contras de alimentação natural e industrializada

Para ele, humanização não deve expor os animais a erros nutricionais

A alimentação natural para cães e gatos é um tema que divide opiniões. Existem aqueles que são contra os alimentos industrializados. Por outro lado, alguns acreditam que a alimentação natural não oferece a quantidade e o equilíbrio de nutrientes necessários para a manutenção da saúde do animal. 

Respeitar as necessidades específicas de cada espécie, em termos nutricionais, deve ser sempre a prioridade dos tutores, de acordo com o médico-veterinário mestre em Nutrição Animal, pela Universidade de São Paulo (USP, São Paulo/SP) e presidente da Comissão Técnica de Nutrição Animal, do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo (CRMV-SP, São Paulo/SP), Dr. Yves Miceli de Carvalho. 

Para os tutores, o conceito de alimentação natural para cães e gatos está relacionado a alimentos frescos, sem conservantes, aditivos químicos, corantes ou estabilizantes. O Dr. Yves Miceli de Carvalho explica, no entanto, que a definição correta do termo "natural" refere-se a ingredientes que são derivados ou extraídos diretamente de plantas ou de animais. 

Para Carvalho, ambas formas de alimentação têm seus pontos positivos e negativos. "Tanto a alimentação natural quanto a industrial podem trazer benefícios ou não, o importante é o bom senso do tutor e do profissional que faz o acompanhamento do animal", opina.

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Tutor que for preparar o alimento em casa deve buscar
orientações de um médico-veterinário (Foto: reprodução)

Prós da alimentação natural, o profissional aponta os ingredientes selecionados pelo tutor, o fato de o alimento preparado pelo tutor e por se tratarem de ingredientes frescos. “Já os contras se dão pelo perfil nutricional que deve ser coerente com as necessidades específicas de cada espécie, pela dificuldade de equilíbrio da fórmula, falta de análises laboratoriais de suporte à formulação, para comprovar os níveis nutricionais adequados e garantir a segurança alimentar e o controle de qualidade, armazenamento, falta de legislação que dê suporte e fiscalize, entre outros”, enumera.

Carvalho também aponta os prós da alimentação industrializada: “Possui embasamento técnico e científico com comprovações em testes de campo e laboratório, passa por ajustes dos níveis nutricionais e de acordo com a legislação, possui garantia do fabricante caso o animal venha a adoecer e for comprovado que o alimento foi o causador do distúrbio, exceto com produtos vendidos abertos e\ou a granel e é categorizado de acordo com: faixa etária, estado fisiológico, de saúde, atividade física, animais doentes\convalescentes”. O veterinário ainda menciona os contras das rações, destacando os ingredientes industrializados, uso de conservantes (naturais/artificiais) e de flavorizantes e aromatizantes.  

O médico-veterinário faz um alerta para os tutores que optam por alimentar seus pets por conta própria: "Não podemos ir atrás de modismos, pois, com a humanização dos pets, erros nutricionais graves estão acontecendo, gerando prejuízos para o bem-estar e a saúde dos animais", declara. Ele reforça, ainda, que os gatos são mais sensíveis a erros nutricionais que os cães e, por isso, a atenção deve ser redobrada. 

Portanto, segundo Carvalho, o tutor que for preparar o alimento em casa deve, primeiramente, buscar orientações e o acompanhamento de um médico-veterinário. “Também é preciso verificar as bases nutricionais indicadas para a espécie, tendo um cuidado especial com a escolha e a qualidade dos ingredientes, com a ressalva de que cães e gatos não se alimentam de ingredientes, mas dos nutrientes específicos que os ingredientes contêm”, finaliza.

Fonte: CRMV-SP, adaptado pela equipe Cães&Gatos VET FOOD.

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