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Veterinário explica papel dos animais nos estudos sobre remédios humanos

Profissional diz que utilização direta em pessoas não é permitida por Lei

Muito se fala sobre a substituição dos animais de laboratório por métodos alternativos de pesquisa. Essa meia verdade tem base em alguns fatos científicos. No entanto, precisamos esclarecer que ainda não é possível empregar essas técnicas em todas as etapas dos estudos de biologia e medicina, sejam aqueles mais básicos, sejam aqueles voltados ao desenvolvimento de novos medicamentos. Os animais ainda são necessários para complementar o ciclo da pesquisa. 

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Substâncias só serão devidamente aprovadas
quando passarem, ainda na fase pré-clínica,
por testes com animais (Foto: reprodução)

E é o Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (Concea) do Ministério da Ciência, Tecnologia, Informação e Comunicação (Mctic, Brasília/DF), quem monitora, avalia e estimula a introdução das estratégias que substituem, reduzem ou refinam a utilização de animais em ensino ou pesquisa científica. Esse conselho reconheceu, até agora, 24 métodos alternativos. 

No entanto, segundo o médico-veterinário membro da Comissão Nacional de Bioética e Biossegurança, do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV, Brasília/DF), Joel Majerowicz, os métodos alternativos disponíveis hoje não são capazes de dizer se uma substância é segura ou eficaz quando administrada a um ser vivo complexo. “Por isso, por mais que as avaliações preliminares não sejam realizadas em animais, a substância só será devidamente aprovada quando passar, ainda na fase pré-clínica, por testes com animais. Esses testes são decisivos para conhecer a toxicidade do elemento, a capacidade de gerar mutações ou tumores e outros danos que ele pode vir a causar a um ser vivo”, frisa. 

Só se passar daí é que o produto chega aos ensaios clínicos, realizados com seres humanos e divididos em quatro fases, segundo Majerowicz. Essas etapas avaliam progressivamente a segurança da substância, sua eficácia para o tratamento da doença em questão, a determinação da dose a ser utilizada, a confirmação dos efeitos terapêuticos e, enfim, as reações adversas. “Apenas cumprindo tal processo é que um medicamento poderá chegar ao mercado. Todo esse caminho para o desenvolvimento de produtos de interesse para a saúde humana é exigido pelas agências reguladoras que autorizam o registro e a comercialização de medicações e afins. Não há como deixar de executar qualquer dessas etapas sob risco de causar danos irreparáveis à população. Os testes em animais fazem parte desse processo”, atesta. 

Como o veterinário realça, não é legalmente permitido realizar experimentos diretamente em seres humanos sem a avaliação prévia em animais e a devida autorização dos órgãos competentes. “Por fim, reforçando a importância dessa etapa da pesquisa, relembro que, dos 108 prêmios Nobel de Fisiologia ou Medicina, 96 foram dependentes de estudos com animais”, finaliza. 

Fonte: Saúde (Abril) e CFMV, adaptado pela equipe Cães&Gatos VET FOOD.

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