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Veterinário Militar assegura qualidade de vida dos cães e das tropas

Saúde Única é um dos focos dentro da atuação no Exército Brasileiro

Cláudia Guimarães, da redação

claudia@ciasullieditores.com.br

A profissão de médico-veterinário oferece infinitas possibilidades de atuação, seja em clínica de pequenos, grandes, associativismo e tantas especialidades presentes na Medicina Veterinária, podendo, o profissional, ir de Oncologia a Comportamento Animal. Mas, o que poucas pessoas sabem é que existe mais uma opção: ser veterinário do Exército Brasileiro.

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Capitão Soares lida com clínica e comportamento
de cães, além de segurança alimentar e
controle de zoonoses (Foto: divulgação)

Hoje (17), Dia do Médico-Veterinário Militar, a C&G VF narra as revelações feitas pelo Capitão do Exército, Otávio Augusto Brioschi Soares, que possui graduação, mestrado e doutorado em fisiologia animal, pela Universidade Estadual Paulista (Unesp, Jaboticabal/SP). Ele conta que os trabalhos veterinários realizados no canil militar são de clínica médica e cirúrgica, seleção e reprodução de cães, manejo comportamental e treinamento.

Os animais, vêm, em sua maioria, dos Centros de Reprodução de Caninos, que estão localizados em Osasco (SP) e em Brasília (DF), conforme conta Soares. “Ocasionalmente, são comprados junto a criadores de renome nacional e os cuidados recebidos são como de um profissional, que possui exigências aumentadas em se tratando de saúde, dieta, exercício, cognição, entre outros”, descreve o capitão, mencionando que, quando os cães se aposentam, passam a morar com os militares que trabalharam com os mesmos, os chamados “condutores”.

Afazeres. Segundo o capitão, garantir a saúde e bem-estar de animais, além de preservar a segurança alimentar e controle de zoonoses para toda a tropa da unidade são alguns dos objetivos desses profissionais, que chegam a cerca de 200, em todas as localidades do Exército Brasileiro.

Soares ainda menciona que a Saúde Única é um dos focos dentro da atuação e insere: “Além deste, trabalhamos o conceito de Proteção à Saúde da Força, que traz as noções de Saúde Única para a realidade militar, tanto no dia a dia dos quarteis, como em operações dentro e fora do Brasil. Por exemplo, no Haiti, onde o Exército Brasileiro esteve de 2004 a 2017, houve médicos-veterinários garantindo segurança alimentar, controle de zoonoses, de doenças transmitidas por artrópodes, entre outras funções”, cita.

Formação. Soares relata que se graduou, realizou seu mestrado e, depois, prestou o concurso do Exército. “Possuía pouca experiência prática quando entrei. Dentro do Exército, tive a oportunidade de atuar em diversas frentes: primeiro com clínica e cirurgia e equinos e cães, hoje, com clínica e comportamento de cães, além de segurança alimentar e controle de zoonoses”, frisa.

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Proporcionar controle de zoonoses para toda a tropa
das unidades é um dos objetivos dos veterinários
militares (Foto: divulgação)

Sobre a visão dos profissionais do Exército em relação à formação generalista e de especialista, o veterinário conta que existe uma grande discussão. “Nossa seleção para médicos veterinários que seguirão carreira e ficarão cerca de três décadas no Exército é generalista, pois este profissional terá cargos de chefia, tomará decisões, participará de operações no exterior e necessita desta visão. Já para o preenchimento imediato de vacâncias, é realizada uma seleção regional, com contrato anual, que pode ser renovado sete vezes, no máximo, e com seleção de profissionais especializados, que trabalharão, praticamente, todos os anos na mesma função. Esses podem ser especialistas”, explica.

História a comemorar. A data, 17 de junho, foi instituída Dia do Médico-Veterinário Militar em homenagem ao Tenente-Coronel Médico João Muniz Barreto de Aragão, em menção ao importante trabalho que desempenhou e ao dia de seu aniversário, de mesma data. Com ajuda de médicos-veterinários franceses, o Coronel criou a primeira escola de Medicina Veterinária do Brasil, em 1910, e foi responsável por implementar o serviço de defesa sanitária animal, precursor do Serviço de Inspeção Federal, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA, Brasília/DF).

O Exército Brasileiro não deixa essa data passar em branco, de acordo com Soares. “Neste dia, lembramos o nascimento e a vida do nosso patrono, tenente Coronel Muniz de Aragão, que deixou um grande legado para a saúde e, particularmente, à Medicina Veterinária Brasileira. As comemorações envolvem cerimônias militares, palestras, discussões e outras atividades”, enumera.

O veterinário militar também define, em uma palavra, o papel dos profissionais da equipe: biossegurança. “Utilizamos o termo para muito além do laboratório, trazemos a vida real dos quarteis e das operações militares, procuramos garantir a saúde de nossa tropa e de nossos animais”, declara.

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