Assine

Veterinários devem filtrar o que é válido nas diretrizes de vacinação

Aplicação vacinal deve levar em conta o paciente e suas realidades locais

Cláudia Guimarães, da redação

claudia@ciasullieditores.com.br

A prevenção ainda é a principal maneira de deter muitas doenças que acometem cães e gatos. Médicos-veterinários vêm lutando contra algo que se espalha tanto quanto vírus: depoimentos infundados que são disseminados na internet e fazem com que os proprietários de pets questionem a qualidade vacinal.

Os profissionais da Medicina Veterinária contam com diretrizes mundiais de vacinação, que são adaptadas, na medida do possível, às suas realidades. Como tratado na reportagem de capa da edição de novembro da C&G VF, essas medidas não precisam ser reproduzidas à risca por aqui.

Sobre isso, o gerente Técnico e de Pesquisa Aplicada para Animais de Companhia da Zoetis (São Paulo/SP), Alexandre Merlo, garante: “Recomendações que se aplicam a um País não necessariamente fazem sentido em outro”. Segundo o profissional, em um País continental como o Brasil, as recomendações podem não valer para todas as regiões, por conta da grande diversidade. “Daí a importância de reunir pessoas daqui para discutir a nossa realidade”, frisa. Pensando nisso, foi criado, em 2016, o Comitê Latinoamericano de Vacinologia (Colavac), no qual Merlo é membro, para discutir quais protocolos de vacinação podem ser aplicáveis ao Brasil.

Alexandre Merlo
Profissional afirma que reações vacinais
não causam problemas mais sérios
aos animais (Foto: divulgação)

O grupo, de acordo com Merlo, optou por considerar a vacina contra a leptospirose como essencial, ou seja, aquela que todo animal deve tomar anualmente durante toda a vida. “Isso porque a doença aqui é muito mais frequente que em outros países do mundo. Ainda, é uma enfermidade que causa problemas sérios aos rins e fígado, tendo caráter letal se não diagnosticada e tratada a tempo”, salienta.

Os princípios de imunologia e vacinação são universais, como comenta o gerente, porém, a utilização das vacinas pode variar. “Cabe ressaltar que as diretrizes de vacinação não são compulsórias. Ou seja, nenhum médico-veterinário é obrigado legalmente a segui-las. Isso, porque existe o entendimento de que somente o veterinário pode avaliar, de forma completa, o paciente inserido na região onde ele vive. Com isso, ele pode decidir qual protocolo deve definir para cada animal em específico, levando em conta o risco de exposição a doenças, hábitos de vida e doenças concomitantes que o paciente possa ter”, explica.

Apesar de todos esses cuidados tomados pelos profissionais brasileiros, alguns tutores ainda permanecem dominados pelo, como citado por Merlo, fenômeno “vacinofobia”. “Porém, podemos dizer, seguramente, que o risco de reações vacinais é mínimo e que o benefício das vacinas supera, absurdamente, os possíveis efeitos adversos. Em outras palavras, a chance de o animal adquirir uma doença infecciosa é muito maior que o risco dele desenvolver uma reação vacinal”, explana. Por isso, o profissional enfatiza que a vacinação deve ser realizada. “Além disso, a maioria das reações vacinais é autolimitante e não causa problemas mais sérios aos animais”, adiciona.

Merlo garante que é preciso enxergar a vacinação não somente como uma estratégia de proteger os animais enquanto indivíduos, mas, ainda, a fim de proteger a população como um todo. “É o que se chama de imunidade de ‘rebanho’ ou de grupo. Ou seja, em uma população altamente protegida, em que a maioria dos animais é vacinada, existe um efeito protetor também sobre os animais não vacinados”, menciona. Para que isso aconteça, é preciso que um porcentual alto da população animal seja vacinada, em geral, superior a 50%, de acordo com ele. “No entanto, sabemos que, no Brasil, a taxa de vacinação ainda não chega a 20% das populações canina e felina. Também não temos o mapeamento preciso de quais regiões possuem a maior ou menor frequência das principais doenças infecciosas de cães e gatos. Neste contexto, o papel do médico-veterinário em esclarecer os tutores dos animais sobre a imunidade de rebanho é muito importante”, atesta.

Seja o primeiro a comentar
Seu comentário foi enviado. Aguarde aprovação.
Erro ao enviar o comentário. Por favor, preencha o captcha e tente novamente.