Revista

    5 benefícios emocionais e sociais que os pets oferecem para as crianças

    Especialista explica por que a convivência com animais pode fortalecer empatia, autoestima e até ajudar as crianças a serem mais aberta às diferenças

    5 benefícios emocionais e sociais que os pets oferecem para as crianças
    Equipe Cães&Gatos
    Equipe Cães&Gatos
    13 de agosto de 2025

    Muitas pessoas consideram positivo para as criançar crescer em contato com os animais. Porém, nem todos conhecem realmente os efeitos positivos desse vínculo.

    - PUBLICIDADE -

    De acordo com pesquisas recentes, a convivência com pets tem impactos significativos no desenvolvimento emocional das crianças, contribuindo para o fortalecimento da empatia, da autoestima, do senso de responsabilidade e até do desenvolvimento de uma postura mais inclusiva e aberta às diferenças, tanto na relação com animais quanto com colegas e familiares.

    Inclusive, um estudo realizado na Austrália com mais de 1.600 famílias mostrou que crianças que crescem com animais tendem a apresentar níveis mais altos de empatia e habilidades sociais mais desenvolvidas do que aquelas que não têm contato com pets.

    “Crianças que crescem com pets tendem a desenvolver uma visão mais inclusiva do mundo. Elas aprendem, desde cedo, que seres diferentes têm o mesmo valor e merecem cuidado, atenção e respeito, e isso pode resultar em posturas mais empáticas nas relações com colegas e familiares”, explica a psicoterapeuta Renata Roma, doutora pela Brock University e pós-doutora pela University of Saskatchewan, no Canadá. 

    A psicoterapeuta vem estudando o impacto dos pets na saúde emocional das crianças por mais de 10 anos. Ela explica que essa relação também exige atenção. Para que o vínculo entre criança e animal seja realmente positivo, é essencial que haja orientação, supervisão e respeito aos limites – tanto da criança quanto do pet.

    Independente disso, os principais benefícios do crescimento em contato com animais de estimação elencados pela profissional são:

    1. Empatia na prática

    Conviver com um pet exige perceber, interpretar e respeitar os sinais do outro – mesmo que ele não fale.

    “A criança aprende a entender quando o animal está feliz, assustado, cansado ou com dor. Esse exercício constante de se colocar no lugar do outro é o que chamamos de empatia. E, quanto antes ela for desenvolvida, mais naturalmente será aplicada nas relações humanas também”, explica a psicóloga.

    A convivência com pets pode ajudar as crianças a desenvolverem o senso de empatia (Foto: Reprodução)

    2. Autorregulação emocional

    Os pets oferecem conforto emocional mesmo sem palavras. Segundo Renata, muitos estudos indicam que crianças que vivem com animais conseguem se acalmar mais facilmente em momentos de estresse.

    “Abraçar, acariciar ou apenas estar perto do pet reduz a ansiedade, diminui a produção de cortisol e aumenta a liberação de ocitocina, o hormônio associado à formação de vínculos sociais, comportamentos de cuidado e empatia”, aponta.

    3. Responsabilidade e rotina

    A convivência com animais também ensina noções importantes de cuidado e rotina.

    “Com o apoio dos adultos, a criança pode se envolver em tarefas como trocar a água, escovar o pelo ou alimentar o pet. Essas ações fortalecem a noção de responsabilidade e o senso de utilidade, o que tem impacto direto na autoestima. No entanto, é fundamental deixar claro que, em nenhum contexto ou idade, a criança deve ser colocada como a principal responsável pelo pet – o acompanhamento e a supervisão dos adultos são indispensáveis”, afirma Renata.

    4. Inclusão e senso de pertencimento

    Segundo a especialista, crianças que convivem com pets desenvolvem um olhar mais acolhedor para as diferenças.

    “O animal tem necessidades próprias, utiliza prioritariamente a linguagem não verbal e possui um jeito único de interagir. Isso ajuda a criança a perceber que, para se relacionar, muitas vezes é necessário ajustar-se ao outro. Mesmo que o pet não tenha limitações físicas ou não seja adotado, essa convivência estimula uma visão mais inclusiva. Por serem de outra espécie, com necessidades e formas de comunicação distintas das humanas, os animais ajudam a criança a enxergar o mundo de maneira menos hierarquizada – aprendendo a valorizar diferentes formas de existir, de se expressar e de se comunicar”, diz.

     5. Laços afetivos seguros

    A relação com o pet oferece uma oportunidade única de estabelecer vínculos seguros.

    “O animal não julga, não cobra e está sempre presente. Esse tipo de relação cria uma base emocional positiva, que pode inclusive ajudar a reparar ou compensar outras relações afetivas frágeis na infância.Além disso, também podem ajudar as crianças a lidarem com separações familiares ou desafios escolares, incluindo o bullying. A presença do pet pode trazer uma base segura em tempos de mudança, inseguranças e perdas”, destaca Renata Roma.

    Os animais podem ajudar as crianças a criarem uma base emocional positiva (Foto: Reprodução)

    Orientação é fundamental para uma boa relação

    Apesar de todos os benefícios, a psicoterapeuta reforça que a convivência entre pets e crianças precisa ser orientada pelos adultos. “Essa é uma relação complexa, que não está imune a conflitos, especialmente quando o animal não corresponde às expectativas da família ou da criança”.

    Renata acrescenta que “é importante ensinar que o animal tem sentimentos, limites e precisa ser respeitado. Além disso, os adultos devem supervisionar o contato, especialmente com crianças pequenas, para garantir a segurança de ambos”, analisa.

    Ela também alerta para a importância de observar como a criança se comporta diante do pet: “Se houver agressividade ou descuido, isso pode ser sinal de que ela está expressando algo que não consegue verbalizar. O comportamento com o animal pode revelar aspectos emocionais que precisam de atenção”, completa a psicoterapeuta.

    A convivência com um pet, quando bem conduzida, pode ser uma grande aliada no processo de crescimento emocional e social das crianças. Mais do que um “melhor amigo”, o animal pode ser um espelho de cuidado, afeto e construção de vínculos saudáveis – para toda a vida. Esses benefícios tendem a ser ainda mais evidentes em famílias que tratam os animais como membros de fato, integrando-os ao cotidiano e às dinâmicas familiares.

    “Mais do que simplesmente ter um pet, o fundamental é refletir sobre o papel que ele ocupa e como é percebido pelos adultos ao redor. O conceito de famílias multiespécies – no qual os animais participam de momentos como lazer, férias e celebrações – tem ganhado espaço em pesquisas recentes e reforça como essa integração contribui para que as crianças desenvolvam relações mais horizontais, empáticas e menos hierarquizadas com o mundo à sua volta”, conclui Renata Roma.

    Fonte: Comunica PR, adaptado pela equipe Cães e Gatos.

    FAQ sobre a relação de crianças com pets

    Em quais aspectos a convivência com pets pode ajudar as crianças?

    Estudos científicos mostram que essa relação possui impactos positivos no desenvolvimento emocional das crianças, podendo contribuir para o fortalecimento da empatia, da autoestima, do senso de responsabilidade e até do desenvolvimento de uma postura mais inclusiva e aberta às diferenças.

    Como garantir uma boa relação entre crianças e pets?

    A supervisão é a chave para garantir um relacionamento saudável entre crianças e pets. É fundamental que os responsáveis ensinem as crianças que o animal tem sentimentos, limites e precisa ser respeitado.

    O que fazer caso existam conflitos entre as crianças e os pets?

    Se a criança apresentar comportamentos agressivos ou de descuido quando em contato com o animal de estimação é importante se atentar para o fato de que possa estar expressando algo que não consegue verbalizar. Inclusive, o comportamento com o animal pode revelar aspectos emocionais que precisam de atenção.

    LEIA TAMBÉM:

    Cientistas explicam os motivos por trás da escolha de nomes para pets

    Creches para cães podem ajudar a promover bem-estar a responsáveis e seus pets

    Adestrador lança livro para ensinar crianças a educar cães de forma divertida

    Compartilhe este conteúdo