Para fugir desse fato, os três primeiros meses de tratamento são importantes e oferecem bons retornos na corrida da perda de peso
Cláudia Guimarães, da redação
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Quando se ouve a palavra obesidade não é difícil relacionar o problema com outras doenças, tanto em humanos quanto em animais. Mas, o que poucos sabem é o quão complicado pode ser o processo da perda de peso, principalmente de cães e gatos que desfrutam de mimos oferecidos por seus tutores de forma irresponsável.
O médico-veterinário especialista em obesidade em animais de estimação e, também, professor da Universidade de Liverpool (Inglaterra), Alex German, atua em uma clínica especial para o manejo de pets com sobrepeso e alega que, quando o médico-veterinário que trata estes animais alcança um resultado positivo, ele se sente ótimo. O tutor, por sua vez, também tem sucesso quando possui um pet obeso que emagrece, mas o maior sucesso é para o pet. “O animal vai se sentir mais feliz. No entanto, o processo de perda de peso é difícil, sobretudo, para o tutor, porque é ele que tem que fazer o que o profissional orienta para assegurar que aquele pet só vai comer o que foi prescrito e que também irá se exercitar”, fomenta.
German explica, em palestra organizada pela Royal Canin (Descalvado/SP), no dia 21 de junho, que a obesidade tem consequências para a saúde de cães e gatos e estes não vivem tanto tempo como aqueles que possuem um peso perfeito. “Pets obesos têm um tempo de vida, em média, dois anos mais curto”, conta o especialista. Segundo ele, cães e gatos com excesso de peso terão, também, um risco maior de serem acometidos por certas doenças. “Um animal que possui outra doença, como por exemplo uma artrite, essa enfermidade ficará pior por conta da obesidade”, alerta o médico-veterinário que ainda diz que o controle do peso impede que uma doença seja desenvolvida no futuro e, mesmo que o animal já tenham uma enfermidade, uma pequena perda de peso melhora, de forma significativa, como eles se sentem”, completa.
O especialista lembra que, quando deu início às atividades em sua clínica de controle de peso, não mensurava a dificuldade que existia em fazer com que os animais emagreçam, já que levava os estudos realizados na área como exemplo de trabalho. “Isso porque a maioria dos estudos publicados foi realizada em colônias de cães”, explica. Como ele conta, os pets com excesso de peso não são iguais às colônias de animais experimentais que foram estudados anteriormente. Em geral, eles são mais velhos, possuem uma variedade de raças diferentes e há mais animais castrados, o que pode ser um desafio maior em termos das necessidades energéticas. “Além disso, sempre lidamos com dois pacientes: o pet e seu tutor. Assim que você coloca o proprietário no plano de perda de peso, as coisas não acontecem como você está esperando”, insere.
Um costume de muitas pessoas é criticado pelo profissional: a vasilha de alimento. “Todos fazem isso, mas não é um bom meio de administração, principalmente os animais que estão com fome e que estão em um programa para perda de peso. Prefiro utilizar brinquedos ou vasilhas modificadas para reduzir a velocidade de consumo”. German também questiona o uso da xícara medidora de ração: “Algumas pessoas dizem que isso é heresia, mas eu acho que deveríamos jogar fora a xícara medidora. Fizemos um estudo para saber a precisão delas e as linhas são absolutamente imprecisas. O cliente que usa a xícara nem sempre dá o que acha que está dando”, revela German, que orienta o uso de balanças.
Um item que auxilia no tratamento de obesidade, como mencionado por German, é um diário que deve ser preenchido com o alimento que foi oferecido, o nível de atividade e algumas confissões. “Este último espaço serve para quando o tutor oferecer um pouco a mais de alimento, ou se o pet roubar algum petisco. Para nossa surpresa, o tutor pode chegar a oferecer até 10% a mais de calorias além daquilo que o médico-veterinário pede que seja administrado”, expõe.
Apesar disso, o profissional destaca que o médico-veterinário não deve ficar desanimado se não alcançar o sucesso em todos os casos. “Somos uma clínica especializada em perda de peso e, mesmo assim, só temos sucesso em 61% dos casos. 40% não alcançam o peso alvo. É um nível de falha muito alto”, diz German, que garante que não é porque cães e gatos alcançam o peso alvo que significa que eles manterão este peso. “Como ocorre com as pessoas, há um número de animais com rebote depois de alcançar o peso e, para nós, é cerca de 50% de cães e gatos”.
Os três primeiros meses são os mais fáceis para a perda de peso, como explicado pelo especialista. À medida que o tempo passa, a taxa de perda de peso é reduzida. “A perda de peso é como descer de uma montanha. O programa Sob Medida da clínica implica em duas abordagens diferentes. Um é o que eu chamo de uma estratégia completa de perda de peso, que o objetivo é chegar ao peso ideal (descer a montanha toda). Isso pode ser adequado para alguns cães e gatos, mas para outros indivíduos – segunda abordagem -, pode ser mais sensato fazer apenas uma parte da trajetória”, conta.
Para alcançar uma porcentagem maior de sucesso nos tratamentos, o profissional orienta os médicos-veterinários a não esquecerem de alguns itens. “É preciso lembrar dessas regras: energia não pode ser criada ou destruída, coma menos e se exercite mais, reduza o consumo, os princípios para calcular a dieta, jogue fora a xícara e a vasilha, monitore de perto e previna o rebote”, finaliza.