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A EUTANÁSIA EM VÁRIOS ÂNGULOS: VETERINÁRIOS RELATAM SUAS EXPERIÊNCIAS

Debates, como se o tutor deve ou não presenciar o procedimento, ganham espaço

Debates, como se o tutor deve ou não presenciar o procedimento, ganham espaço

Cláudia Guimarães, da redação

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Temas curiosos e polêmicos que acercam a Medicina Veterinária chamam atenção dos profissionais e – por que não – dos tutores de animais de companhia. A revelação de um veterinário em sua rede social gerou debates: ele informou que 90% dos donos de cães e gatos preferem não estar presentes no momento da eutanásia do animal, que, por sua vez, fica procurando seu proprietário.

O médico-veterinário Fabricio Rasi de Almeida Prado, formado pela Universidade Federal de Pelotas em 2003, conta que realizou uma estimativa de 200 eutanásias durante sua carreira. “É sempre uma decisão dura, onde o profissional não pode se levar pela emoção, mas, sim, pela razão que este procedimento está sendo realizado”, destaca.

Para Prado, ninguém gosta de executar essa decisão, pois os veterinários são instruídos, desde a época acadêmica, a salvar vida e não colocar um ponto final nela. “É uma situação difícil, principalmente quando o animal pertence a uma criança que está presente. Muitas vezes, nestes momentos, não conseguimos segurar a emoção. Sempre peço para o tutor do paciente realizar uma oração antes do procedimento e que se recorde dos bons momentos que passou ao lado de seu pet”, compartilha.

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Veterinária defende que o acompanhamento deve seruma opção, já que não é um indicativo de maisou menos amor (Foto: reprodução)

O profissional revela que pede para que o tutor saia da sala antes de realizar o procedimento, justamente para preservar as boas lembranças ao lado do animal. “Deixo os proprietários se despedirem de quem trouxe a felicidade para sua família e, depois, dou seguimento sozinho”, declara.

Experiência dupla. A médica-veterinária recém-formada, Bruna Martina Ribeiro dos Santos, conta que já esteve presente durante o procedimento de eutanásia enquanto profissional e, mais recentemente, no lugar de tutora. “Já se passaram nove meses desde então e ainda é difícil falar. E, por mais que eu já tivesse presenciado enquanto veterinária e durante a faculdade, quando se trata do nosso pet é diferente”, garante.

Ela diz que pensava se, realmente, era o certo a se fazer: “Tinha um nó na minha garganta, um aperto no peito e tive até dor no corpo, talvez pela tensão dos dias que antecederam aquele momento. Antes de acontecer já sentia uma saudade absurda”, relembra. Apesar de sua experiência como proprietária, como médica-veterinária, a princípio, recomendaria aos tutores que acompanhassem o procedimento, explicando como tudo é feito. “Ainda hoje, muitas pessoas pensam que, de alguma forma, a eutanásia gera algum tipo de sofrimento ou dor ao animal, o que não é verdade, e o que talvez explique o porquê de muitos tutores optarem por não acompanhar”, expõe.

Assim, a profissional considera importante para o animal ter a presença do tutor, mas que o acompanhamento deve ser uma opção, já que não é um indicativo de mais ou menos amor. “Quando nosso animal de estimação começa a apresentar sinais de que a velhice se aproxima, inevitavelmente, começamos a pensar no ‘quando chegar a hora’ e, por mais que saibamos que a morte também faz parte da vida, aprendi que ninguém nunca está totalmente preparado. Se uma despedida antes da eutanásia for mais confortável, principalmente para o animal e para os tutores, a escolha deve ser respeitada”, opina.

Sobre a preparação psicológica do veterinário que lida com essa situação na rotina clínica, Bruna comenta que, por conta do estresse e de tantas responsabilidades que seu dia a dia exige, contar com um acompanhamento psicológico é de extrema importância para o profissional. Fabricio Prado, por sua vez, não se recorda de ter pensado em procurar ajuda psicológica referente a estes atos e/ou casos. “Se estamos agindo da forma correta não temos motivos para ficar com remorso”, finaliza.

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