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A nutrição está presente e transforma a vida dos animais todos os dias

Entender e aplicar conceitos nutricionais é o desafio diário de muitos médicos-veterinários

Os animais de companhia são, muitas vezes, referidos pelos seres humanos como melhores amigos, ou até mesmo filhos, oferecendo-lhes companheirismo e consolo. Atrelada a esta relação, a convivência entre pessoas e seus pets tem promovido, em variados graus, uma preocupação maior com a saúde, bem-estar e longevidade. Fica fácil de entender esse cenário ao observar a indústria pet no Brasil entre os anos de 2019 e 2020 onde, segundo a Abinpet (2021), houve um crescimento em todos os segmentos: Pet Vet (18%); Pet Care (9,5%); e Pet Food (24%). Diante deste cenário, observa-se um destaque importante na área da nutrição. 

De acordo com a Associação Mundial de Medicina Veterinária de Pequenos Animais (World Small Animal Veterinary Association, 2011), a boa nutrição aumenta a expectativa e qualidade de vida dos cães e gatos. Neste sentido, a nutrição ótima é baseada em uma série de diretrizes nutricionais que visam garantir o adequado fornecimento dos nutrientes, ou seja, cada uma das espécies possui necessidades nutricionais e energéticas específicas dependendo da idade, grau de atividade e fase de vida (FEDIAF, 2021). As seis categorias de nutrientes são água, carboidratos, proteínas, gorduras, minerais e vitaminas. Todas têm funções específicas e contribuem para o crescimento, manutenção e saúde geral.  

Outro aspecto fundamental na nutrição é a energia. A energia não é um nutriente, mas uma propriedade resultado da oxidação de três nutrientes – gorduras, carboidratos e proteínas – e, consiste no primeiro requisito a ser cumprido pela dieta de um animal. Não importam as necessidades de um cão ou gato de aminoácidos essenciais ou ácidos graxos essenciais da dieta, os nutrientes da dieta que fornecem energia são utilizados primariamente para satisfazer as necessidades energéticas. Uma vez satisfeitas as necessidades de energia, só então os nutrientes ficam disponíveis para outras funções metabólicas. Segundo o NRC (2006), o sinal mais visível e confiável de deficiência de energia é a perda de peso corporal por perda de tecido adiposo e/ou muscular, além do baixo desempenho reprodutivo e diminuição da taxa de crescimento em filhotes. Completa que, de maneira oposta, o excesso de energia pode levar ao sobrepeso ou até mesmo à obesidade. 

Entender e aplicar estes conceitos nutricionais é o desafio diário de muitos médicos-veterinários que buscam proporcionar melhores atendimentos clínicos. Dessa forma, seguem abaixo duas avaliações que podem ser feitas em todas as situações e que auxiliam na caracterização do estado nutricional de cada paciente. 

A boa nutrição aumenta a expectativa e qualidade de vida dos cães e gatos (Foto: reprodução)

Avaliação do Escore de condição corporal

O Escore de Condição Corporal (ECC) é um sistema de avaliação da gordura corpórea. Existem diferentes escalas, entretanto uma das mais utilizadas em cães e gatos é de 9 pontos (Laflamme, 1997). Em cães, as pontuações de 1 a 3 indicam uma condição abaixo do ideal, 4 e 5 uma condição ideal e acima disso, uma condição acima do ideal, ou seja, sobrepeso ou obesidade. Em gatos a diferença consiste na condição ideal, que é determinada apenas pela pontuação 5, sendo menor que isso abaixo do ideal e maior que isso acima do ideal. Em ambos os casos, há uma limitação da escala para pacientes muito obesos, pois nela não excede pontuação maior do que 9.

Neste contexto, é importante conscientizar os tutores sobre a situação do seu pet, por exemplo, o excesso de peso corporal em cães implica em inúmeros efeitos negativos à saúde dos animais de companhia, além de ser fator de risco para diversas enfermidades como alterações ortopédicas (KEALY et al., 2000), cardiovasculares ( TROPF et al., 2017), respiratórias (PEREIRA-NETO et al., 2018), desordens metabólicas, como resistência insulínica (BRUNETTO et al., 2011a) e hiperlipidemia (BRUNETTO et al., 2011b), desordens imunológicas (VENDRAMINI, 2019) e, quando associadas, podem reduzir a expectativa de vida (KEALY et al., 2002). 

Mais estudos são necessários para avaliar os efeitos da condição corporal na prevenção de doenças. 

Avaliação do Escore de massa muscular

O Escore de Massa Muscular (EMM) é um sistema de avaliação da massa muscular e consiste em 4 pontos. Inicia-se na pontuação 0, cuja perda de massa muscular é considerada severa, as pontuações 1 e 2 determinam respectivamente uma perda moderada e leve, por fim a pontuação 3, onde não há perda de massa muscular (Michel et al., 2011). 

A determinação da massa muscular é de extrema importância, pois diversas doenças crônicas levam a perda muscular (REMILLARD, 2010), por exemplo, a doença renal crônica ou jejuns prolongados por estresse. A perda muscular afeta de forma negativa a força, a imunidade e a capacidade cicatricial dos pacientes. Em estudo conduzido por Pedrinelli et al. (2020), cães no momento do diagnóstico da DRC que não apresentavam perda de massa muscular tiveram maior sobrevida em relação aos que apresentavam qualquer tipo de perda muscular (leve, moderada ou severa).

Acesse e baixe agora o ECC e EMM de cães e gatos neste link.

A nutrição como agente transformador

A aplicação destas e outras ferramentas é o início da abordagem nutricional efetiva na rotina clínica do médico-veterinário, pois uma coisa é certa, não importa o sexo, idade ou estado geral dos cães e gatos, a nutrição está presente na vida de cada um todos os dias. Sabe-se ainda, que a concretização deste processo só ocorre no momento que cada pet se alimenta adequadamente, pensando nisso, a Hill’s Pet Nutrition possui a linha Science Diet, que são alimentos para cães e gatos em manutenção, desenvolvidos com base em uma nutrição ótima, e a linha Prescription Diet, que são alimentos coadjuvantes cuja formulação considera as particularidades nutricionais relacionadas às enfermidade para promover bem estar e qualidade de vida. Empregue estas informações no seu dia a dia, deixe a nutrição agir e transforme vidas com a Hill’s. 

Referências

ABINPET – Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação. 2021 Mercado Pet Brasil.  São Paulo, 2021.

FEDIAF – The European Pet Food Industry Federation. Nutritional guidelines for complete and complementary pet food for cats and dogs. The European Pet Food Industry Federation, Bruxelas, 2021.

Laflamme DP. Development and validation of a body condition score system for dogs. Canine Pract. 1997;22(4):10–5.

Michel KE, Anderson W, Cupp C, Laflamme DP. Correlation of a feline muscle mass score with body composition determined by dual-energy X-ray absorptiometry. Br J Nutr. 2011;106:57–59.

NRC – NATIONAL RESEARCH COUNCIL, NRC. Nutrient requirements of dogs. Washington: National Academy Press, 398p, 2006.

Pedrinelli V, Lima DM, Duarte CN, Teixeira FA, Porsani M, Zarif C, et al. (2020) Nutritional and laboratory parameters affect the survival of dogs with chronic kidney disease. PLoS ONE 15(6): e0234712.

Remillard RL, Saker KE. Critical care nutrition and enteral-assisted feeding. In: Hand MS, Thatcher CD, Remillard RL, Roudebush P, Novotny BJ, editors. Small Animal Clinical Nutrition. 5th ed. Topeka, EUA: Mark Morris Institute; 2010.

WSAVA Nutritional Assessment Guidelines. Journal of Small Animal Practice, Vol 52, Julho, 2011.

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