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Além dos likes, educação ambiental ganha espaço nas redes sociais

Profissionais e ONGs focam na produção de conteúdo para web

Profissionais e ONGs focam na produção de conteúdo para web

Wellington Torres, de casa

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A internet, como outras plataformas de informação, é pautada por uma forte dualidade. Assim como pode ser cenário de muitos problemas, como a produção e veiculação de Fake News, ela também é vista como única alternativa para que muitos se informem, principalmente sobre o universo animal.

Ao ter em mente o quão facilitadora essa ferramenta é, a cada dia que passa, mais instituições, ONGs e profissionais mergulham neste cenário para compartilhar conhecimento de qualidade, como é o caso do bacharel em Ciências Biológicas, tratador de animais do Zoológico de São Paulo e educador ambiental no Aquário da cidade, Francisco Kayron Passos Costa, conhecido no Instagram como @biologo_kay.

“Eu criei um perfil para divulgação científica (especialmente biologia) pouco antes de São Paulo decretar quarentena. Quando as pessoas começaram a passar mais tempo em casa, a procura por novas informações aumentou e vem sendo muito gratificante para mim”, pontua o biólogo.

País ocupa a segunda posição em número de usuários no Instagram, com 66 milhões , segundo a Exame (Foto: reprodução)

Para ele, com um tímido número de seguidores – por enquanto – a escolha da rede social foi muito bem pensada. “Acho que o maior diferencial do Instagram é o cotidiano, mesmo com o TikTok e o YouTube, também em destaque, eles não recebem o mesmo número de acesso que o Instagram, então, o uso da plataforma me ajuda muito a divulgar”, explica.

No entanto, o profissional ressalta um gargalo muito importante de ser comentado: a competição. “Em contrapartida da facilidade em criar e compartilha, é muito difícil competir com grandes páginas. Às vezes, tenho uma ideia de post e começo a procurar artigos para embasar os textos, procuro arquivos de vídeo e imagens animadas – fora o tempo para editar e compilar o conteúdo – mas, quando finalizo, alguma página grande já postou uma foto com texto e meu post pode parecer obsoleto”.

Mas isso não o desanima, pois segundo ele, o foco de todo o projeto é não se prender a um nicho específico de pessoas, ampliando as possibilidades sempre. “Quero deixar a ciência mais acessível e divertida, então, tento criar um conteúdo rápido e autoexplicativo”. Para elucidar melhor essa questão, ao ser questionado sobre os casos recentes de desmatamento e do incêndio que segue atingindo o Pantanal e como os profissionais podem pautar isso na internet, ele cita que é imprescindível a utilização de dados e números atualizados sobre os casos, chamando atenção para os cenários.

Na mesma direção, potencializando o ato de falar sobre animais, a World Animal Protection (Proteção Animal Mundial em português) tem desenvolvido programas de podcast para debater diversas questões, como o combate à caça, por exemplo. Para o gerente de Comunicação na ONG, João Gonçalves, a internet, em especial as mídias sociais, é essencial para divulgar a causa animal, já que o espaço na mídia tradicional ainda é muito limitado. 

Segundo o IBOPE, cerca de 40% da população brasileira (50 milhões), já ouviram algum podcast (Foto: reprodução)

“A internet possibilita transmitir a nossa voz em diferentes canais e meios, como blog, podcasts, vídeos e outros. Também tiramos proveito da agilidade e do alcance, quando é preciso mobilizar pessoas de forma rápida para alguma ação específica, como no caso de petições e outras campanhas”, exemplifica Gonçalves.

Referente ao podcast, complementar à campanha “Me deixa ser selvagem”, que pede o fim do comércio legal e ilegal de animais silvestres, a ideia surgiu da necessidade de aprofundar o assunto de uma maneira mais leve.

“O formato é como uma renovação dos programas rádio. Diferente de um conteúdo em texto ou em vídeo, você não precisa ficar preso a uma tela e pode escutar seu podcast enquanto executa qualquer outra tarefa do seu dia a dia. Outra facilidade é a disseminação, pois é fácil distribuir o podcast em diferentes plataformas de streaming, a mais popular é o Spotify, mas também é possível distribuir pelas plataformas de podcast da Apple e do Google, além de outros canais”, explica o profissional.

Para realizar os programas, o gerente ressalta que a série, em cada episódio diferente, discute um tema específico do comércio animal, “como um papagaio que serve como bicho de estimação, o prato de uma carne silvestre, uma bolsa de jacaré e o show de golfinhos. É muita coisa que, para a maioria das pessoas, pode ser algo normal, mas para os animais é fonte de morte e sofrimento”. Por isso, convidam especialistas para dar um panorama geral tanto do problema para o animal em si, quanto de como a sociedade está lidando com o assunto, seja na legislação, na economia ou mesmo nos costumes.

Gonçalves também conta que na Proteção Animal Mundial se é trabalhado para que empresas e governos acabem com o sofrimento animal, ação facilitada pela internet. “A campanha “Me deixa ser selvagem”, por exemplo, era o braço brasileiro de um movimento global que, com o advento da pandemia e sua relação com o consumo da vida selvagem, pedia para que os líderes do G-20 pautassem o fim do comércio global de animais silvestres na sua cúpula anual, que ocorreu em novembro. As 20 maiores economias do mundo ignoraram o assunto no seu encontro, mas a campanha foi muito bem sucedida, em termos de conscientizar a população e iniciar essa pressão nos países, que deve continuar nos próximos anos. Nesse sentido, a internet tem um poder incrível na mobilização e aumento da consciência”, informa, fitando que, no caso dos incêndios no Pantanal e na Amazônia, por exemplo, o poder da internet é essencial para pressionar o poder público a tomar uma atitude.

No entanto, “ao mesmo tempo, como toda a moeda tem dois lados, a internet é, também, extremamente eficaz para reforçar atividades e mensagens que aprofundam o sofrimento animal e mantém uma realidade na qual os animais são meros produtos de consumo”, alerta o gerente.

Uso das ferramentas é defendido por manter assuntos de importância em destaque (Foto: reprodução)

“Hoje, animais silvestres traficados são facilmente vendidos pelas mídias sociais, da mesma forma, medicamentos com partes de onça, ursos e outros animais são comercializados livremente on-line. Outro exemplo que todo mundo já viu e que é terrível, pois cria um desejo no qual animais são pura mercadoria, são as fotos e selfies com animais, normalmente em uma atração turística. Toda vez que uma celebridade posta uma foto montada em um elefante ou acariciando um tigre, ela, mesmo sem saber, está dizendo que aquilo é legal. Desperta o desejo de fazer o mesmo em milhares de seguidores e mantém um mercado que movimenta milhões de dólares anualmente às custas do sofrimento animal”, pontua.

Além do ambiente digital.  Por isso, o gerente também frisa que “a internet é a arena de discussão e mobilização de algo grave que está acontecendo no mundo real. Nossa causa também lida com a mudança de comportamento, assim deixamos claro que os nossos seguidores devem fazer a sua parte no que tange o bem-estar animal, adotando práticas éticas e positivas e evitando atividades e hábitos causadores de sofrimento animal”.

Dezembro verde. Ao longo do último mês do ano, se é comemorado o “Dezembro Verde”, ação que busca contornar o abandono de animais de companhia durante o período de festas e viagens. De acordo com Kayron, como educador ambiental, período deve ser destacado.

“O abandono de animais afeta diretamente o ecossistema, não só ‘lá no mato’, mas a saúde pública das grandes cidades também. Seres vivos são vetores em potencial (humanos, cães, gatos, aves, insetos, etc) se não houver cuidado e higiene, se tornam propagadores de zoonoses como a raiva, toxoplasmose e leishmaniose”, relembra o biólogo.

Além disso, ele complementa a importância do período exemplificando uma situação: a população felina. “Olhando para esfera de outros seres vivos, gatos domésticos estão no topo das listas de predadores urbanos, sendo responsáveis por matar aves e desfazer ninhos, até de espécies ameaçadas, o que potencializa a campanha”, alerta.

Ainda neste cenário de abandono, o biólogo também conta que, apenas no Zoológico de São Paulo, “diariamente são encontrados vários gatos e cágados, deixados por visitantes”. “O zoológico castra esses animais no centro veterinário da fundação e cuida deles até que sejam adotados, mas o trabalho de divulgação fica por conta dos próprios funcionários”, finaliza.

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