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    Alguns cães podem sofrer com a síndrome de hiperatividade e déficit de atenção

    Pesquisadores estudam o tema, mas afirmam que um cão muito ativo não é necessariamente portador do transtorno

    Alguns cães podem sofrer com a síndrome de hiperatividade e déficit de atenção
    Equipe Cães&Gatos
    Equipe Cães&Gatos
    10 de abril de 2025
    Última atualização: 10/04/2025 - 12:32
    “TDAH-like” se caracteriza por comportamentos de hiperatividade, impulsividade e dificuldades de atenção (Foto: reprodução)

    Assim como os humanos, os cães também podem ser afetados pela Perturbação de Hiperatividade e Déficit de Atenção (PHDA, também conhecida pela sigla ADHD, em inglês). Isso é o que conclui um estudo do Grupo de Especialidade em Medicina do Comportamento Animal (GEMCA), da Associação de Veterinários Espanhóis Especialistas em Animais de Companhia (AVEPA).

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    Os pesquisadores identificaram uma condição análoga em cães, denominada “TDAH-like”, que se caracteriza por comportamentos de hiperatividade, impulsividade e dificuldades de atenção.

    O TDAH-like em cães, conforme explicam os cientistas, pode se manifestar de três formas: combinação de hiperatividade e impulsividade com déficit de atenção; predominância do déficit de atenção; ou predominância da hiperatividade e impulsividade.

    Apesar disso, os responsáveis pelo estudo destacam que um cão muito ativo não é necessariamente portador deste transtorno.​ Isso porque a origem do TDAH-like em cães é multifatorial, resultando da interação entre fatores genéticos e ambientais. Algumas raças, especialmente as de trabalho e caça, podem ter uma predisposição hereditária para a hiperatividade e impulsividade.

    Desmame precoce, falta de socialização, estimulação física e mental inadequadas, ausência de brincadeiras sociais, uso de punições, experiências adversas, falta de contato afetivo com os tutores e longos períodos de separação são fatores que podem aumentar o risco de desenvolver comportamentos hiperativos ou impulsivos.

    Quais os sinais do problema? 

    Algumas raças, especialmente as de trabalho e caça, podem ter uma predisposição hereditária para a hiperatividade e impulsividade (Foto: reprodução)

    Animais com esta perturbação podem apresentar sinais como dificuldade em permanecer quietos, vocalização excessiva, inquietação, pedidos constantes de atenção, reatividade elevada, dificuldade em esperar, redução do sono, intolerância à recompensa demorada, falta de autocontrole, destruição excessiva de objetos e ausência de sensação de saciedade. Além disso, ainda podem demonstrar distração constante, perda rápida de interesse, problemas de concentração e dificuldades de aprendizagem.

    Além disso, os cães podem apresentar aumento do ritmo cardíaco e respiratório, dilatação das pupilas, aumento da temperatura corporal e distúrbios digestivos.

    Como diagnosticar?

    Um veterinário especializado em comportamento animal é o mais indicado para diagnosticar o problema. Ele deve avaliar a rotina diária do cão, nível de atividade, interações com o ambiente e possíveis experiências de vida que possam influenciar o seu comportamento.

    Como explicado pelos especialistas do estudo, o tratamento do TDAH-like em cães deve ser personalizado e contar com estratégias de modificação comportamental, enriquecimento ambiental e, em alguns casos, tratamento farmacológico.

    O tratamento do TDAH-like em cães deve ser personalizado e contar com estratégias de modificação comportamental, enriquecimento ambiental e, em alguns casos, tratamento farmacológico (Foto: reprodução)

    E a prevenção? Ela deve começar ainda na fase de reprodução, evitando-a em animais com predisposição genética. Também é essencial garantir a socialização precoce, evitar a separação dos filhotes da mãe antes das oito semanas de vida, incentivar o exercício e as brincadeiras, além de adotar métodos de educação baseados em reforço positivo.

    Os investigadores informam que, embora ainda não haja um consenso definitivo sobre o diagnóstico e tratamento, a combinação de estratégias comportamentais, enriquecimento ambiental e, em alguns casos, tratamento farmacológico, pode melhorar significativamente a qualidade de vida dos cães afetados por esta perturbação. “A investigação neste campo continua a evoluir e é provável que, no futuro, ferramentas mais precisas sejam desenvolvidas para a identificação e tratamento desta condição em cães”, concluem.

    Fonte: Veterinária Atual, adaptado pela equipe Cães e Gatos. 

    FAQ

    Cães podem ter TDAH?
    Sim. Segundo estudo do GEMCA (AVEPA), cães podem apresentar uma condição semelhante ao TDAH humano, chamada TDAH-like, caracterizada por hiperatividade, impulsividade e dificuldade de atenção.

    Quais são os sinais mais comuns?
    Os sinais incluem inquietação constante, latidos excessivos, dificuldade em se concentrar, destruição de objetos, sono reduzido, impulsividade, distração fácil e reatividade exagerada.

    Como é feito o diagnóstico e tratamento?
    O diagnóstico deve ser feito por um médico-veterinário especializado em comportamento. O tratamento inclui enriquecimento ambiental, modificação comportamental e, em alguns casos, medicação.

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