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ALIMENTAÇÃO NÃO CONVENCIONAL DEVE RECEBER ATENÇÃO PARA NÃO APRESENTAR RISCOS À SAÚDE DOS PETS

Profissional deve conhecer as necessidades nutricionais do animal e os ingredientes a serem utilizados

Cláudia Guimarães, da redação

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Antigamente o cão e o gato desempenhavam funções e, hoje em dia, têm uma nova no ambiente familiar (Foto: reprodução)

Como disse o filósofo romano Lucrécio, “o alimento é a maior carga antigênica do organismo. O que é comida para uns é, para outros, amargo veneno”, por isso é preciso escolher o melhor tipo de alimentação de acordo com a necessidade nutricional de cada espécie animal. Durante o Congresso Paulista das Especialidades 2016, promovido pela Sociedade Paulista de Medicina Veterinária (SPMV, São Paulo/SP), entre os dias 30 de agosto e 1º de setembro, profissionais abordaram o tema nutrição para expor os principais itens a serem levados em consideração no momento de prescrever uma dieta para um paciente.A docente do departamento de Clínica Médica, da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, da Universidade de São Paulo (FMVZ-USP, São Paulo/SP), Márcia de Oliveira Sampaio Gomes, afirma que o que é convencional é o comum, mais frequentemente utilizado, então o que se pode considerar como alimentos convencionais são os industrializados. Já os alimentos não convencionais ou alternativos são alimentos caseiros e que podem ser orgânicos, naturais, vegetarianos e crus.

Segundo ela, o alimento não convencional está na moda e, para que seja possível entender o porquê disso, é necessário compreender as mudanças e a evolução no mundo pet e no mercado de pet food. “Antigamente o cão e o gato desempenhavam funções e, hoje em dia, têm uma nova no ambiente familiar, passando pelo processo de humanização”, destaca. Com esse reflexo humanizado na alimentação de cães e gatos, Márcia diz que é possível observar que a demanda por alimentos não convencionais se dá, principalmente, por conta do que vem acontecendo na indústria de alimentos humanos. “O que vemos, desde a década de 80, é que existe uma demanda muito maior da alimentação humana para aqueles alimentos que cumprem uma função de promotor de saúde e a indústria de pet food vem seguindo esta demanda”. Ela cita que é comum o proprietário que passa a ingerir uma alimentação natural querer ministrar uma dieta assim também para seus pets.Márcia

Alimentos não convencionais estão na moda por conta do reflexo da humanização, segundo profissional (Foto: C&G VF)

Como tipo de alimentação não convencional mais comum, a profissional cita a dieta caseira. Este tipo de regime utiliza ingredientes corriqueiros na alimentação humana. “Normalmente eles serão cozidos e este processamento pode ser feito em casa, mas também há aqueles comercialmente produzidos e que, ainda assim, são considerados não convencionais por serem alimentos caseiros”, explica. Na visão do tutor, a opção de utilizar essa dieta, segundo ela, seria por ser mais natural, saudável e prazerosa para o animal.

Outro tipo de alimento não convencional bastante utilizado e, na opinião da especialista, um dos mais perigosos, são as dietas cruas ou as dietas BARF (Biologically Appropriate Raw Food). “Tratam-se de alimentos crus, mas biologicamente apropriados. Esse tipo de alimentação consiste na utilização de ossos, carnes cruas e vegetais crus”, descreve. Segundo a médica-veterinária, esse tipo de dieta preconiza uma rotatividade entre diversos ingredientes crus, tentando se espelhar na alimentação humana, onde devemos variar para suprir as necessidades. “Mas as necessidades dos animais são diferentes das nossas. Essa rotatividade de nutrientes não necessariamente vai garantir, diariamente, que se atenda a necessidade nutricional do animal”, alerta. Os principais argumentos de quem opta por essa dieta é por se achar que esse tipo de alimentação é nutricionalmente superior, por não passar por um processamento térmico, como conta Marcia. “Eles acreditam que, assim, o alimento não perderia os nutrientes. Acham que estão promovendo a saúde pelo fato da alimentação não ter química”, explana. Porém, a profissional frisa que, em ingredientes crus, principalmente de origem animal, existe um alto risco de possibilidade de contaminação.

Márcia também explica a diferença entre alimento natural e orgânico. “O natural é composto por componentes que derivam apenas de plantas, animais e fontes minerais e que não apresentam nenhum ingrediente ou aditivo sintético. Já o orgânico não pode apresentar ingredientes de origem animal que foram tratados com hormônios ou de origem vegetal que foram produzidos com fertilizantes sintéticos ou ainda que foram melhorados sinteticamente. Ele não possui outra forma de conservação além da refrigeração e congelamento”, expõe. Vale lembrar, de acordo com a docente, que o alimento natural ou orgânico pode ser caseiro, convencional e não convencional. “Quando um alimento é orgânico ainda é permitido a inclusão de até 5% de fontes minerais e vitaminas para compor e, ainda assim, vai ser chamado de orgânico”, insere.materiaaa

Existem algumas diferenças para os alimentos serem considerados naturais ou orgânicos (Foto: reprodução)

Outro tipo de escolha de dieta é a vegetariana. “100% dos animais que recebem essa dieta é porque seus proprietários são vegetarianos”, afirma Márcia e completa: “É uma filosofia de vida, por motivos religiosos, culturais, políticos ou outros que leva as pessoas a optar, também, pelo animal”. Ela considera um desafio montar uma dieta vegetariana que seja completa e balanceada para cães e gatos. “Os nutrientes essenciais para a dieta de cães são encontrados somente em ingredientes de origem animal. Também é preciso considerar que os gatos são animais carnívoros e lembrar que a taurina e a vitamina A precisam ser fornecidos na dieta destes felinos, já que os mesmos não produzem em quantidade necessária”, salienta a profissional afirmando que, com estas realidades em cães e gatos, os nutrientes necessários são ausentes na dieta vegetariana.

Um fato importante destacado pela especialista é que todo alimento não convencional precisa ser complementado. Segundo ela, apenas a mistura destes ingredientes das dietas não atendem às necessidades de vitaminas e minerais dos pacientes. “É importante conhecer a fisiologia da espécie e saber que existem alguns ingredientes que podem ser tóxicos aos animais”. O medico-veterinário, para Márcia, é a principal fonte influenciadora do proprietário. Sendo assim, encara como obrigação informar os clientes quais os riscos e cuidados de cada tipo de alimentação não convencional. “Só assim podemos prevenir a ocorrência de desequilíbrios alimentares e possibilidades de doenças e contaminações, promovendo a saúde dos nossos pacientes”, pontua.

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