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Ao passar mais tempo em casa, tutor deve redobrar cuidados com alimentação pet

Oferta de alimentos humanos pode acarretar diversos problemas de saúde, como obesidade

Wellington Torres, de casa

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Entre altos e baixos, a pandemia, que ainda não foi controlada, acarretou diversas mudanças no comportamento social. Entre elas, com a adesão do trabalho remoto, uma maior permanência nas residências. Mas como isso estaria ligado aos animais de companhia?

Neste cenário, chamado por muito de “novo normal”, tutores têm passado mais tempo com os pets, o que implica maior atenção, principalmente, quando as pautas são alimentação balanceada e a não oferta de alimentos humanos.

Segundo o zootecnista, pós-graduado em Comportamento Animal, Nutrição de Cães e Gatos e Marketing e Vendas, João Marcel Camargo Candido Ferreira, para evitar o oferecimento de alimentos humanos para os pets, o tutor deve ter consciência de que isso pode acarretar diversos problemas de saúde, “como a obesidade e, também, diminuir drasticamente a expectativa de vida”.

Segundo pesquisa realizada na USP, como conta o profissional, 41% dos cães da cidade de São Paulo são considerados com sobrepeso ou obesos (foto: reprodução)

“É preciso saber o que pode ou não oferecer para o pet. Por isso, é aconselhável buscar um nutricionista, que pode ser um zootecnista e/ou um médico-veterinário especializado na área, para que este profissional oriente sobre os alimentos permitidos, a quantidade, verifique o escore corporal e indique atividades que deverão ser realizadas”, explica Ferreira.

Para o profissional, os cuidadores devem redobrar os cuidados quando estiverem se alimentando, para que, assim, mesmo com pedidos contínuos dos animais, “não ofereçam pedaços ou partes da comida, mesmo que seja algo muito pequeno.” “Isso interfere diretamente no balanço calórico diário e o pet poderá começar a ganhar peso, além de aprender a pedir comida enquanto seus tutores estão fazendo uma refeição”, alerta.

Ainda de acordo com o zootecnista, em tais momentos, é interessante ofertar brinquedos de roer, como casco bovino, o que manterá o cão, por exemplo, distraído e o tutor não ficará com dó em dizer não.

Novos caminhos

Com os tutores mais próximos dos cães e gatos, o profissional pontua que será mais fácil de reparar nos comportamentos dos pets e relatar vários problemas, como latidos excessivos e destruição de objetos. “Seja porque não conheciam esses problemas, pois trabalhavam fora, ou porque não compreendem as necessidades básicas da espécie e não estão suprindo-as”, destaca João.

Por isso, o que também interfere na alimentação, o tipo de dieta a ser oferecida vai depender do contato do animal com algum profissional da nutrição, como comentado anteriormente. Ação deve conter com uma série de análises, “como escore corporal, idade, peso atual e ideal, índice de gordura corporal, estilo de vida do pet e dos tutores, atividades que estão sendo desenvolvidas e alimentação oferecida”.

contra a obesidade
João também ressalta que, é importante realizar exames, como hemograma, função renal, vitaminas B e D e colesterol, para avaliar qual o melhor alimento a ser prescrito (Foto: reprodução)

“Neste cenário, além do tipo de dieta, temos que pensar na forma de oferecer o alimento, devemos utilizar técnicas simples de enriquecimento ambiental e aproveitar o momento da alimentação para fazer o pet gastar energia, estimular sua cognição e os comportamentos naturais da espécie. Por exemplo, com cães, podemos oferecer a ração dentro de pet bolas, garrafas pets com furo, dentro de brinquedos recheáveis, espalhados e escondidos pela casa ou apartamento, tudo isso irá estimular comportamentos naturais, de caça,  trabalho, cognitivo e olfativo, diminuindo o estresse do cão, prevenindo e melhorando problemas comportamentais”, informa o zootecnista.

A dieta certa

Referente à elaboração de uma dieta eficiente e saudável, ela se inicia com o conhecimento das necessidades nutricionais da espécie e das diferentes fases fisiológicas. A partir de então, se escolhe os melhores ingredientes, fontes nobres de proteínas, carboidratos e gorduras, informa João.

“Após definidas todas essas exigências, vamos balancear a dieta com os ingredientes escolhidos e de acordo com as necessidades da espécie. Geralmente, utilizamos 1 ou 2 fontes de carboidratos, 2 a 3 fontes de proteínas, 2 a 4 fontes de vegetais, 1 ou 2 fontes de lipídeos (gorduras e óleos), 1 ou 2 ingredientes com apelo funcional, a suplementação ou premix e, também, em alguns casos, nutracêuticos”, pontua o profissional.

Por fim, caso o tutor opte pela pela alimentação natural, o zootecnista destaca que nunca se deve pegar ‘receitas’ prontas na internet, pois não há como saber quem desenvolveu e se está cumprindo as exigências nutricionais. “Uma pesquisa recente da Universidade Estadual Paulista (Unesp), mostrou que 100% das dietas ‘caseiras’ disponibilizadas na internet tinham alguma deficiência ou excessos nutricionais”, finaliza.

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