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Artigo lembra: trato gastrointestinal saudável, pet saudável

Alguns cuidados que são invisíveis aos olhos podem ter grandes reflexos na saúde do seu pet

MV Msc. Henrique Tobaro Macedo
Médico-veterinário formado pela FZEA/USP. Mestrado com ênfase em nutrição e nutrologia de cães e gatos, pela FMVZ/USP. Atual consultor de Assuntos Veterinários na Hill’s Pet Nutrition

Cães e gatos têm ganhado um espaço cada vez maior na vida dos seres humanos por oferecerem companheirismo. Como resposta à essa relação, tutores têm demonstrado sentimento maior de cuidado e preocupação com a saúde dos seus pets, entretanto, muitos desconhecem a inter-relação que existe entre a manutenção de um trato gastrointestinal saudável para promover tal benefício. Este texto traz alguns aspectos relacionados à saúde intestinal, por exemplo, a alimentação e a homeostase da microbiota intestinal, como forma de favorecer a saúde geral dos pets.

Estima-se que o trato gastrointestinal (TGI) de mamíferos abriga uma complexa comunidade constituída de trilhões de microrganismos, cuja composição inclui archeas, bactérias, fungos, protozoários e vírus, os quais são chamados conjuntamente de microbiota intestinal. A relação entre a microbiota intestinal e o hospedeiro desempenha papel vital no metabolismo e imunidade (TIZARD et al., 2018), desenvolvimento do sistema nervoso (CHANG et al, 2009), absorção de nutrientes (SONNENBURG, 2005) e prevenção contra colonização de patógenos (NRC, 2006; FUKUDA, 2011).

A disbiose, que é descrita por alguns autores como alterações na microbiota intestinal associadas a doenças ou condições que alteram a homeostasia deste ecossistema (BARKO, 2018) também já foram descritas. Esta condição, por exemplo, foi relatada em cães com diarréia aguda (BELL et al., 2008), insuficiência pancreática exócrina (ISAIAH et al., 2017), doença inflamatória intestinal (MINAMOTO et al., 2015; HONNEFFER et al., 2015), obesidade (HANDL, 2013), entre outros. Sendo assim, entender a dinâmica entre a microbiota intestinal saudável e não saudável têm sido objetivo de diversos estudos. Fatores como genótipo do hospedeiro (BENSON et al., 2010), idade (YATSUNENKO et al., 2012) e sexo (BOLNICK et al., 2014) influenciam no perfil microbiano, contudo, foi observado que a dieta é o fator que apresenta maior impacto na microbiota intestinal (XU e KNIGHT, 2015).

Determinar o perfil ideal da microbiota intestinal ainda é um grande desafio, mas a dieta tem papel fundamental (Foto: reprodução)

As funções da microbiota intestinal derivam, principalmente, das interações microbiota-hospedeiro geradas a partir dos produtos finais de fermentação dos nutrientes. Um recente artigo, publicado em 2020, o qual relata os momentos de interação entre os alimentos petfood, microbiota intestinal e hospedeiro cita que o excesso de nutrientes que excedem a capacidade de absorção do hospedeiro e da microbiota são desviados para o TGI inferior, onde podem sofrer fermentação bacteriana para produzir pós-bióticos que podem afetar a saúde do hospedeiro localmente. Além disso, os pós-bióticos derivados da microbiota também podem ser absorvidos pelo hospedeiro, impactando sua saúde, em locais fora do TGI.

Em mamíferos, a fermentação de fibras complexas obtidas através da dieta geram os ácidos graxos de cadeia curta (AGCC). Estes, são parcialmente absorvidos e servem como fonte de energia para o hospedeiro, especialmente o butirato para os colonócitos, regulam a motilidade intestinal e, também, são utilizados como importantes fatores de crescimento para as células epiteliais intestinais. Os AGCC  podem ainda servir de estímulo importante para a manutenção da função da barreira intestinal, de maneira a minimizar a translocação bacteriana (RONDEAU et al., 2003) e atuar na regulação imunológica por ativação de células T regulatórias no intestino (ARPAIA et al., 2013). Com o avanço de novas tecnologias, diversos metabólitos que são produzidos pela microbiota intestinal ganharam destaque, como por exemplo o indol, um subproduto da degradação do triptofano, que é anti-inflamatório e aumenta a função da barreira intestinal (BANSAL et al., 2010). Ao mesmo tempo, evidências indicaram que o metabolismo bacteriano e a estimulação imunológica no intestino vão além do trato gastrintestinal e que existem conexões entre o cérebro e o intestino moduladas pelos microrganismos intestinais (SUCHODOLSKI, 2017).

Embora não esteja claro se a disbiose é causa ou efeito, provavelmente há uma sobreposição, pois a disbiose quando está presente pode ser um fator de risco às alterações do TGI por exacerbar a inflamação em indivíduos suscetíveis e, por sua vez, a inflamação também está envolvida na gênese da disbiose. Portanto, acredita-se que o restabelecimento e/ou manutenção do equilíbrio da microbiota intestinal é importante como forma de promover saúde em inúmeras situações (SUCHODOLSKI, 2016; FORSTER et al., 2018; MINAMOTO et al., 2019 GIARETTA et al., 2020).

Como pudemos observar, determinar o perfil ideal da microbiota intestinal ainda é um grande desafio, mas a dieta tem papel fundamental. Assim, baseada em uma nutrição ótima, a Hill’s leva em consideração as particularidades do cão e do gato e, também, do conhecimento adquirido até o momento sobre a microbiota intestinal para promover saúde por meio dos seus alimentos.

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