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CÃES DE PROVETA APONTAM NA MEDICINA VETERINÁRIA MUNDIAL, MAS DESACELERAM NO BRASIL

Segundo especialista, por aqui a técnica não deve ser realizada, a curto prazo, por conta do alto custo e das dificuldades técnicas

Cláudia Guimarães, da redação
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Em dezembro de 2015, o mundo recebeu os primeiros “cães de proveta”, concebidos em um laboratório por fertilização in vitro, em Nova York, nos Estados Unidos. Os sete cães são uma mistura de Beagle, Labrador e Cocker Spaniel e fazem parte de uma pesquisa da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Cornell. Os bons resultados colocaram a reprodução assistida em pequenos animais em pauta, assunto que vem ganhando espaço na Medicina Veterinária, seja preconizando saúde ou preservação de raças. Assim, a fecundação in vitro é uma alternativa para obtenção de embriões em larga escala e, além disso, aumenta a geração de descendentes em curto espaço de tempo.

Para a Prof. Dra. da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (FMVZ-USP, São Paulo/SP), Camila Infantosi Vannucchi, os pontos positivos deste procedimento estão relacionados à obtenção de vários embriões em uma única manipulação dos gametas e a possibilidade de gerar descendentes após o óbito do animal, caso tenha gametas masculinos e femininos congelados. “O ponto negativo, por outro lado, é o alto custo do procedimento, dificuldades técnicas e ausência de garantias de sucesso”, lembra a profissional.

Camila explica que técnicas de reprodução assistida, como a produção e a transferência de embriões, podem auxiliar no manejo de colônias de cães, no resgate de material genético de indivíduos inférteis ou geneticamente superiores, idosos, ou em estado terminal. “No processo de fertilização, ocorre a penetração do espermatozoide já capacitado no oócito secundário maduro, presente na porção distal da tuba uterina, levando à fusão dos pró-núcleos feminino e masculino e à liberação do segundo corpúsculo polar, formando o núcleo de uma nova célula, a primeira célula do embrião”, explana.

De forma mais clara, Camila diz que, para a realização do procedimento, é preciso recolher os óvulos das fêmeas doadoras e maturá-los em laboratórios. Quando prontos para serem fecundados, o sêmen do macho doador é colhido, tratado e adicionado aos óvulos para que sejam fecundados. “Os embriões gerados são cultivados em placas de laboratório e transferidos para fêmeas receptoras que deverão passar por prévio tratamento hormonal”, enfatiza.

Segundo a docente, o procedimento é relativamente semelhante para várias espécies animais. “Porém, há particularidades da espécie canina que precisam ser conhecidas e respeitadas para o sucesso da ação”, cita e acrescenta que, com o advento da clonagem animal, vários proprietários estimularam-se a realizar o procedimento em seus animais, o que resultou na pesquisa realizada com sucesso nos Estados Unidos. No Brasil, a técnica não é difundida nem realizada como rotina por clínicas veterinárias especializadas. Portanto, para a especialista, não há possibilidade, a curto prazo, da fertilização in vitro ser requisitada por proprietários brasileiros. “Não acredito que haja interesse maciço em aplicar essa técnica aqui, especialmente em função do alto custo e das dificuldades técnicas inerentes”, argumenta.

Para Camila, pesquisas nesta área são fundamentais para garantir o progresso e a aplicação destes conceitos à reprodução assistida. Ela ainda relata que a manipulação e controle do ciclo reprodutivo dos cães também geram a possibilidade da erradicação de doenças genéticas importantes e progresso da espécie, auxiliando na preservação de espécies de canídeos não domésticos, ameaçados de extinção. “O uso do cão como modelo experimental, inclusive em estudos humanos, torna a pesquisa relacionada a esta espécie extremamente desafiadora e promissora à comunidade científica”, atesta.

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