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CÃES ERAM SEPULTADOS JUNTO COM HUMANOS NA PENÍNSULA IBÉRICA

Segundo estudos, povo neolítico realizava funerais para os animais

Segundo estudos, povo neolítico realizava funerais para os animais

Estudos realizados por pesquisadores da Universitat Autònoma de Barcelona (UAB) e Universidade de Barcelona (UB), ambas na Espanha, indicam que as comunidades neolíticas do nordeste da Península Ibérica realizavam para o enterro de cães. De acordo com os estudiosos, pessoas e cães tinham relações muito próximas, compartilhando até a mesma dieta. 

A análise observou a ossada de 26 cães encontrados em estruturas funerárias de quatro necrópoles da região de Barcelona e apontou que os animais tinham entre um mês e seis anos de idade e eram de tamanhos homogêneos, de 40 a 45 centímetros de altura. Os cães foram enterrados em sepulturas circulares, junto ou perto dos humanos. Apenas um deles estava na entrada de uma câmara mortuária.

“Escolher animais jovens com até um ano de idade sugere que havia um propósito no sacrifício. Embora possamos pensar que era para consumo humano, o fato de que eles estavam enterrados perto das pessoas indica que havia relação direta com a morte, como um ritual funerário. Essa hipótese é consistente com o fato de que eles são encontrados em uma área de influência cultural que deu valor simbólico ao cão naquele período”, explica a pesquisadora do Seminário de Estudos e Pesquisas Pré-históricas (SERP) da UB, Silvia Albizuri.

Iguais os humanos. O estudo também contou com a realização de teste isotópico em 18 cães e mostrou que a dieta da maioria dos cachorros foi semelhante a dos humanos, com alta presença de cereais, como milho e vegetais. Em dois filhotes e dois adultos, a alimentação era vegetariana e apenas alguns esqueletos apresentaram fragmentos de proteína animal.

“Esses dados mostram estreita coexistência entre cães e seres humanos e, provavelmente, uma preparação específica de sua nutrição, que é clara nos casos de uma dieta baseada em vegetais. Eles provavelmente faziam isso para obter melhor controle de suas tarefas com relação à segurança e para poupar o tempo procurando comida “, explica a pesquisadora do Grupo de Pesquisa em Antropologia Biológica (Greab) da UAB, Eulàlia Subirà.

Segundo a pesquisadora, há poucas análises que apontam casos de dietas mistas na França, Anatólia e China. “Recentemente, vimos que os cachorros têm dez genes com uma função chave para digestão de amido e gordura, o que tornaria a assimilação de carboidratos mais eficiente do que a de seu ancestral, o lobo. Nosso estudo ajuda a concluir que durante o Neolítico vários vegetais foram introduzidos na nutrição dos cães”, observa.

Fonte: Revista Galileu, adaptado pela equipe Cães&Gatos.

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