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Cannabis e intoxicação são temas do segundo painel da 6ª Semana do Médico-Veterinário

Por Equipe Cães&Gatos
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Por Equipe Cães&Gatos

Dando sequência às atividades da 6ª Semana do Médico-veterinário, o Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo (CRMV-SP) apresenta, no dia 17 de novembro, a partir das 19h, painel sobre “Condutas em casos de intoxicação e prescrição de cannabis na Medicina Veterinária”. Ambos os assuntos têm despertado interesse da classe e estão em destaque na atualidade.

A utilização dos compostos químicos da cannabis como medicamento é um assunto polêmico, uma vez que seu uso pode se apresentar como alternativa terapêutica, mas não é legalizado na Medicina Veterinária. “A cannabis possui mais de 500 compostos diferentes e mais de 80 canabinóides conhecidos, sendo um destes o Δ-9 tetrahidrocanabidinol (THC), conhecido por ser o mais psicoativo e responsável pela maioria das intoxicações”, alerta a assessora Técnica médica-veterinária do CRMV-SP, Anne Pierre Helzel, uma das palestrantes do evento.

Membro da Comissão de Medicina Veterinária Legal do Regional, Tália Missen Tremori, conta que atualmente há estudos que avaliam o uso dos canabinóides na fisiologia animal, apontando como ocorre a ação desses compostos no organismo. “A demanda é crescente e os profissionais devem estar atentos e atualizados quanto à legislação no que se refere a esse tipo de terapia”, diz a médica-veterinária, que também estará presente na segunda noite de bate papo da Semana.

Outro assunto que esteve em destaque nos últimos meses refere-se a casos de intoxicação de animais por ingestão de produto com monoetilenoglicol. De acordo com Anne Pierre Helzel, a substância provoca uma intoxicação aguda, pois o corpo, humano ou animal, não consegue lidar de forma adequada com o composto.

“Ela é absorvida e, durante a tentativa de metabolização, há a produção de danos que podem ser permanentes. É importante que os tutores, portanto, fiquem atentos aos sintomas e procurem orientação médica-veterinária com urgência”, explica Anne.

Intoxicação é coisa séria

A integrante da Comissão de Pesquisa Clínica do CRMV-SP, Silvana Górniak, explica que os casos de intoxicação, devido ao fato de serem menos frequentes do que doenças infecciosas, podem ser confundidos com outras enfermidades, já que normalmente não há sintomatologia patognomônica nestes casos. “Por muitas vezes, desconhecer os principais agentes tóxicos, os profissionais têm muitas dúvidas relativas ao tratamento correto quando se deparam com esses casos. Em algumas situações chegam até a suspeitar da provável causa, que pode ser de intoxicação, mas ainda têm dificuldade em realizar o tratamento específico e o mais adequado nestes quadros”, explica.

De acordo com Silvana, há várias situações nas quais os animais podem ser vítimas de intoxicação e, por isso, o médico-veterinário deve estar atento e preparado para considerar a possibilidade durante a anamnese e o exame clínico. “Também é importante que o diagnóstico seja precoce, pois mais rapidamente será realizado o procedimento terapêutico e maiores serão as chances de sucesso”, diz.

Ainda é grande o desconhecimento da classe Veterinária sobre a legislação relativa ao uso da cannabis no Brasil (Foto: reprodução)

Potencial da Cannabis sativa

Os primeiros registros da cannabis datam de pelo menos 12 mil anos. O uso da planta para fins medicinais na Medicina Veterinária foi registrado na Índia, no século 22, para o tratamento de distúrbios digestivos em gado, aumento de produção leiteira e estímulo de força de trabalho.

Dois séculos mais tarde, passou-se a indicar o uso do produto para atenuação de cólicas equinas nos Estados Unidos. O médico William O´Schaughnnessy iniciou pesquisas com cães e diante dos resultados positivos, a cannabis foi incluída na farmacopéia do país em 1850. Em 1941, as políticas internacionais antidrogas suspendem a evolução do conhecimento nesta área devido às proibições internacionais de comércio.

Durante sua palestra, Stelio Pacca Loureiro Luna, membro do Grupo de Trabalho do CRMV-SP sobre uso da Cannabis Medicinal na Clínica Médica-veterinária, falará sobre pesquisas e trabalhos desenvolvidos com o uso do ativo em animais. “Daremos enfoque aos estudos no tratamento da dor e na farmacocinética, área que estuda o caminho percorrido e o impacto causado pelos medicamentos no corpo”, diz o médico-veterinário, enfatizando que a maior dificuldade em se estabelecer o uso da planta deve-se à ausência de previsão legal da prescrição pelo médico-veterinário.

Ausência de regulamentação e riscos

Por não estar regulamentada, o uso da cannabis pode causar implicações legais sérias, uma vez que produtos à base da planta são controlados. Atualmente, a prescrição é exclusiva de médicos e a dispensação de farmacêuticos. Há movimentos sendo realizados junto a órgãos de saúde, como a Agência Nacional de Vigilância em Saúde (Anvisa) para que o médico-veterinário também possa fazer a prescrição para uso em animais.

“Ainda é grande o desconhecimento da classe sobre a legislação relativa ao uso da cannabis no Brasil e se, efetivamente, o emprego destas substâncias seriam eficientes nos vários empregos clínicos, os quais os produtos vêm sendo propostos como terapia”, alerta Silvana Górniak.

Anne ressalta que o uso de produto não padronizado implica no desconhecimento do espectro de canabinóides fornecidos ao paciente. Como fatores intrínsecos que influenciam há a subespécie e variedade cultivadas e a parte da planta utilizada na extração, acometimento por micotoxinas, herbicidas, metais pesados e outros contaminantes. Como fatores extrínsecos que influenciam no perfil dos componentes ativos, podem ser citadas contaminações por micotoxinas e a influência do próprio método de extração do produto.

Consequências

A assessoria técnica médica-veterinária do CRMV-SP pondera que há riscos para a saúde animal no uso não regulamentado e padronizado. “Em alguns processos artesanais, óleos podem ser utilizados na extração de ativos da cannabis, em especial o de uva, podendo causar insuficiência renal aguda (necrose tubular aguda). Os achados laboratoriais comumente associados à intoxicação por uva em animais são trombocitopenia, anemia leve, e distúrbios eletrolíticos como hiponatremia, hipercalemia, hipocloremia, hiperfosfatemia e hipercalcemia”.

Também é possível observar elevação das enzimas hepáticas, amilase e lipase. A urinalise normalmente apresenta hipostenuria, proteinuria, glicosúria, cilindros hialinicos ou granulares. Além disso, a ultrassonografia abdominal pode indicar renomegalia, com córtex renal hiperecoico ou com dilatação pélvica renal.

“Assim sendo, os sinais clínicos e histórico do animal possuem uma ampla variedade, sendo primordial que o médico-veterinário estabeleça uma conexão empática com o tutor a fim de obter informações confiáveis sobre a possibilidade de ingestão acidental do composto ou da planta. Como principais sinais observados em cães são agitação, ataxia, midríase, aumento da sensibilidade ao som, hiperestesia, sialorreia, distúrbios neurológicos, espasmos musculares e início agudo de incontinência urinária”, destaca Anne.

Clique aqui para realizar a inscrição na 6ª Semana do Médico-Veterinário.

Fonte: CRMV-SP, adaptado pela equipe Cães&Gatos VET FOOD.

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