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CARDIOLOGIA: COMO SE MANTER ATUALIZADO MESMO EM ISOLAMENTO?

Profissionais destacam importância de participar de cursos e lives

Profissionais destacam importância de participar de cursos e lives

Cláudia Guimarães, em casa

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“Os principais desafios incluíram conciliar minha vida pessoal com os estudos, com o trabalho e com a diretoria da SBCV, entidade da qual faço parte desde meados de 2012. Além disso, outro grande desafio foi o alto investimento financeiro destinado a cursos e congressos para atualização constante”. Esses foram os pontos mais desafiadores da carreira enquanto médica-veterinária cardióloga, descritos por Cristina Torres Amaral, a 1ª diretora Científica da Sociedade Brasileira de Cardiologia Veterinária (SBCV).

Conversamos com ela, neste dia especial: o Dia do Cardiologista! Mas Cristina menciona que não sabia que se tornaria a especialista que é hoje quando ingressou no curso de Medicina Veterinária:

“Quando iniciei a graduação, tinha apenas a certeza de que trabalharia com clínica de pequenos animais. Vieram as aulas de cardiologia nas disciplinas de Semiologia e Clínica Médica e, também, o curso de eletrocardiograma, da Professora Maria Helena Larsson. Passei a frequentar o Hospital Veterinário (Hovet), da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, da Universidade de São Paulo (FMVZ-USP), como estagiária nos Serviços de Clínica Médica e no de Cardiologia. Surgiu, também, a oportunidade de acompanhar alguns cursos da SBCV ainda na graduação”, relembra.

Profissional considera difícil mostrar ao tutor e aos clínicosa importância de ter um cardiólogo no atendimentodo cardiopata (Foto: reprodução)

Então, a especialidade foi conquistando um espaço cada vez maior entre suas áreas de interesse, segundo Cristina. “O auge foi durante a residência em Clínica Médica: veio a proposta de realizar um terceiro ano de residência, dedicado exclusivamente ao Serviço de Cardiologia. Fui a primeira R3 de Cardiologia da FMVZ-USP e, desde então, não abandonei mais a especialidade”, compartilha.

Sociedade ativa. Os veterinários, na visão da especialista, devem ter como melhor amiga a SBCV. Isso porque, a sociedade divulga inúmeras novidades em sua página, disponibilizando meios de se manter por dentro do que há de mais novo na cardiologia. “Cursos presenciais/on-line em várias regiões do Brasil, versando desde assuntos mais básicos, até temas mais avançados na especialidade. Anualmente, temos uma programação científica que inclui lives, palestras on-line, curso de reciclagem, simpósios internacionais. Além disso, temos o Congresso Brasileiro de Cardiologia Veterinária, que é realizado a cada 3 anos”, aponta.

Além disso, Cristina revela que também existem cursos disponibilizados junto a empresas particulares e que são renomadas na área da cardiologia veterinária. “É importante avaliar cuidadosamente as grades científicas e seus palestrantes, a fim de obter conteúdo rico e de boa qualidade”, aconselha e mostra, ainda, outro caminho: “Temos a possibilidade de realizar cursos na Medicina, que são sempre muito enriquecedores ao veterinário, mostrando novas perspectivas que podem ser implementadas ou adaptadas aos nossos pacientes”.

Especificamente neste período em que estamos vivendo, onde algumas pessoas seguem em isolamento social, por conta da pandemia do coronavírus, a profissional chama atenção para as lives dentro e cursos on-line da especialidade. “Desde o início da quarentena, estão sendo realizados, envolvendo grandes nomes da cardiologia veterinária. Além disso, a permanência em casa nos permite atualizar nossos estudos individuais e a leitura de artigos e consensos recém-publicados na área”, pondera.

Na pandemia, com mais tempo em casa, cardiólogospodem atualizar seus estudos individuais e ler artigose consensos recém-publicados (Foto: reprodução)

Palavras da vice-presidente. Além do que já foi mencionado por Cristina, a SBCV possui um grupo de discussão de casos, no qual o profissional pode, por meio de WhatsApp, trocar ideias com outros da mesma área de atuação, sobre resultados de exames mais complexos e sobre casos interessantes ou de difícil monitoramento.

Quem nos informa é a vice-presidente da Sociedade, Patricia Pereira Costa Chamas. Mais um bom motivo para o especialista estar sempre de olho na entidade de classe que o representa e, assim, poder colocar em prática todo seu conhecimento com os pets, durante os atendimentos.

“Observamos em nosso meio que, muitas vezes, o cardiopata acaba sendo acompanhado e tratado pelo clínico geral, que não possui especialização na área e, por isso, não detém todo o conhecimento e expertise de um cardiólogo para o tratamento dos casos mais complexos. Assim, é necessário ressaltarmos a importância do cardiólogo no atendimento especializado dos cães e gatos cardiopatas, pois só ele saberá conduzir adequadamente estes casos, com seus conhecimentos vastos e mais atualizados”, avalia Patricia.

Esse ponto também é considerado um desafio para a especialista Cristina: “É difícil mostrar ao tutor e aos colegas clínicos a importância de ter um cardiólogo envolvido na avaliação e no seguimento do paciente cardiopata ou sob suspeita de doença cardíaca”, lamenta. 

Por fim, a vice-presidente da SBCV espera que os profissionais possam assistir, no conforto de seus lares, todo o conteúdo elaborado e promovido pela entidade, durante esse período de isolamento. “É essencial ter opções, sem ter que sair de casa, mas, ainda assim, se manter atualizado em relação a diversos temas da cardiologia. Essas são algumas das formas encontradas pela SBCV para aproximar os colegas neste momento”, conclui.

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