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CASOS DE LEISHMANIOSE CRESCEM NO BRASIL E PREOCUPAM VETERINÁRIOS

Valinhos (SP) divulgou cinco mortes por conta da doença em junho deste ano

Valinhos (SP) divulgou cinco mortes por conta da doença em junho deste ano

Cláudia Guimarães, da redação

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Normalmente, os incômodos causados por mosquitos são sempre apontados como um dos principais pontos negativos das infestações. Porém, o problema está mais a fundo. Assim como suas picadas podem causar coceira nos animais, podem ser a razão do surgimento de uma doença: a leishmaniose.

Em junho, a cidade de Valinhos (SP) confirmou o registro de 16 casos de leishmaniose visceral canina (LVC) que resultaram em cinco mortes. O primeiro deles aconteceu em maio e há 114 animais em avaliação sem prazo para a divulgação dos resultados. A enfermidade é causada por um protozoário transmitido por meio de picada da fêmea do mosquito-palha infectado (Lutzomyia longipalpi). A espécie também ataca humanos e a doença pode levar à morte em 90% dos casos, quando não é tratada.

LVC

Leishmaniose é uma enfermidade silenciosa,de evolução lenta e confundida com outrosproblemas de saúde (Foto: reprodução)

Segundo a médica-veterinária e coordenadora Técnica de Pets da Boehringer Ingelheim Saúde Animal (São Paulo/SP), Cecilia Barbosa, a doença, a partir de então, deixou de ser negligenciada na região. “É interessante ressaltar que essa enfermidade está aparecendo em uma época atípica de incidência de insetos, o inverno. Isso mostra que é uma coisa que já vem acontecendo há bastante tempo, sem haver diagnósticos”, avalia.

Para a profissional, casos como este servem como alerta para outras regiões que acreditam que não há endemia da doença, mas que podem estar infectadas da mesma maneira. “O ideal é o que o médico-veterinário faça mais diagnósticos diferenciais a fim de detectar a presença dessa zoonose”, pondera. Os diagnósticos diferenciais citados pela especialista nada mais são que exames específicos que identificam a presença da leishmania no animal. “O problema da leishmaniose é que seus sintomas imitam , perfeitamente, os sintomas de outras doenças, então se não for feito o diagnóstico diferencial, somente pelo exame clínico é difícil diagnosticá-la”, explica.

Cecilia também conta que a Leishmaniose trata-se de uma enfermidade silenciosa, de evolução lenta e apresenta a mesma sintomatologia da maioria dos problemas de alta incidência na clínica médico-veterinária. “Podemos citar como exemplo a doença do carrapato, anemia e sarna. O animal perde pelo e peso, manifesta problemas oculares, fadiga, entre outros sinais”, enumera.

Segundo Cecilia, o mosquito-palha pode picar durante todos os momentos do dia. “Hoje estamos muito acostumados a pensar em aedes aegypti, que se prolifera, principalmente, em água limpa e parada, mas o mosquito-palha se prolifera em qualquer tipo de matéria orgânica, em locais muito sujos, com pomares e galinheiros, mas também em locais com grande área verde, como os espaços comuns em condomínios residenciais, por exemplo. Isso faz com que o controle seja mais difícil”, esclarece.

O animal pode demonstrar sintomas em meses e demorar até dois anos para apresentar a sintomatologia clínica, como comenta a médica-veterinária. “Por isso existe a dificuldade de diagnosticar e nos deparamos com animais infectados há mais de dois anos que não apresentaram nada anteriormente”, relata.

coleira

Repelentes em forma de pipetas ou coleiras são a melhorforma de controle da LVC (Foto: reprodução)

Terapêutica. Como lembra a profissional, a leishmaniose não tem cura, o que está ao alcance da Medicina é a realização do tratamento a fim de amenizar os sintomas clínicos para deixar o animal ter uma vida “normal”, mas, como Cecilia frisa, ele deve ser sempre avaliado por um médico-veterinário. “Em tratamento, o pet, obrigatoriamente, deve usar um repelente para que não dissemine essa doença, ou seja, para que ele não seja picado por outros insetos e esses mosquitos carreguem a doença para outros animais e humanos”, adiciona.

O tratamento é bastante específico e Cecilia destaca que é impossível o proprietário do animal realiza-lo em casa. “Ainda existem casos em que os animais são eutanasiados. Isso era mais comum há algum tempo, porque não existia nenhum produto aprovado para o tratamento. Hoje já existem medicamentos que substituem a eutanásia”, afirma.

Apesar disso, de acordo com a profissional, hoje, a melhor forma de controle da LVC é a prevenção. “Por isso recomendamos o uso do repelente tópico em forma de pipeta, mensalmente ou a cada três semanas, em todos os animais que vivem em área endêmica ou que vão viajar para estes locais”, orienta. “O uso de telas nas casas também auxilia o bloqueio de vetores no local, assim como a limpeza do ambiente”, insere.

Cecília revela que existem cada vez mais casos de leishmaniose. “Hoje temos mais de 3 mil casos por ano em seres humanos. A cada ser humano contaminado existem cerca de 200 cães infectados na região, então já podemos imaginar o tamanho do problema que está escondido. O que estamos vendo, no momento, é só a ponta do iceberg”, salienta.

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