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Causas, diagnóstico e tratamento: médica-veterinária fala sobre coprofagia

Doença está relacionada ao comportamento de ingerir fezes

Wellington Torres, em casa

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Estar atento aos comportamentos do animal de companhia deve ser o primeiro passo para ofertar qualidade de vida, já que alguns deles, como a coprofagia, são indícios de que algo não anda muito bem. Mas o que seria coprofagia?

Como explica a médica-veterinária Mariana Caetano Pimentel, formada pela Unicruz, a coprofagia nada mais é que a ingestão das próprias fezes pelos animais (autocoprofagia), ou também, a ingestão de fezes de outros animais (alocoprofagia).

Segundo ela, o motivo disso acontecer está ligado a várias hipóteses, podendo ser multifatorais ou mistas. “Por exemplo, a ação pode ocorrer devido a uma alteração comportamental, uma maneira de chamar atenção dos tutores ou uma deficiência nutricional. Assim como, também pode ser considerado um comportamento normal”, explica a médica-veterinária, ressaltando que na natureza a ingestão é mais comum em carnívoros silvestres, que são animais que possuem uma alimentação desbalanceada e essas fezes servem como fonte de produtos de digestão microbiológica.

Coprofagia em Cães: saiba como lidar - Pet Shop Online - Lolipet Blog
Se atentar às mudanças de comportamento dos animais é essencial para lidar com o problema (foto: reprodução)

Outro exemplo de comportamento normal é o que acontece com cadelas após o parto. “Neste caso, o consumo das fezes de neonatos pelas cadelas recém-paridas, é um comportamento fisiológico e rudimentar para higienização do ninho”, afirma a profissional.

Contudo, a literatura, como relembra Mariana, também relata sobre aparecimento de algumas doenças que podem induzir o consumo de fezes por parte do pet. “Neste contexto, entram a pancreatite exócrina ou síndrome de má absorção, ocorrência de endoparasitas e deficiência de tiamina”, ressalta.

Por isso, como salienta Mariana, estar atendo aos sinais é muito importante. “No atendimento de um animal que sofre de coprofagia costuma ser uma queixa comum dos tutores, durante a consulta, a halitose e também pode ser constatado o desgaste excessivo dos dentes”, alerta.

De acordo com ela, o comportamento, se não tratado adequadamente, pode causar quadros de infecção repetida por endoparasitas gastrointestinais, obstrução gastrointestinal, viroses, gastrite e deficiência de vitaminas.

“O tutor deve ficar atento a qualquer alteração apresentada pelo animal, pois quando as alterações apresentadas se tornam crônicas, o prognóstico tenderá ser desfavorável e o tratamento muito mais demorado e difícil”, enfatiza.

Para tratá-la, apesar de ser um desafio, é imprescindível que a causa primária seja identificada e tratada. “É necessário identificar se há presença de alguma doença associada ao hábito de coprofagia.  Em casos de endoparasitoses, o tratamento é feito com uso de vermífugos”, pontua, complementando que, caso seja um hábito sem patologias associadas, pode ser corrigida por meio da mudança para uma dieta de alta digestibilidade, com alto nível de proteínas e gorduras e, baixos níveis de carboidratos e fibras, resultando em modificação da textura e sabor.

E para contornar o problema, ela “sugere que o comedouro e bebedouro sejam individuais e longe do local de defecação”.  “Outra alternativa é estimular os animais a realizarem suas necessidades fora da residência, durante passeios, por exemplo. Pode-se, também, aumentar a frequência de alimentação e utilizar suplementos”, informa.

Ao que se refere às alterações comportamentais como causa, “deve ser instituído tratamento para tal, como enriquecimento ambiental, e, normalmente, se já necessário, a participação de profissionais que trabalham com psicologia canina”.

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Optar por mudanças na alimentação também é um passo importante no processo. Para isso, manter contato com um especialista é necessário (foto: reprodução)

A doença pode ser evitada? Quando questionada sobre a possibilidade de evitar o acometimento, Mariana afirma que sim, isso pode acontecer, seguindo alguns pontos. “Não repreender o animal, mas, sim, ensiná-lo com o uso do ‘não’; condicionar por meio de aversão, como o uso de produtos de odor e sabor desagradáveis e claro, passeios. Animais que saem a passeio, recebem maior atenção do dono, ganham brinquedos podem ter este comportamento diminuído ou aliviado”, aponta a profissional.

Para ela, também é importante que o tutor, antes de acrescentar um novo membro à família, se informe sobre as características da raça, principalmente se existe a possibilidade daquela escolhida apresentar este tipo de comportamento, já que algumas são pré-dispostas, como Golden Retriever, Labrador, Maltês, Lhasa Apso e Shihtzu.

Por fim, Mariana relembra que, nesta situação em específico, “é necessário o acompanhamento periódico ao médico-veterinário, de maneira a prevenir ou identificar logo no início qualquer alteração que possa causar prejuízos a saúde e bem-estar do pet”.

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