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COMO DEMANDA, RENDA, UNIVERSIDADES E GOVERNO PROMOVERAM O AVANÇO DA NUTRIÇÃO PET EM DEZ ANOS

Composto pela didática mercadológica e pela ciência, mercado de pet food é hoje um dos protagonistas no cenário dos animais de companhia

Composto pela didática mercadológica e pela ciência, mercado de pet food é hoje um dos protagonistas no cenário dos animais de companhia

Cláudia Guimarães, de Campinas (SP)

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A evolução do conhecimento e qualidade das dietas é considerada como um dos passos largos dentro da Medicina Veterinária nos últimos dez anos no Brasil. Como explicado pela médica-veterinária Cristiana Pontieri, da PremieR pet (São Paulo/SP), não tem como falar sobre o tema sem rever o que aconteceu no mercado de alimentos para animais de estimação nesse período.

Um dos pontos que influenciaram essa evolução é o fato de o Brasil ter a segunda maior população de cães e gatos do mundo e, também, a realidade em que os felinos se encontram hoje em dia: são animais de estimação que vêm crescendo dentro dos lares e ganhando cada vez mais produtos do mercado de pet food brasileiro. “Estima-se que, em 2023, os gatos vão passar os cães como animais de companhia no Brasil e aí justifica todos os estudos e lançamentos direcionados a esse público”, revela.

Os fabricantes de produtos de nutrição, atentos a essa tendência, se fizeram presentes em várias regiões do País, e não só nas capitais. Segundo dados do Ministério da Agricultura (MAPA, Brasília/DF), apresentado pela profissional, hoje há 377 empresas produtoras de alimentos registradas para cães e gatos. A maior parte delas está localizada no sudeste, com 47%, e no sul, que corresponde a 41%. “Esses dados são importantes para nos mostrar que, nos últimos dez anos, houve um crescimento do número de companhias menores e regionais; aquelas que atendem apenas ao mercado local”, explica Cristiana.

A produção nacional, no período de 2006 a 2015, também obteve um salto significativo. De acordo com dados do Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal (Sindirações, São Paulo/SP), foi registrado um aumento de 24% no volume e 56% no faturamento gerado da venda desses produtos. Para a especialista, isso é bastante representativo. “O que houve foi uma mudança nas categorias dos alimentos no Brasil. Enquanto que, em 2008, 66% do mercado era de alimentos mais ‘econômicos’, em 2014 caiu para 32%, segundo dados da Associação da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet, São Paulo/SP). Houve um aumento considerável, de 2008 para frente, na quantidade de produtos ‘premium’ e ‘super premium’, com maior valor agregado, nichos de mercado com consumidores mais exigentes que percebem a qualidade e benefícios dos produtos e que, por conta disso, acabam exigindo mais das empresas fabricantes”, declara. Realidade que pode ser modificada, já que o atual momento econômico e político do Brasil reserva grandes surpresas, embora o mercado de pet food ainda não tenha sido afetado, como outros setores. “O que sabemos é que desde o ano passado o consumidor está mais sensível aos preços dos produtos e, por isso, não sabemos se a tendência da fatia de alimentos ‘premium’ e ‘super premium’ continuará forte no País”, expõe.

Somado ao aumento do capital empregado, a implantação de boas práticas de fabricação, desenvolvimento fabril, o maior controle de ingredientes, juntamente com o desenvolvimento de novos ingredientes, além do uso de ingredientes funcionais, favoreceu esse processo de evolução. “Antigamente não havia recomendação de nutrientes, nem a quantidade mínima e a adequada de suplementos vitamínicos favoráveis aos pets”, conta.

Ainda sobre o progresso da qualidade, Cristiana diz que não tem como falar do tema sem pensar na atuação do MAPA, que, apesar de todas as dificuldades, contribuiu com o citado avanço. Em 2007, por exemplo, foi publicada a Instrução Normativa (IN) 04, sobre boas práticas de fabricação, o que elevou o nível das produções como um todo. Já em 2009, a IN 30 determinou obrigatoriedade de registro dos alimentos completos e, também, foi revogada a IN 09, de 2003. “Até então era obrigatório apresentar um mínimo e um máximo de proteína, cálcio, fósforo e fibra nas embalagens. Com a demarcação, as empresas puderam passar a escolher o quanto utilizar de cada elemento no produto e isso ficou de inteira responsabilidade das marcas, que passaram a realizar seus próprios estudos e puderam pôr em prática, desde então, suas dietas balanceadas, as direcionando para raças específicas”, destaca.

Nessa corrente de abertura de portas do conhecimento, a profissional também elenca o papel das universidades cujo tema nutrição animal vem sendo “bem trabalhado e comentado por docentes”, como menciona Cristiana. “Há dez anos, os trabalhos publicados pelos grupos de pesquisa eram mais básicos, importantes na época em que foram publicados e na construção da evolução do conhecimento no Brasil, mas ainda eram limitados”, compara com a riqueza de conteúdo das atuais publicações e estudos realizados dentro das academias brasileiras.

Como descreve a profissional, hoje as pesquisas se caracterizam por serem extremamente técnicas, com um rigor grande de análise de conteúdo, e constituídas por temas mesclados, desde nutrientes até metabolismo. “Mas, a principal característica da pesquisa e do conhecimento que vem evoluindo no País é a elaboração de forma prática e os estudos aplicados por nutricionistas e indústrias”.

Para ela, o Congresso anual realizado pelo Colégio Brasileiro de Nutrição Animal (CBNA, Campinas/SP), que já está na decima quinta edição, é contribuinte na expansão das atualidades. Segundo Cristiana, é um dos eventos mais importantes na multiplicação e disseminação de conhecimento dentro do País. Por isso, a revista Cães&Gatos VET FOOD esteve presente em mais uma edição, que ocorre até 14 de abril. 

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