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Clínica e Nutrição, Destaques

Como é a qualidade de vida de um pet com apenas um rim?

Veterinária mostra o que leva a perda de um dos órgãos e os cuidados com estes pacientes
Por Cláudia Guimarães
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Por Cláudia Guimarães

Os rins desempenham diversas funções no organismo. Por meio do processo de filtragem do sangue, o órgão é capaz de controlar o volume de água, excretar e absorver componentes, estimular a produção de células sanguíneas pela liberação da eritropoetina, atuar no balanço eletrolítico e na manutenção do pH sanguíneo, em conjunto com o pulmão e outros componentes. Sendo, assim, tão importantes, como é a vida de um pet que, por algum motivo, só possui um rim?

Existem alimentos no mercado que são indicados para animais com problemas renais ou com predisposição à formação de cálculos (Foto: reprodução)

A médica-veterinária membro do grupo Afrovet, Camila Gomes dos Santos, explica que existe uma variedade de alterações que podem levar à nefrectomia, termo técnico utilizado para se referir à remoção cirúrgica do rim, como: parasitas que destroem o órgão, por exemplo o Dioctophyma Renale; os urólitos, comumente chamados de cálculos, que podem levar a obstruções e lesões; as obstruções no trato genital acarretam em acúmulo de urina, que, ao chegar no rim, gera uma dilatação intensa com destruição da sua estrutura. Este processo é denominado de hidronefrose, que também pode ser provocada por anormalidades ureterais.

“Outras causas, como traumas, neoplasias e pielonefrite são alterações que podem implicar na retirada do órgão. Este procedimento cirúrgico só deve ser empregado em casos em  que a resolução clínica não é ou não está gerando resultados significativos e o rim contralateral, apesar de sobrecarregado, possui capacidade suficiente para manter as atividades. Caso contrário, o paciente terá um prognóstico ruim”, adiciona.

Também há possibilidade de o pet já nascer sem um rim. Camila conta que esta condição é denominada como agenesia renal caracterizada por ser um defeito raro em pequenos animais. “Apesar desta alteração, o paciente tende a viver normalmente quando o único rim existente desempenha as funções. Em alguns casos, o diagnóstico é um achado em exames, mas a sobrecarga do outro órgão leva a uma sobrevida menor do paciente devido ao maior risco de progressão da doença renal crônica. Existe, ainda, a agenesia renal bilateral, ou seja, a ausência dos rins, algo incompatível com a vida”, menciona.

Cuidados após retirada do órgão

Imediatamente após a cirurgia de remoção do rim, o recomendado, segundo Camila, é a internação do paciente para acompanhamento. “Isso permite que mudanças nos parâmetros do animal sejam corrigidas pelo médico-veterinário. Após a alta, o tutor deve ser orientado a dar continuidade nos cuidados pós-cirúrgicos, que envolvem repouso, alimentação e hidratação. A longo prazo, serão necessários exames para check-up, como ultrassom, exame de urina (urinálise) e de sangue (hemograma e bioquímico). Com isso, será possível identificar a progressão de uma doença renal e verificar se o rim remanescente está conseguindo dar continuidade às atividades fisiológicas”, elucida.

Questionada sobre se a alimentação do pet operado deve ser alterada, a veterinária afirma que depende: “Existem rações (úmidas e secas) no mercado que são indicadas para animais com problemas renais ou com predisposição à formação de cálculos. A modificação da alimentação pode variar de acordo com a causa da remoção do órgão, portanto, essa reformulação deve ser individualizada para cada paciente”, salienta.

Qualidade de vida

A longo prazo, após a retirada do órgão, serão necessários exames para check-up, como ultrassom, exame de urina e de sangue (Foto: reprodução)

Após a recuperação da cirurgia e a adaptação, a longo prazo, com acompanhamento e cuidados veterinários, a qualidade de vida do pet com apenas um rim será boa, segundo Camila. “A restrição envolve evitar ou reduzir o uso de medicações que possam afetar o órgão, estimular a ingestão hídrica, realizar o acompanhamento da pressão, visto que este parâmetro elevado também provoca danos ao rim e outros órgãos, e realizar os exames de check-up”, orienta.

Sobre a doença renal, a médica-veterinária lembra que ela surge quando 75% do órgão já foi prejudicado, o que dificulta o diagnóstico e agrava a vida do paciente. “A identificação precoce das alterações renais permite um melhor tratamento e recuperação do paciente, isso é possível por meio de consultas de rotina e exames de check-up. Urinar em grande ou baixa quantidade, presença de sangue, sinais de dor, desconforto, urinar em locais incomuns, hálito forte, emagrecimento, diminuição do apetite e apatia são alguns sinais de alerta para o tutor e para o médico-veterinário. Medidas, como alimentação de qualidade, evitar o fornecimento de alimento de origem desconhecida ou mal cozidos e ingestão de água, sendo o sachê uma ótima orientação, principalmente para felinos, são condutas que favorecem a qualidade de vida do paciente”, encerra.