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COVID-19: FELINOS PODEM SER MAIS SUSCEPTÍVEIS À DOENÇA?

Mesmo com casos em gatos e tigres, veterinário reforça: não há evidências de doença e transmissão

Mesmo com casos em gatos e tigres, veterinário reforça: não há evidências de doença e transmissão

Cláudia Guimarães, em casa

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Saber diferenciar as notícias que buscam disseminar informações existentes, até então, sobre o novo coronavírus, das fake news é a chave para filtrar as informações que devem fixar na mente e as que devem ser, brevemente, descartadas. A mais recente, no universo dos animais, é de que um tigre, do Zoológico do Bronx, ao norte da ilha de Manhattan, testou positivo para Covid-19. Anteriormente, tivemos o episódio de dois gatos domésticos, um na Bélgica e outro em Hong Kong.

Outros seis felinos do Zoológico do Bronx também apresentam sintomas da doença, mas não passaram por testes e vale ressaltar que não se sabe, com toda clareza, como o tigre (uma fêmea) contraiu o vírus, mas os veterinários do zoológico acreditam que algum cuidador que esteja assintomático possa ter transmitido a doença. O local está fechado desde o dia 16 de março.

De acordo com o médico-veterinário, clínico de felinos e proprietário de Clínica MasterCat, Carlos Alberto Geraldo Junior, o que já é do conhecimento de médicos-veterinários é que, para causar infecção nas células, os coronavírus se ligam a um receptor de uma enzima chamada ECA-2. “Em alguns estudos (durante a epidemia pelo SARS Cov-1), foi possível demonstrar que há grande semelhança entre os receptores dessa enzima em células humanas e felinas e isso pode ser um fator que aumente a susceptibilidade dos gatos ao novo coronavírus (SARS Cov-2), porém até o presente momentos não há evidências de isso esteja fazendo com que os gatos adoeçam, tão pouco que estejam transmitindo o vírus. Existem mecanismos bastante complexos para que um indivíduo desenvolva determinada doença infecciosa e a transmita, sendo a infecção apenas uma parte de todo esse processo”, explana.

Há grande semelhança entre os receptores da enzima ECA-2em células humanas e felinas e isso PODE SER um fatorque aumente o risco à espécie (Foto: reprodução)

Mas o profissional reforça, assim como os entrevistados de outros conteúdos aqui de nosso portal, que não há evidências, até o momento, de que os felinos adoeçam pelo novo coronavírus e se tornem fontes de infecção para os humanos. “Os testes positivos feitos em gatos, por enquanto, foram detectados em animais que viviam em ambientes com muita contaminação ou animais que tiveram contato com pessoas infectadas, não havendo comprovação que eles desenvolveram os sintomas da doença e nem que exista capacidade deles transmitirem o coronavírus”. Por conta disso, em sua visão, é interessante manter os felinos com certa distância de pessoas que estejam doentes ou eliminando o coronavírus. “Isso até que tenhamos mais respostas em relação a qual a real susceptibilidade dos gatos ao vírus e, também, para reduzir a chance de o felino atuar como fômite (‘superfície contaminada’)”, avalia.

Uma possibilidade, mencionada pelo especialista, que pode facilitar encontrarmos partículas virais nos gatos, pode ser a proximidade que, no caso dos gatos domésticos, aos seus tutores, além dos hábitos de higienização da espécie que, em ambientes muito contaminados ou no contato com pessoas infectadas, funcionem como fômites.

Testes de laboratório. Após os casos de alguns casos isolados de animais de estimação (cão e gatos) serem testados positivo para a doença, alguns laboratórios brasileiros passaram a divulgar testes para detectar o vírus nos pets. O Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) já emitiu uma nota sobre essa atitude, a descrevendo como antiética.

Sobre isso, Geraldo Junior também aponta que não há razões, nesse momento, de realizar qualquer tipo de teste diagnóstico para o novo coronavírus em gatos, pois ainda não há evidências ou publicações que determinem que os animais, realmente, adoeçam e transmitam esse vírus. Isso só aumentaria a chance de termos interpretações equivocadas dos resultados e, consequentemente, aumentaria o risco de abandono ou eutanásia de animais sadios”, frisa.

O profissional observa que esse é um momento delicado em relação à saúde pública e é preciso ter muita responsabilidade para que algumas informações não se tornem verdades incontestáveis sem a devida comprovação científica. “Temos que nos manter atentos e seguir monitorando nossos pacientes felinos, mas, por enquanto, não há nenhum motivo para pânico e nem para realização de testes em larga escala nos gatos. O mais importante é continuarmos cuidando bem de nossos animais, enfatizando a posse responsável e mantendo-os sempre dentro de casa”, orienta.

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