Sede excessiva, aumento do volume de urina, fome intensa, abdômen pendular, ganho de peso, fraqueza muscular e alterações na pele e nos pelos podem parecer sinais relacionados ao envelhecimento, principalmente quando aparecem de forma gradual.
Em cães de meia-idade e idosos, porém, a combinação dessas alterações deve levantar a suspeita para a Síndrome de Cushing, também chamada de hipercortisolismo.
A doença é uma enfermidade endócrina caracterizada pela produção excessiva de cortisol, hormônio essencial para diversas funções do organismo, mas que, quando permanece elevado por períodos prolongados, pode provocar alterações importantes.
Segundo Rafaele Pinhão, médica-veterinária especializada em Endocrinologia e Metabologia de Pequenos Animais e coordenadora técnica da área de Animais de Companhia da Dechra, a causa mais comum está relacionada a um pequeno tumor na hipófise, que estimula continuamente as glândulas adrenais a produzirem cortisol.
Em menor frequência, a origem está em tumores nas próprias adrenais. Também existe a forma iatrogênica, associada ao uso prolongado ou inadequado de corticosteroides.
Sinais merecem investigação
Os sinais da Síndrome de Cushing costumam surgir de maneira gradual, o que pode dificultar o reconhecimento da doença.
Entre as manifestações mais frequentes estão aumento do consumo de água e da produção de urina, aumento do apetite, ganho de peso, abdômen pendular, fraqueza muscular, cansaço, ofegância excessiva, afinamento da pele e alopecia simétrica bilateral.
“Nem todos os cães apresentam o mesmo conjunto de sinais, mas a associação de várias dessas alterações deve sempre despertar a suspeita clínica”, explica Rafaele.
A idade é um dos fatores que pode contribuir para que o quadro passe despercebido. A maioria dos pacientes diagnosticados tem mais de sete anos, e alterações como ficar mais parado ou ganhar peso podem ser atribuídas pelas famílias ao envelhecimento.
No entanto, mudanças significativas na ingestão de água, volume urinário ou apetite, além de perda de pelos, aumento abdominal e fraqueza muscular, não devem ser consideradas consequências naturais da idade.
Algumas raças também apresentam maior predisposição, como Poodle, Dachshund, Yorkshire Terrier, Schnauzer Miniatura e Beagle.

Diagnóstico identifica a origem
A investigação da Síndrome de Cushing começa pela associação entre histórico clínico, exame físico e exames complementares. Hemograma, perfil bioquímico e urinálise podem apresentar alterações sugestivas, como trombocitose, hiperlipidemia, hiperglicemia e aumento de enzimas hepáticas.
Para confirmar a doença, podem ser utilizados testes endócrinos, como o de supressão com baixa dose de dexametasona e o de estimulação com ACTH.
A ultrassonografia abdominal também tem papel importante, especialmente na avaliação das glândulas adrenais e na investigação da origem do excesso de cortisol.
O diagnóstico precoce é relevante porque a exposição prolongada ao excesso hormonal pode favorecer ou agravar outras condições. Entre as possíveis complicações estão hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus, alterações hepáticas, infecções urinárias recorrentes e eventos tromboembólicos.
“O excesso crônico de cortisol pode favorecer o desenvolvimento ou agravamento de doenças”, alerta a médica-veterinária. Para ela, reconhecer a doença mais cedo permite iniciar o tratamento antes do surgimento de complicações mais graves.
Vetoryl® auxilia no controle do cortisol
Uma vez confirmado o diagnóstico, o principal objetivo do tratamento é controlar a produção excessiva de cortisol, reduzir os sinais clínicos e minimizar as complicações, buscando preservar o bem-estar do paciente.
“O trilostano é uma das principais opções utilizadas no tratamento do hipercortisolismo canino e o Vetoryl® é um medicamento à base desse princípio ativo indicado para cães com a doença, atuando de forma reversível sobre uma enzima envolvida na síntese do cortisol, o que contribui para reduzir a produção excessiva do hormônio pelas glândulas adrenais”, afirma Rafaele.
A definição do tratamento deve ser individualizada. Antes da prescrição, é necessário considerar histórico clínico, doenças concomitantes, resultados laboratoriais, função renal e hepática e outros medicamentos em uso.
Com o controle adequado da doença, alguns sinais podem apresentar melhora progressiva, como sede e produção urinária excessivas, fome exacerbada, falta de disposição e ofegação. Alterações musculares e dermatológicas também podem melhorar gradualmente.

Monitoramento é parte do tratamento
O controle da Síndrome de Cushing não termina com a escolha da medicação. O acompanhamento periódico é necessário para avaliar a resposta do paciente, a segurança do tratamento e a necessidade de ajustes na dose.
Nas reavaliações, devem ser consideradas a evolução dos sinais clínicos e resultados de exames laboratoriais de rotina e hormonais.
“O acompanhamento periódico é uma parte essencial do tratamento, porque o controle da doença exige monitoramento constante da resposta clínica e da segurança terapêutica”, ressalta Rafaele.
Os responsáveis também têm papel importante nesse processo. Redução importante do apetite, vômitos, diarreia, apatia, fraqueza excessiva, tremores, desmaios ou mudanças repentinas no comportamento devem motivar contato com o médico-veterinário. Alterações inesperadas no consumo de água ou piora dos sinais clínicos também merecem atenção.
Dessa forma, reconhecer alterações que vão além do envelhecimento, investigar precocemente e manter o acompanhamento após o diagnóstico são medidas essenciais para controlar o hipercortisolismo e proporcionar mais conforto e qualidade de vida ao cão.

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