A Hungria aprovou uma nova legislação que proíbe a aquisição, criação, manutenção, treinamento e utilização de animais selvagens em espetáculos circenses.
A medida, estabelecida pelo Decreto Governamental 124/2026, entra em vigor em 1º de janeiro de 2027 e alcança 25 grupos de espécies, incluindo grandes felinos, elefantes, macacos, ursos, girafas, focas, répteis e aves de rapina. Cavalos, cães e gatos não foram incluídos na proibição.
Com a nova norma, o país encerra uma forma de entretenimento historicamente criticada pelo impacto negativo sobre a saúde física e mental das espécies. A rotina itinerante dos circos impõe confinamento em espaços reduzidos, viagens frequentes, isolamento social e rotinas de treinamento artificiais incompatíveis com o comportamento natural desses animais.
Transição gradual e avanço na União Europeia
A legislação prevê que os animais que já vivem em instalações circenses sejam retirados gradualmente das apresentações, sem a obrigação de transferência imediata para outros locais, evitando novos deslocamentos estressantes.
Com esta decisão, a Hungria junta-se aos 24 Estados-membros da União Europeia que já possuem restrições parciais ou totais ao uso de animais em circos.
A conquista é resultado do trabalho contínuo de ativistas e organizações da sociedade civil, como o canal de defesa animal Csir Kevin e o ativista Raul Vida. A mudança legislativa também reflete a nova estrutura política húngara, que criou um Ministério do Meio Ambiente liderado por László Gajdos, ex-diretor de zoológico.

Novas medidas de fiscalização e restrições à caça
A criação da nova pasta ambiental sinaliza novas mudanças no país. Entre as propostas em avaliação pelo ministro László Gajdos estão a proibição da caça em tocas e a criação de uma autoridade nacional dedicada exclusivamente à fiscalização das normas de proteção animal.
Levantamentos do Eurogroup for Animals reforçam a relevância da medida ao apontar que, entre 1995 e 2019, foram registrados 478 incidentes envolvendo 889 animais selvagens e o público em circos da União Europeia.
A expectativa das autoridades é que o fim da exploração circense evite acidentes e garanta um padrão ético de bem-estar para as espécies remanescentes.
Fonte: ANDA, adaptado pela equipe Cães&Gatos.

Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro a comentar.